No último dia 26 de abril, a Polícia Civil, através da Delegacia de Delitos de Trânsito, concluiu o inquérito do acidente que vitimou Daniella Alves, de 25 anos, e Tatiane Rodrigues, de 32 anos. Elas foram mortas na Avenida Tancredo Neves na madrugada do dia 10 de janeiro deste ano, após terem a motocicleta atingida, violentamente, pelo carro dirigido por Esteves Rodrigo Bonfim de Brito, que transitava em uma velocidade de cerca de 110 Km/h e avançou o sinal vermelho.
A conclusão da delegada Daniela Lima foi pelo indiciamento do condutor por homicídio culposo, aquele onde não há intenção de matar, o que não deixou as famílias das vítimas conformadas.
O Portal Fan F1 procurou as mães das garotas e decidiu contar um pouco de suas histórias. Quem era Daniella Alves? Quais os planos de Tatiane Rodrigues? Como viviam? Confira a partir de agora!
“Eu sonhei tanto com minha filha, era uma menina que gostava de viver”, diz mãe de Daniella

Na garupa da motocicleta pilotada por Tatiane estava Daniella Alves, uma jovem de 25 anos que no último dia 4 de abril completaria seus 26. Uma semana antes de partir, ela comemorou os 7 anos da filha, a pequena Giovana e um dia antes do acidente chegou a ir à praia com ela, o que foi lembrado pela garota.
“Ela chora, aí eu levo ela para a janela, a gente fica olhando as estrelas e ela fica dizendo: “ali é minha mãe”. O aniversário de Giovana foi no dia 3 de janeiro e oito dias depois minha filha foi embora. Sabe o que Giovana disse para mim? “Vó, ainda bem que eu fui à praia com a minha mãe e ela ficou feliz”, conta a mãe de Dani, Andréa Alves.

Uma semana antes de partir, Dani comemorou o aniversário da filha
Hoje, ela enxerga a neta como um presente de Deus. Segundo ela, ao abraçar a Gio, é como se abraçasse também a filha.
“Giovana é uma menina de Deus, digo que Deus mandou ela para Dani, vindo do ventre dela, mas foi um presente que ele deixou para mim. Não sei o que seria da minha vida sem Giovana. Ela sente uma falta da mãe, porém não gosta de me ver triste e fica tentando me acalmar, me consolar. Ela fala que a mãe está no céu, virou uma estrelinha e que não é para eu ficar assim que a mãe dela vai ficar triste”, diz Andréa sem conseguir conter as lágrimas.

Avó e neta: uma cuidando da outra
Com a proximidade do Dia das Mães, Giovana já traçou um plano para diminuir a tristeza da avó. Esta semana, ela escreveu um bilhete declarando todo o carinho por Andréa e a colocando num lugar difícil de ser ocupado, mas que, para a pequena se faz necessário. “Eu recebi um bilhete hoje de Giovana e dizia assim: “vovó, eu te considero como minha mãe, então, feliz dia das mães”. Dói no coraçãozinho dela”, explica.

Dani com a avó Dona Maria Luiza: amor de segunda mãe
Andréa conta o quanto sonhou em ser mãe e como era a sua única filha. “Daniella quando bebê, sempre foi muito calma, sempre foi muito na dela, muito reservada, só gostava de estar deitadinha e assistindo. Daniella foi crescendo, se tornou uma adolescente normal, nunca foi de muita amizade, tinha uma única amiga, que era uma amizade verdadeira como se fossem irmãs. Sempre foi só nós duas, depois veio a pequena Giovana e aí sempre fomos nós três. Eu sonhei tanto com minha filha, eu tinha 12 anos quando eu sonhava em ser mãe, era menina, brincava com minhas amigas e dizia que um dia queria ser mãe. Eu engravidei e perdi a primeira gestação, depois veio ela. Minha vida era muito simples, o pai dela também era bem humilde, mas o que eu pude fazer por ela eu fiz. Eu até era criticada porque diziam que eu queria dar de tudo a ela, mas eu só tinha ela, queria dar o melhor. A minha mãe, Dona Maria Luiza, era como uma segunda mãe para Dani, era um amor que não cabia nela. Me ajudou muito na criação e está sofrendo demais com esse vazio”, narra a mãe.

