CONTOS DO BATALHA: “O DIA EM QUE FUI OVACIONADO PELA TORCIDA DO CRB NO ESTÁDIO REI PELÉ”!

Era início da década de 80, o Clube Sportivo Sergipe (CSS) tinha um bom time. Fez, inclusive, excelente participação no Campeonato Brasileiro. Faltando pouco para chegar a 3.ª ou 4.ª fase (não me lembro bem), pois foi garfado no Estádio do Andaraí, estádio do América-RJ, onde perdeu o jogo por 4 a 3 em uma confusão muito grande para sair do vestiário. E, eu lá estava, como estava acompanhando todas essas competições dos nossos clubes sergipanos. Para quem não sabe, antigamente até a década de 90 tínhamos apenas uma única competição com a presença de 100 equipes. Na ocasião, estávamos sendo representandos pelo (Confiança), Sergipe e Itabaiana.

Pois bem! Em uma das partidas deste campeonato brasileiro, o Sergipe foi jogar em Maceió contra o Clube de Regatas Brasil (CRB). Na oportunidade, eu trabalhava na rádio Liberdade [detentora de uma extraordinária potência que chegava a atingir quase todo o Nordeste]. E como eram às três equipes disputando a competição e eu estava na condição de repórter de campo, quando o Sergipe iria jogar eu usava a camisa do Sergipe e atrás tinha escrito a frase “Liberdade com o Sergipe”. Quando era o (Confiança) “Liberdade com o Confiança” e na vez do Itabaiana “Liberdade com o Itabaiana”. Aí chegou a noite de quarta-feira em Maceió.

Um jogo bastante disputado e aguerrido e, quase no último minuto o árbitro marca um pênalti contra o Sergipe. Diga-se de passagem inexistente. Provocando muita confusão no meio do gramado. Eu entrei em campo, na época era permitido, comecei a destilar toda a minha raiva pelos microfones da potente rádio Liberdade. “Esse juiz é ladrão, veio roubar aqui em Maceió, etc. Após a confusão, atleta do CRB cobra e o goleiro Zé Luiz defende a cobrança. Com isso, esbravejei muito, só que como tinha na minha camisa “Liberdade com o Sergipe”, os torcedores do clube alagoano sintonizaram o dial da rádio e me viram esculhambar. Foi o bastante, pois o árbitro remarcou a cobrança e na segunda chance o jogador do CRB abriu o placar.

 Graças à Deus, naquele momento não existiam as latas de cervejas nas arquibancadas por não ser permitido. Com isso, o que levei de casca de laranja não estava no “gibi”. Só que não ficou por aí. Jogaram em mim um ovo cheio na marca do meu peito. Me melei todo! E, como estava no sistema “bate e volta”, retornei ao lado dos companheiros de trabalho (Andrade Lima e Carlos Rodrigues) todo sujo.

Então, naquela noite, me senti consagrado.  O dia em que fui ovacionado no estádio Rei Pelé!

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