CARLOS BATALHA: “PT –  QUEM SERÁ O PRÓXIMO A DEIXAR O BARCO”?

O Partido dos Trabalhadores começou a ganhar força e identidade em Sergipe a partir dos meados da década de 80, mais precisamente em 1986, quando Marcelo Déda foi eleito deputado estadual com uma estupenda votação de mais de 30 mil votos, elegendo inclusive um segundo nome por força de legenda, o Dr. Marcelo Ribeiro.

Na sequência da sua história e na medida que Lula disputava e perdia sucessivas eleições para a presidência da república (1989 para Fernando Collor, 1994 para Fernando Henrique, e novamente para FHC em 1998), aqui em Sergipe o partido crescia, mesmo com a surpreendente derrota de Déda em 1990, quando de uma eleição para a outra despencou de 30 para 3 mil votos, em um erro de percurso podemos dizer assim.
NOVOS NOMES
Foi exatamente nesse período (década de 90), que o PT mais cresceu em nosso estado. Novos nomes foram surgindo e ganhando eleições.José Eduardo Dutra, Ismael Silva, João Fontes, Abraão Crispim, Ana Lúcia, João Daniel, Francisco Gualberto, Iran Barbosa, João Daniel, foram nomes que ganharam disputas eleitorais e fortaleceram o partido.
Foi também nessa década que o partido deixou de ocupar um cargo majoritário, quando por desavença interna, as suas principais lideranças deixaram de apoiar Ismael Silva no segundo turno da eleição para a Prefeitura de Aracaju, simplesmente porque o mesmo aceitou o apoio de Maria do Carmo que havia concorrido ao mesmo cargo no primeiro turno das eleições.
GRANDE VITÓRIA EM 2000
Foi a partir das eleições municipais de 2000 que o PT passou a consolidar para si os principais cargos políticos de Sergipe, embora já ocupasse desde 1994 uma cadeira no senado, com o então desconhecido José Eduardo Dutra ganhando surpreendentemente uma vaga.
Em 2000, Marcelo Déda durante todo o período eleitoral mantinha-se um tanto quanto distante de Valadares que liderava todas as pesquisas para prefeito de Aracaju, quando no dia 7 de Setembro, poucas semanas portanto para as eleições, recebe o apoio de João Augusto Gama prefeito à época e que realizava excelente gestão. A virada ocorreu em seguida e no dia da eleição o PT chegava pela primeira vez ao comando da capital.
Em 2002, em acirrada disputa com João Alves, Dutra perde eleição em segundo turno para João Alves. Em 2004 Déda dá um passeio e é reeleito para a Prefeitura de Aracaju consolidando-se como candidato ao governo do estado, o que ocorre em 2006 repetindo-se em 2010 com a sua reeleição.
O DECLÍNIO
Ainda em 2009, antes portanto da reeleição, Déda começa a ter problemas de saúde, que com o passar do tempo foi agravando-se, até o seu prematuro falecimento em 2013. Marcelo Déda, que na última quinta feira completaria 62 anos se vivo estivesse, deixou orfãos não só os seus filhos, como também os seus liderados petistas. A partir da sua morte o PT Sergipe foi fragilizando-se, e como não seria de outra maneira, sofrendo também e muito o desgaste nacional com os sucessivos escândalos protagonizados por algumas das suas grandes principais lideranças no Brasil. A força de Déda era tão grande que depois da sua partida, assumiu o seu legado a sua viúva Eliane Aquino, que participou ativamente como candidata a vice de duas campanhas majoritárias em seguida à morte do marido, elegendo-se sucessivamente vice-prefeita de Edvaldo Nogueira em 2016, e vice governadora de Belivaldo Chagas em 2018.
E AGORA?
As eleições de 2022 se aproximam. Como ficará o PT? Eis a interrogação.
Mais do que nunca os seus filiados sentem a ausência do grande líder para assumir o leme do barco. A navegação está à deriva e muitos já começaram a pular na água.
Conceição Vieira, petista apaixonada, nome respeitado e querido no partido, detentora de mandatos na Câmara de Vereadores e Assembleia Legislativa, e nome dado como certo na disputa estadual deste ano, já pulou fora.
Francisco Gualberto, outro petista roxo, conhecido como o homem do facão pela carreira que deu em Nivaldo do Sepuma, também já saltou e já anunciou inclusive seu próximo domicílio, o PSD.
Na próxima semana já é aguardada a saída de Iran Barbosa, inclusive com o rompimento do agrupamento que sempre o acolheu, o Sintese, liderado por Ana Lúcia.
Enfim. Fica a pergunta.
Quem será o último a abandonar o barco?
Em tempo. No país a situação também não está fácil para o partido da estrelinha.
Em Pernambuco o seu grande nome, Humberto Costa, anunciou retirada de candidatura ao governo do estado, o mesmo acontecendo na Bahia com a saída da disputa de Jacques Wagner.
Carlos Batalha
Jornalista e Radialista
https://folhadesergipe.com/

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