Criança de dois anos morre e família diz que houve negligência

Foi sepultado na tarde desta terça-feira (15) o corpo da pequena Kiara Sophia, de apenas dois anos, no município de Itabaianinha, Sul de Sergipe. A criança morreu nessa segunda-feira (14), no hospital de Estância, à espera de um leito de UTI. A família disse que houve negligência.

A tia da menina, Kelyane Araújo, disse ao F5 News que Kiara foi levada ao hospital de Itabaianinha na sexta-feira (11), por volta das 4h, com forte cansaço. Após atendimento, a equipe do hospital informou à família que a criança precisava ser transferida para o Hospital de Estância.

“Isso já era 9h da manhã, passamos mais de oito horas esperando uma ambulância, que só foi chegar às sete da noite”, disse Kelyane.

Criança de dois anos morre e família diz que houve negligência

A tia relata ainda que, no hospital de Estância, a criança foi logo para o oxigênio e os médicos informaram que ela precisava de um leito de UTI e que, por isso, teria que ser transferida para Aracaju. Segundo a família, o teste para covid-19 deu negativo.

“Fiquei no hospital, ao lado dela, vendo as horas passaram, e o tempo dela também, foi quando entrei em desespero e fiz um vídeo pedindo ajuda. Eu já não estava suportando aquela agonia, a ambulância não chegava e a situação só piorava. Ninguém dava uma resposta. Depois que eu fiz o vídeo, quiseram me tirar de perto da minha sobrinha, e eu fui pra cima e não me arrependo. Só foi o vídeo passar na TV, pra ambulância chegar, mas já era tarde”, lamenta a tia de Kiara Sophia.

Kelyane diz que houve negligência, que se a sobrinha tivesse recebido o tratamento adequado no tempo certo poderia estar viva. Pouco antes e durante a transferência, a pequena teve algumas paradas cardíacas e não resistiu.

“Isso é um absurdo, a família está arrasada. Por que não mandaram a ambulância antes?”, questiona.

Por meio de nota, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) afirmou que “diante do cenário de pandemia, com alta no número de casos e de pacientes agravando nas unidades hospitalares solicitando transferência, a remoção de pacientes tem acontecido num tempo maior que o habitual”

A nota diz ainda que o SAMU só realiza a transferência de pacientes com leito já definido.

“Dessa forma, quando acionado pela Unidade de Saúde para atender Kiara Sophia, o Samu buscou leito de retaguarda nas Unidades, uma vez que a paciente já estava em estado grave. O leito foi disponibilizado no dia 14, na ala vermelha do Huse, mas na pré-remoção a equipe foi informada da indisponibilidade por conta de um problema estrutural no leito”.

Edição de texto: Monica Pinto

 

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