Cerca de 100 famílias estavam na ocupação João Mulungu, no centro de Aracaju, quando a Polícia Militar realizou a reintegração de posse no prédio localizado na avenida Ivo do Prado neste domingo (23), mas nem todas foram acolhidas pela Prefeitura Municipal, segundo aponta o advogado das famílias, Alberto Dantas.
Foto: Ascom/Assistência Social de AracajuFoto: Ascom/Assistência Social de Aracaju
Do total, apenas 25 foram abrigadas pela Secretaria da Assistência Social de Aracaju, e as demais seguiriam desalojadas. De acordo com o advogado, após a reintegração, muitos estão dispersos, sem local para morar, ou de favor na casa de amigos e parentes.
“Nem todo mundo foi alocado, porque não havia local para abrigar todos. Foi feita a reintegração sem que houvesse espaço nos galpões da Prefeitura para todo mundo. Foi uma ação desastrosa, porque a polícia deveria ter solicitado à Prefeitura antes da ação, para saber se tinha local para abrigar todas as famílias”, afirma Alberto Dantas.
O advogado conta que foi acionado às 5h54 da manhã do domingo (23) por um dos moradores da ocupação. Apesar de ter solicitado à Polícia Militar que aguardasse a sua chegada no local, ele não foi atendido e diz que ainda foi impedido de acompanhar a ação.
“Eu não sei o que aconteceu, porque fui impedido de entrar. O pessoal informa que foi agredido. Foi uma ação muito truculenta. Os policiais agiram sem se preocupar que existiam idosos e crianças. Não havia necessidade daquela força desproporcional”, acrescenta Alberto.
Assistência Social
A Secretaria de Assistência Social de Aracaju não soube informar ao F5 News o quantitativo de pessoas presentes na ocupação durante a reintegração de posse, e disse que esse número poderia ser repassado pela Polícia Militar. No entanto, a Assessoria de Comunicação da PM também não soube dizer o total de pessoas no local no momento da ação.
Ainda conforme a Assistência Social, os técnicos da Secretaria Municipal atenderam 28 famílias, das quais 25 foram direcionadas aos abrigos e três foram encaminhadas para a casa de familiares.
Foto: Ascom/Assistência Social de AracajuFoto: Ascom/Assistência Social de Aracaju
“A Assistência Social de Aracaju já havia estabelecido diálogo com representantes da ocupação em 12 de março, de modo a identificar o perfil das cerca de 65 famílias ocupantes do imóvel, as quais, posteriormente, foram conhecidas pessoalmente pela equipe da Assistência Social do Município, onde, por surpresa, novos integrantes passaram a participar da ocupação, sendo a grande maioria homens, solteiros, bem como aposentados, e outra parte beneficiários de auxílio emergencial federal ou, até mesmo, recém cadastrados no Auxílio Municipal Emergencial (AME)”, aponta a Comunicação do órgão.
Ainda segundo o advogado Alberto Dantas, a ocupação João Mulungu conta com aproximadamente 200 famílias, no entanto, nem todas estavam no local no momento da ação.
A Secretaria de Assistência Social informa que, na próxima quinta-feira (27), atualizará o cadastro das famílias e estudará a situação de cada uma, além de sinalizar à Secretaria Estadual de Inclusão Social, uma vez que o órgão foi citado no processo, para que assim possa ser dado um encaminhamento às famílias. Segundo a assessoria, muitos possuem endereço no interior do estado.
“A Assistência Social de Aracaju ressalta que, mesmo com o fim da ação de reintegração, a equipe se mantém à disposição de todos que chegaram ao local depois e se dizem membros da ocupação”, acrescenta.
Edição de texto: Monica Pinto




