CARLOS BATALHA: “OITO ANOS SEM MARCELO DÉDA”!

No dia 02 de dezembro o ex-governador Marcelo Déda completou oito anos que nos deixou. Vítima de um câncer no pâncreas surgido em 2009, o líder petista passou por algumas cirurgias, até não resistir mais ao sofrimento, vindo a falecer em 02 de dezembro de 2013.

 

Na última quinta-feira entrevistei a vice-governadora Eliane Aquino, viúva de Marcelo Déda. Não foi uma entrevista política, muito pelo contrário. Atendendo pedido da entrevistada, deixei de lado temas inerentes ao cargo que ocupa, bem como evitei avançar para o ano de 2022, quando a petista deverá estar disputando uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Na entrevista concedida ao programa Batalha na Jornal, levado ao ar de segunda à sexta no horário das 13 às 14.30hs na FM Jornal 91.3, Eliane contou como conheceu Déda, como começou o relacionamento entre eles, e detalhou alguns dos difíceis momentos que atravessaram juntos.

UM DISCURSO E UMA VOZ

Eliane Aquino contou na entrevista como conheceu Déda. Como fotojornalista, ela trabalhava na assessoria de imprensa da Câmara dos Deputados. Certo dia, estando no trabalho, teve a sua atenção despertada por uma voz bem empostada que saía das caixas de som da câmara. Deteve-se um pouco para ouvir o discurso e percebeu que tratava-se de um fluente orador, com palavras bem colocadas, raciocínio rápido e inteligente e que prendia a atenção de todos. Procurou saber de quem se tratava, obtendo a informação que era Marcelo Déda, deputado federal por Sergipe. A vida seguiu.

 

“BONITA E MAL EDUCADA”

Foi esta, a primeira frase que Eliane Aquino ouviu de Marcelo Déda.

Decorrido algum tempo de ouvir a voz de Déda em um discurso, ela o encontrou pela primeira vez.

O eloquente orador que impressionou a fotojornalista.

Convidada por uma amiga para uma festa em Brasília, Eliane mesmo sem querer aceitou o convite. O seu pai estava completando um ano de morto e ela ainda estava muito sentida.

 

Chegando à festa, começou a dançar com amigas, quando então Déda se aproximou e começou a participar da animada roda. Eliane retirou-se e quando estava sendo servida de uma bebida, aparece Déda por trás dela e com voz firme falou. “Você o que tem de bonita tem de mal educada. Me deixou dançando sozinho”.

Em 1997 nasce um grande amor.

Pronto. Estava aberto o diálogo que ela jamais poderia imaginar que se transformaria em um grande amor, amor que perdurou por 16 anos, gerando dois lindos frutos, João Marcelo e Matheus.

 

CALVÁRIO. INÍCIO E FIM

O sofrimento de Marcelo Déda perdurou por longos quatro anos, de 2009 a 2013, período no qual ficou internado por um ano e três meses em um hospital na capital paulista.

 

Tendo um problema de saúde no pâncreas em 2009 nunca devidamente explicado, tendo passado por um processo cirúrgico sem diagnostico por parte de vários médicos, com afirmativas de que o caso dele era de um em um milhão, o então governador de Sergipe, em primeiro mandato, submeteu-se a uma cirurgia, considerada exitosa, com exames constatando a sua cura.

Déda e os cinco filhos

Segundo Eliane, ao retornar a Aracaju, Déda começa a se sentir mal diante da ingestão de qualquer alimento, ficando inchado diante de tudo que comia. Houve então o retorno a São Paulo para um novo processo cirúrgico para desobstrução do estômago e do intestino, realizando portanto dois procedimentos cirúrgicos em 2009.

 

Em 2012 Déda volta a se sentir mal em plena campanha, retornando de uma viagem ao interior sentindo-se muito mal, e quando conduzido contra a sua vontade a um hospital de Aracaju, foram constatadas manchas no estômago e no fígado. Indo a São Paulo foi então comprovada a sua difícil situação de sua saúde.

Déda era um animado folião. Gostava de prestigiar e participar de festas a exemplo do Pré Caju e micaretas do interior.

A partir daí foram dezoito meses de sofrimento, angústia e resignação. Segundo Eliane, Déda estava resignado com a situação, afirmando sempre que ele era especial para Deus. Ressaltou ainda a entrevistada que a grande preocupação do petista era principalmente com os filhos, e com o povo sergipano.

 

O fato, é que Déda nos deixou com apenas 53 anos de idade, quando ainda tinha muito a contribuir com o estado de Sergipe e com o Brasil, visto que o seu nome ultrapassava fronteiras.

Vamos guardar na memória a imagem de um Déda líder, grande orador, carismático, alegre, comunicativo, festeiro que gostava muito de reunir amigos para uma boa seresta regada a uma boa música e altos bate papos.

Carlos Batalha

 

 

folhadesergipe.com

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