Diante do estado em que foi encontrado o corpo do piloto Adriano Leon, de 32 anos, foi necessária a coleta de material genético para que ele seja identificado oficialmente. Este é o protocolo adotado nesses casos.
Mesmo sem a identificação oficial, o corpo do piloto já foi liberado e entregue à família para o sepultamento.
Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública de Sergipe (SSP-SE) informou que “a comparação de DNA entre as partes do corpo é mera formalidade para o laudo”.
Em entrevista ao Jornal da Fan, na manhã desta segunda-feira, 10, o Coordenador Geral de Perícias de Sergipe, Nestor Barros informou que na sexta-feira, 7, foi encontrado um braço do piloto e que comprovação de que o braço de fato era dele, foi feita através do confronto papiloscópico, mas que o corpo ainda precisava ser identificado por exame de DNA.
Na entrevista, Nestor falava como se o corpo ainda fosse ser liberado, mas a liberação já havia sido feita pelo Instituto Médico Legal (IML) às 18h45 desse domingo, 9.

“Oficialmente o corpo que foi resgatado, não foi identificado. O que foi identificado foi o membro superior direito. Vai ser mais fácil porque já existe uma identificação. Esse material do braço e do corpo será submetido a confronto, mas tem que identificar. O corpo não pode ficar sem identificação. O corpo não foi identificado ainda”, disse o coordenador Geral de Perícias de Sergipe.
Mesmo tendo afirmado que o corpo estaria sem identificação oficial, Nestor informou que seria liberado para a família.
“Nós temos fortes indícios que o corpo é do piloto. Não havia ninguém mais com ele. A ideia é que liberemos o corpo e em seguida o laudo pericial com o exame de DNA, que deve ficar pronto em no máximo três dias. Já entrei em contato com a diretora do Instituto de Análises e Pesquisas Forenses para que ela dê toda celeridade necessária, já que somos técnicos, mas também somos humanos e sabemos do sofrimento da família que quer velar este corpo”, finalizou.
Apesar do empenho das equipes de Segurança Pública para resgatar e identificar o corpo do piloto, esta situação revela o tratamento desigual que é adotado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Sergipe com relação às famílias que lá chegam. O problema é antigo e já foi noticiado diversas vezes.
Em julho de 2018, três corpos foram encontrados carbonizados dentro de um carro, em uma estrada de terra no limite entre os municípios de Itaporanga d´Ajuda e São Cristóvão. Familiares dos três se apresentaram no IML. Um deles foi logo identificado e liberado, mas os corpos dos outros dois, só foram liberados em setembro. Mesmo com os familiares comprovando o parentesco, tiveram que aguardar a chegada do exame de DNA.
Mais recentemente, uma outra família passou por dilema parecido. Uma mulher identificada como Urânia Guimarães foi morta e enterrada em um terreno na Barra dos Coqueiros. A família dela, que é do município de Alagoinhas, na Bahia, foi avisada do que havia acontecido pela Polícia Civil.
O irmão de Urânia esteve em Aracaju, distante 227 quilômetros de Alagoinhas, para liberar o corpo, mas não conseguiu. Precisou voltar para Bahia para buscar exames odontológicos que permitissem a identificação oficial do corpo de Urânia. Só depois, a família retornou a Aracaju para, então, levar o corpo para sepultamento.
Vale ressaltar que, em matéria divulgada pela mesma SSP, onde elenca o protocolode identificação de corpos, a mesma diz que “uma série de procedimentos antecede a liberação de um corpo pelo Instituto Médico Legal (IML). Esse trabalho é realizado em conjunto entre peritos médicos legistas e do Instituto de Criminalística, para a elaboração de laudos periciais que posteriormente serão encaminhados à Delegacia ou à Justiça”. Seria isso mera formalidade?
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o piloto Adriano Eugenio de Leon Ribeiro, de 32 anos, foi identificado oficialmente a partir do confronto papiloscópico realizado a partir das digitais coletadas da mão direita com as fichas de identificação enviadas pelo Instituto de Identificação de Minas Gerais.
O restante do corpo foi resgatado apenas no dia seguinte devido à dificuldade de acesso ao local. O corpo foi levado logo após o resgate para o Instituto Médico Legal (IML) e submetido a exame pericial. No IML, foi extraído material genético de ambas as partes para que seja feita a conclusão do inquérito.
A SSP reafirmou que, partindo do plano de voo da aeronave, no qual constava a presença, apenas, do piloto, o corpo foi liberado em sua totalidade para a realização do sepultamento, pois o resultado final do exame de DNA ainda pode demandar alguns dias, devido ao deterioramento das amostras recolhidas pelo IML.




