Como foi o desempenho do Brasil na primeira Copa do Mundo?

Em um mundo do futebol que ainda vivia os tempos do amadorismo em boa parte do planeta, a primeira Copa do Mundo foi disputada no Uruguai, em 1930, por seleções convidadas pela FIFA. O Brasil, na época, já começava a ser um país expoente no futebol, algo que só cresceria dali pra frente. A seleção já dava os seus primeiros passos para criar a sua característica do futebol arte ofensivo que a marca até hoje.

Mas havia muito mais coisas influenciando a seleção fora do campo, do que dentro do campo. A questão política ainda era de bastante relevância, sobretudo na escolha dos técnicos e convocação dos jogadores. Em 1930, isso não poderia ser diferente.

A comissão técnica da Seleção Brasileira na preparação para aquela Copa do Mundo era inteiramente formada por cariocas. Então, a APEA, Associação Paulista de Esportes Atléticos, pediu que um membro da Comissão Técnica fosse do estado paulistano. Porém, alegando que não havia tempo hábil para as mudanças, os cariocas mantiveram a comissão totalmente carioca.

Esse fato gerou uma revolta por parte dos paulistanos, que decidiram não liberar nenhum jogador do estado para a disputa da Copa do Mundo. Com isso, muitos craques como Feitiço e Friedenreich ficaram de fora da disputa daquele mundial, o que fez com que o Brasil perdesse tecnicamente grande parte do seu poderio ofensivo.

Estreia melancólica contra a Iugoslávia

A seleção brasileira já não era uma das favoritas a vencer o mundial, isso somado ao desfalque dos seus principais craques por questões políticas, fez o cenário piorar ainda mais. O Brasil passou a ser considerado um azarão pela imprensa especializada e também nas apostas esportivas de cassino da época.

As análises não estavam completamente equivocadas, o Brasil, de fato, fez uma campanha medíocre na primeira Copa do Mundo da história. Logo na primeira partida foi derrotada pela Iugoslávia por 2 a 1. Nesse jogo, o Brasil sofreu dois gols no primeiro tempo e, apesar de ter conseguido descontar na etapa final com Preguinho, não teve forças para obter o empate.

Uma curiosidade é que, ao saber da derrota dos “cariocas” para a seleção iugoslava, uma pequena multidão aglomerou-se em frente aos jornais paulistas para comemorar a provável desclassificação do Brasil no Mundial. Fato que é impensável nos dias de hoje, mas mostrava o quanto as questões políticas atrapalhavam o desempenho e também a imagem da seleção perante parte de seus torcedores.

Goleada, mas com eliminação precoce

Após a derrota do Brasil contra a equipe do Iugoslávia, houve o jogo contra a fraca seleção da Bolívia, que foi vencido de forma fácil pela seleção brasileira, por 4×0, com dois gols de preguinho e outros dois de Moderato. A goleada, porém trouxe um gosto amargo ao Brasil, pois mesmo com o bom resultado obtido, a seleção brasileira não conseguiu a sua classificação, que ficou com a Iugoslávia, a única seleção do grupo que conseguiu vencer os seus dois jogos.

Além da divisão entre Rio e São Paulo, a falta de experiência internacional e o rigoroso inverno uruguaio também foram apontados como causas do mau desempenho do Brasil. A famosa “tremedeira” de alguns jogadores diante dos zagueiros iugoslavos também foi imensamente divulgada na época da desclassificação precoce.

 

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