CONTOS DO BATALHA: “O DIA QUE O CÂMBIO DA CAIXA DE MARCHA SOLTOU NA MÃO DE CHICO DE FRANÇA”!

Esse é mais um causo que irei contar da minha vida radiofônica. Neste espaço já contei dois causos do querido companheiro folclórico Francisco de França [em alta velocidade] que sempre protagonizou causos hilários. Este que contarei agora trata-se de mais um desses.

Era início da década de 80 e o carro da moda na época era um Opala. Eu, graças à Deus, consegui adquirir um com duas portas, vermelho. Tratava-se de um veículo que chamava muito atenção. E passei a trabalhar, claro, curtir as noites e a vida dessa querida cidade e maravilhosa de Aracaju. À época, trabalhava na Rádio Liberdade, fazia um programa de esportes na Tv Atalaia e começava a trabalhar com publicidade. Tinha um colega de rádio chamado Chico de França que de repente se apaixonou pelo carro. Não havia um dia que ele viesse a encontrar — se comigo e perguntar. “Barão, quando vc vai querer vender esse carro”?

Tempo foi passando, os dias, meses e acho que até uns 02 anos eu fiquei com esse carro. Com o passar do tempo, ele começou a apresentar alguns problemas. Foi quando um mecânico disse-me que eu teria problemas com o câmbio da caixa de marcha. Mesmo assim, prosseguir levando a vida. Lembro-me que a lavanca era embaixo e para ter que dar a ré era necessário puxar (suspender) o câmbio para provocar a ré.

E, mesmo assim, Chico de França querendo comprar o carro. Um belo dia de sábado, residia no Bairro Atalaia, ia saindo pela manhã e quando vou dar a ré e puxo o câmbio vem na minha mão. Lembro de ter dito que aquilo não era possível. Chamei o mecânico e ele realizou um arranjo. Mesmo com uma ressalva: “Se vc for realizar duas ou mais três vezes a ré, esse câmbio sairá novamente. Terá que ser aberta a caixa de marcha”. Então, deixei o carro parado lá em um modo que não fosse necessário a ré. Fui de táxi até a rádio Liberdade.

Quando eu desço do táxi na Rua Itabaianinha [sede da rádio Liberdade] a primeira pessoa que vejo é Chico de França, que vem ao meu encontro perguntando se desejo vender o carro. “Tô com o dinheiro aqui”! Disse isto abrindo a mala mostrando-me o dinheiro. Eu disse, então, o carro é seu. Aproveitei e detalhei onde estava o veículo para ele ir buscar. Ainda tive de pagar o táxi que iria conduzi-lo até a minha casa. Isso por volta das 11:30h da manhã.

Pois bem! Assim saiu o negão todo satisfeito ao adquirir o seu o primeiro carro. E eu, mais satisfeito ainda por ter me livrado daquela geringonça.
A noite eu iria trabalhar em uma partida de futebol no Batistão. Competição que não me recordo qual era. Quando estou na cabine da rádio Liberdade narrando o jogo, na companhia do comentarista Carlos Rodrigues, eis que entra o negão e que da porta grita. “Barão, que sacanagem foi essa que vc fez comigo”? Quando eu vou olhar, está o Chico com o câmbio na mão. Aí eu não aguentei. A jornada parou porque eu contei o fato no ar.

Mais um detalhe. Eu de bom coração assumindo a sacanagem, disse ao negão que colocasse o carro na oficina que eu iria pagar o conserto. E, realmente, não paguei todo, mais dividir com ele. Assim como ele aceitou dividir. Mais voltei a resenhar com ele. Vc foi ignorante, negão o primeiro carro que vc tem arranca o câmbio na mão. Mais foi a pura realidade. Me livrei do Opala vermelho, o negão arrancou a marcha, mais depois saiu desfilando garbosamente pelas ruas de Aracaju.

Este mais um causo que contamos aqui. Excepcionalmente, nesta terça-feira.

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