CARLOS BATALHA: JOÃO ALVES/ CASOS E CAUSOS

As imagens e ações de João Alves Filho ainda estão bem vivas em todos nós.
Menos de um mês do seu falecimento o que acontecerá no próximo dia 24, volto aqui na edição de hoje a lembrar de alguns casos e causos que marcaram a sua passagem aqui por este mundo.
É sempre bom estarmos lembrando do João Chapéu de Couro, do João da Água, e do João das gostosas gargalhadas.

1 – IMPASSE POLÍTICO.
João Alves costumava dizer que não gostava de trabalhar com secretários que só dissessem amém, que fossem acomodados, acovardados e que não tivessem iniciativas.

Desta maneira, durante todo o tempo que trabalhei com ele, procurei seguir à risca essa lição.
Estávamos na primeira semana de 2006. Enquanto Secretário de Esportes fiz uma reforma no então Estádio Presidente Médico em Itabaiana, colocando novos refletores, cadeiras, placar eletrônico etc. Chegado o dia de inauguração nos dirigimos para a querida cidade serrana. Lá chegando o então governador foi logo cumprimentar as autoridades convidadas, e entre elas estava Jerônimo Reis, grande líder da cidade de Lagarto. Estando atrás de João Alves, notei que o semblante de Jerônimo não era de bons amigos.

A solenidade transcorria normalmente com os discursos rolando, e Jerônimo de cara feia, foi quando me lembrei que ele havia solicitado a João Alves a reforma do Estádio Paulo Barreto em Lagarto, quando eu ainda não era secretário, e a reforma não havia sido feita. Deu o estalo e pensei. A hora é agora.
Me dirigi ao cerimonial, solicitei papel, caneta e prancheta e quando João terminou de falar cochichei ao seu ouvido ” O Sr. vai autorizar agora a reforma do estádio de Lagarto”. Ele quis reagir, olhou para Luis Durval, então Secretário de Obras, meu grande parceiro nessas obras, que balançou a cabeça, e falou baixinho ” pode ser”. Pronto. Alívio.
O negão estufou o peito e em bom tom falou. ” convido o meu querido amigo Jerônimo Reis para assinar a ordem de serviço de reforma do estádio de Lagarto. Aplausos gerais, papel assinado em branco, porque não tinha nada mesmo, kkkk, mas logo depois, obra executada.
Detalhe. Voltei de Itabaiana até Aracaju no carro do negão e tomando bronca que se fizesse outra dessa seria demitido. Mas o problema político foi resolvido.

2 CENTRO DE GINÁSTICA

Para conseguir realizar o trabalho que modéstia à parte conseguimos realizar como Secretário de Estado de Esportes, contava claro com todo apoio do Governador João Alves Filho, e com uma boa vontade extraordinária do Secretário de Obras, Luis Durval que recebia minhas idéias, analisava todos os projetos elaborados pelo meu querido amigo, arquiteto, Ezio Déda, chegava a viabilidade de licitação e tudo mais, e com aquela sua habitual tranquilidade dizia ” pode ser. Pode falar com o governador”.

A professora Luciene Cacho, grande presidente da Confederação Brasileira de Ginástica, andava coitada peregrinando com um projeto embaixo dos braços para construir aqui em Aracaju, um Centro Nacional de Excelência de Ginástica Rítmica, para abrigar aqui a seleção brasileira.
Ao ser procurado por Luciene, vislumbrei logo a possibilidade de promover o estado de Sergipe a nível nacional. Não pensei duas vezes comprei a idéia.

Com projeto em mãos fui procurar Luiz Durval, a quem já me referi. O local escolhi junto com a professora. Anexo ao Batistão. Luiz, analisou com sua equipe técnica, e falou. “está ok. Pode falar com o governador”

Todo animado levei a professora ao governador, junto estava também Emanuel Cacho que realizava um grande trabalho como Secretário de Justiça, e por coincidência, irmão de Luciene.
João viu, gostou pela promoção que o investimento traria para Sergipe mas a partir daí a coisa começou a complicar porque alguns puxa-sacos começaram a dizer que seria elefante branco, etc.

Não desisti, e como à época, estava fazendo uma reforma no Batistão, esperei o tempo certo para voltar à carga.

Março de 2006. Reinauguração do Batistão. Novos refletores, placar eletrônico, carro maca, enfermaria, novas cadeiras. Uma festa. Jogo. Sergipe x Santos pela Copa do Brasil, com a presença do time de Pelé aqui, graças a nossa amizade com Virgílio Emídio, diretor da CBF.

Estádio super lotado, e já havia pensado ” a hora é agora”.

Chega o momento de ascender os novos refletores, convido o governador, o secretário Luiz Durval, e demais autoridades para acionaram os interruptores. Aquela festa. Queima de fogos, banda de música e aí anuncio. ” Meus amigos e amigas da imprensa, público em geral, nesse momento o governador João Alves Filho irá autorizar os estudos para viabilidade da construção do Centro Nacional de Excelência de Ginástica aqui anexo ao Batistão” e pisquei o olho para Luiz.

O governador perguntou baixinho. ” é possível Luiz? Esse grandão está me aprontando mais uma”. Luiz sorrindo, olhando pra mim afirmou. ” pode sim. O senhor está assinando os estudos de viabilidade”. Aí tome assinatura do negão, e aplausos gerais.
Seis meses depois o Centro de Ginástica estava pronto, e até hoje, 14 anos depois, ainda abriga a seleção brasileira de ginástica, levando o nome de Sergipe além fronteiras.

O negão subiu para assistir o jogo que por sinal ficou em 0 x 0, e lá para o intervalo, deu um tapa na minha cabeça e falou ” vc e Luiz estão macumunado aprontando contra mim”, e pra variar soltou aquela sonora gargalhada.
Assim era o gestor João Alves Filho. Confiava, acreditava, e dava autonomia aos seus auxiliares. Também quando dava bronca, kkkkk, saísse de baixo.

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