Mãe, filha e neta: trio inseparável
E continua: “Minha filha era muito feliz, sorridente. Era muito vaidosa, começou a trabalhar na Eudhora, ela amava, as clientes dela liga para mim. Trabalhou numa loja de roupas e foi jovem aprendiz na Caixa. Era uma menina que gostava de viver. Depois que cresceu teve muitas amizades, que eu hoje até me surpreendo. Já se passaram quase quatro meses e ainda me procuram para falar dela, do sorriso dela, da alegria que contagiava. Daniela deixou uma grande saudade não só como filha, mas como amiga, como companheira. Ela tinha uma amiga em especial, a Manuela, uma amizade linda e verdadeira que começou aos 7 anos. Elas eram como verdadeiras irmãs”.

Dani e Manu: amizade para uma vida inteira
Sobre aquela noite em que Daniella saiu para ir à uma festa com uma amiga, Andréa diz que ela se despediu e até brincou.
“Na noite que ela saiu, eu estava no sofá fazendo a unha e ela brincou ainda aqui comigo. Minha mãe estava aqui comigo. Ela ainda disse que não ia levar a carteira e a menina disse que não podia sair sem documento. Quando ela saía, eu sempre ficava preocupada. Eu falei com ela até às 23h e perguntei se ela vinha para casa aquela hora. Ela disse que não e perguntou se aconteceu alguma coisa, ela sabia que sentia alguma coisa”, disse Andréa.
Ela revelou ao Fan F1 que, três meses antes, sentiu uma sensação ruim e ligou para a filha, que estava em uma festa durante a madrugada. Naquele dia, a filha teria sido abordada por homens em um veículo, no bairro Jabotiana, que apontaram uma arma e tentaram roubá-la. No dia seguinte, a mãe viu no noticiário que os indivíduos eram os mesmos que mataram um estudante de Medicina após um assalto.
“Em outubro do ano passado eu senti uma coisa e liguei para ela na madrugada e quando ela atendeu perguntou o que foi. Eu disse que estava com uma agonia e ela me disse que ia ser assaltada e me disse que um cara tinha apontado uma arma para ela. No outro dia, um amigo me disse que tinha presenciado um garoto ser morto durante o assalto, era aquele estudante de Medicina que foi morto no Jabotiana. Pelas características, foi o mesmo que tentou roubar a minha filha. Naquele momento, eu glorifiquei ao Senhor, porque seria com a minha filha. Imaginei o sofrimento daquela mãe e três meses depois eu senti a mesma dor”, lamentou Andréa.
Atualmente, Andréa se divide entre o trabalho, o cuidado com a neta e as conversas diárias com a filha. Já virou rotina para ela enviar mensagens de WhatsApp para Dani contando como está o seu dia e compartilhando vídeos da pequena Giovana. Mesmo sabendo que as respostas não chegarão, isso alimenta a sua alma e dá forças para seguir em frente.

Mensagens diárias enviadas por Andréa para a filha Dani
“Eu conto para ela tudo o que acontece com a gente. Todos os dias eu lembro, todos os dias eu choro, todos os dias eu sofro. Eu deito, eu lembro, eu acordo, eu lembro. Meu primeiro pensamento do dia é ela, meu último pensamento é ela. Eu não tenho alegria no meu coração, eu até tento. Brinco por fora, mas só sabe Deus a destruição que tem aqui dentro. Peço tanto a Deus que ele venha me libertar, porque não posso prosseguir desta forma, eu tenho Giovana para cuidar”, finaliza Andréa Alves, mãe de Daniella e avó de Giovana.
“A única coisa que sobrou da minha filha foram as fotos”, diz mãe de Tatiane

Pilotando a motocicleta no dia do acidente estava a jovem, de 32 anos, Tatiane Rodrigues. Descrita por todos sempre como uma mulher com jeito de menina e a alegria de uma criança, ela também era filha única e deixou dois filhos: Kauane Barbosa, de 17 anos, e Gabriel Kauan Barreto, de 10 anos.
Ao chegar à residência onde Tati morava com a mãe, a senhora Tânia Rodrigues, e o padrasto, todos os cantos da casa faz lembrá-la. As fotos tomam conta das paredes e dos móveis e era assim que Tati se sentia feliz, prova disso é a quantidade de fotos postadas diariamente nas redes sociais.
“Minha filha era muito carinhosa, filha única, eu só tinha ela. Ela me deu dois netos maravilhosos. Com muito amor e dificuldade fui criando ela, mas, infelizmente, a perdi. Era muito vaidosa e se conhecesse uma pessoa, queria ser logo amiga. Minha filha era uma pessoa bondosa, toda vida que uma pessoa pedia para levar num lugar, ela ia. Era muito linda, de rosto, de corpo, muito carinhosa. Era uma ótima mãe, uma ótima filha, me levava para o trabalho e me trazia”, contou Tânia à equipe do Portal Fan F1.

