CARLOS BATALHA: “PESQUISAS MENTIROSAS”!

Antes da década de 60 as pesquisas já existiam no Brasil, mas com o único objetivo de se avaliar produtos e marcas comerciais.
O Ibope, criado em 1942 (a primeira empresa de pesquisa do Brasil) dentro do Estado Novo de Getúlio Vargas, e em plena Segunda Guerra Mundial, teve como principal objetivo a avaliação de produtos e marcas comerciais para veiculações publicitárias em rádios, a maior força de audiência e comercialização do país, detendo 65% do mercado.
Com o passar dos anos, outras empresas foram surgindo, até que a partir do início da década de 60 as pesquisas passaram a ser usadas para fins eleitorais. No início, o objetivo da utilização de pesquisas era claro, limpo, e servia principalmente para orientação interna dos partidos quanto ao comportamento dos seus candidatos.
Pesquisas serviam para veicular comercias nas rádios

 

A partir de 1965 com a Lei 4.737, o Código Eleitoral determinou através do seu artigo 255 a proibição de divulgação por qualquer forma, de resultados de prévias ou testes pré-eleitorais. Foi a partir das eleições de 1982, quando os primeiros programas e debates eleitorais foram liberados para rádio e tv, que a coisa começou a avacalhar.
Percebendo que a população era facilmente influenciável, não gostando de ficar por baixo, ao votar em candidato perdedor, de forma maquiavélica algumas empresas cacete armado, com rótulo de instituto, começaram a vender os seus serviços.
Pelos quatro cantos do país foram surgindo institutos e mais institutos de pesquisas, uns bens, e outros mal intencionados.
 Uns aproveitando da ingenuidade de alguns candidatos que até hoje se deixam levar pelos números fictícios e vão apostando as fichas, e outros (principalmente os mais poderosos) apostando na tática de que uma mentira tantas vezes repetida vira realidade, e desta forma, vão mentindo, manipulando os números, e pelo que já citamos aqui, com o fato de que ninguém gosta de perder, terminam conseguindo o objetivo a que se propunham.
Ou seja. Não interessa os meios. O que conta é o fim
Existem candidatos que compram pesquisas
Pelo país afora muitos são os exemplos de influência das pesquisas nos resultados finais.
Aqui mesmo em Sergipe já tivemos mais de uma contestação desta , inclusive em uma eleição recente, quando um determinado candidato totalmente desconhecido, investindo umas merrecas, com poucos segundos de tv, conseguiu a vitória muito mais por erros táticos dos adversários e indução de pesquisas, do que mesmo por propostas ou trabalhos apresentados.
DATAFOLHA
Durante esta semana tivemos um exemplo flagrante de pesquisa induzida, cujo resultado foi criticado e ridicularizado por todo o pais.
O instituto, pertencente à Folha de São Paulo, orgão totalmente inimigo de Bolsonaro, pelo fato do presidente haver cortado suas verbas publicitárias, divulga uma pesquisa onde Lula ganharia as eleições do próximo ano em um eventual segundo turno com quase 20  pontos percentuais na frente.
O Brasil se revoltou e essa divulgação foi um verdadeiro tiro no pé.
Desde o dia do trabalhador o país já realizou várias manifestações pró Bolsonaro, sendo a última na quinta-feira em Maceió, enquanto Lula é vaiado e rechaçado onde chega, a exemplo do que ocorreu semana passada em Brasília, onde ao tentar visitar a Feira do Paraguai ele não conseguiu sequer descer do ônibus.
Como acreditar nessa pesquisa com essas mobilizações em 1 de maio em Brasilia e São Paulo.
COMO MANIPULAR
A manipulação de pesquisa é muito fácil de fazer sem que nenhum instituto seja processado. Ao final das pesquisas os números de entrevistados são checados, as opções deles são confirmadas, os percentuais, tudo certinho.
Onde está ainda a malandragem?
Na realidade duas coisas podem acontecer.
1- O tipo de pergunta formulada pode induzir o entrevistado a uma resposta que indique um nome que interessa.
2- Os locais onde ocorreram a pesquisa.
Ex- Vamos supor que foram ouvidos 2.000 entrevistados. Desse número, 500 pessoas tenham sido no ABC Paulista, reduto de Lula. Quem poderia dar?
3- Querem outro exemplo.
Pegam o cadastro do Bolsa Família e das 2.000 pessoas entrevistadas 1.000 são deste cadastro. Quem pode dar?
A disputa está apenas começando

 

Daí, que erros grotescos e resultados surpreendentes aparecem a cada eleição.
A verdadeira pesquisa é na hora do eleitor depositar seu voto. Detalhe. O eleitor de hoje, depois das redes sociais, não é mais massa de manobra como era antes.
Por tudo isso e muito mais, é melhor neguinho ir colocando as barbas de molho.
Carlos Batalha
Jornalista e Radialista
https://folhadesergipe.com/

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