“Delegado quer usar carro de luxo encontrado com meu cliente como troféu”, revela advogado

Os advogados que estão fazendo a defesa de Adriano Vieira Santos, o ‘Sapão’ – preso na semana passada na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, sob acusação de tráfico de drogas e homicídios – protocolaram uma denúncia na Corregedoria Geral de Polícia nesta segunda-feira, 7, contra o delegado André Davi, diretor do Departamento de Narcóticos da Polícia Civil (Denarc).

De acordo com os advogados, o delegado que coordenou a operação para prisão de Sapão estaria cometendo uma série de abusos de autoridade, como negar informações desde a chegada do acusado ao estado de Sergipe, até não permitir acesso a mandado judicial e outras informações do processo

Boletim de ocorrência prestado pelos advogados na Corregedoria Geral de Polícia

Conforme os advogados, o delegado também teria dado recados a Sapão em tom de ameaça, com intuito de requerer o veículo Audi, apreendido com Sapão, para a unidade do Denarc. “Quando eu tive acesso ao Adriano, no domingo pela manhã, ele estava muito nervoso. Adriano me disse que André (Davi) avisou que, de forma alguma, era para a defesa pedir a restituição do veículo, para que Adriano pudesse ter paz na vida quando sair dali. O delegado disse que queria usar o carro como espécie de troféu com adesivo do Denarc pela cidade”, relata Josephe Barreto.

Para o Portal Fan F1, o advogado deixou claro que o carro não pertence a Adriano e sequer sabe do atual paradeiro do veículo, se está em traslado para Sergipe ou não.

Os advogados também relataram à Corregedoria que antes de conseguirem contato com Sapão, tentaram mais de uma vez, durante a tarde e noite do último sábado, 5, ter acesso ao cliente na sede do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), mas que ambas foram negadas por um policial civil. Umas das investidas chegou a ser filmada pelos advogados. Confira o vídeo.

Nota da SSP/SE

A Polícia Civil informa que os advogados do traficante Adriano Vieira Santos, conhecido como “Sapão”, tiveram acesso ao cliente nas primeiras horas desse domingo, 6. Eles conversaram com o cliente durante uma hora.

Nesse sentido, a Polícia Civil reitera que foi garantido o direito constitucional de acesso à defesa. O traficante chegou ao Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) durante a tarde do sábado e os advogados queriam ter o acesso à noite, o que inviabilizaria o acesso no mesmo dia.

A direção do Cope, responsável pela custódia de Adriano Vieira, autorizou a entrada dos advogados. Como o Cope é a unidade de custódia, cabe ao Centro de Operações Policiais Especiais autorizar o acesso da defesa, o que prontamente ocorreu.

O Cope, inclusive, é a unidade de custódia de presos considerados de alta periculosidade. Desse modo, visando preservar a integridade das equipes e de todos os envolvidos, é vedado o acesso à pessoas não inclusas nos quadros de servidores após 18h.

A Polícia Civil também destaca que, contra o traficante, foram cumpridos três mandados de prisão. A prisão se deu, inclusive, com base nas decisões judiciais disponíveis no Banco Nacional de Mandados, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A instituição também explica que o Departamento de Narcóticos (Denarc), responsável pela investigação, tem pleno direito de avaliar a requisição de bens móveis do traficante para utilização nas ações de enfrentamento à criminalidade e garantia da segurança pública da população sergipana.

 

 

Home

Deixe uma resposta