Tânia exibe foto que a filha mais gostava
Segundo a mãe, a jovem trabalhava com doces e tinha um livro de receitas para pessoas que faziam treino em academia. Por gostar do universo fitness, ela também trabalhava em uma academia.
Sobre o dia do acidente, a mãe tem consciência de que a filha deu uma “roubadinha” com a motocicleta, mas lamenta que o jovem Esteves não tenha parado para prestar socorro.
“Eu sei que minha filha deu uma “roubadinha”, mas custava ele parar? Por que ele não parou o carro para dar assistência? Se ele vinha em alta velocidade. Eu enterrei a minha filha porque ele não prestou socorro, minha filha estava viva. Minha filha não fez nada, apenas foi levar a colega Dani em casa”, lamenta emocionada.

Caderno de receitas fitness, principal fonte de renda de Tati
O mesmo sentimento é compartilhado pela ex-sogra de Tatiane, Joseilda Barbosa, que a descreve como uma jovem prestativa e boa mãe. Ela também conta a situação vivida por sua neta Kauane e condena a atitude do condutor do veículo.
“Ela foi para a minha companhia quando tinha 15 anos, quando estava grávida da minha neta. Tati era alegria, ela só queria ser feliz. Era muito amigueira, prestativa e maravilhosa. Uma boa mãe. Essa menina veio passar o ano novo comigo e veio de Uber, ela nunca pegava a moto quando bebia. Mas, naquele dia, eu não sei o que aconteceu. A filha dela não está em depressão totalmente porque Deus é maravilhoso, mas ela está com psicólogo, psiquiatra, ela não consegue estudar, é uma luta. Eu queria perguntar a esse cara que fez isso, se ele tem mão. No dia das mães ele vai poder dar um abraço na mãe. E a minha neta? Minha neta não gosta que fique falando, ela sofre mais. Era um amor tão grande por essa mãe. Ela me diz: “poxa vovó, porque ela foi passear?”, a gente fica sem resposta. Para a família é muito doloroso”, lamenta Joseilda.

Tatiane sendo batizada na Igreja do Evangelho Quadrangular
A mesma situação medicamentosa é narrada pela mãe de Tatiane. “Hoje, estou tomando remédios para ir trabalhar. Não posso ficar em cima de uma cama, minha filha não quer isso. A Justiça de Deus vai ser feita. A filha dela está tomando remédio como eu. Ela era muito apegada a ela. O filho dela tem 10 anos e também está muito triste”, diz Tânia.
Mostrando à equipe de Reportagem a garagem que construiu para que a filha pudesse guardar a motocicleta, Tânia faz uma revelação e afirma que não gostou muito quando a filha disse que iria comprar uma moto.
“Quando ela foi comprar aquela moto eu disse que não aconselhava, mas ela disse que era rápido e a gente ia para todo canto. Eu tinha muito medo. Eu fiz a garagem dela para colocar a Bis e não deixar no sol. O negócio dela era ajudar ao próximo. Se você chegasse para ela e dissesse, “Tati, me leve em tal lugar”, ela ia”, pontuou a mãe.

Fotos para todo lado: cada canto da casa lembra Tatiane
Por fim, Tânia diz que perdoou o rapaz que dirigia o veículo que matou sua filha. Ela diz ainda que esse Dia das Mães será o pior que já viveu.
“Eu trabalhei a minha vida inteira para dar tudo o que eu podia a ela. O dia das mães vai ser um dos piores dias da minha vida. Ela sempre me dava presente, abraço, dizia “mãe eu te amo, a senhora é a minha vida”. A única coisa que sobrou da minha filha foram as fotos. Eu lembro dela todos os dia, no meu emprego, de repente, as lágrimas começam a rolar. Esse ano vai ser tudo diferente. Eu já perdoei o Esteves, ele já está na mão de Deus”, finaliza Tânia Rodrigues.
Por Diego Rios




