A GUERRA PELA AUDIÊNCIA
Olá amigos e amigas.
Mais um final de semana, e mais CASOS E CAUSOS aqui da Folha de Sergipe para que vocês possam se deliciar.
Agradeço a grande aceitação do espaço, e as palavras de elogios que ouço durante a semana, com os leitores pedindo mais contos.
VAMOS A ELES

Emissoras de rádios e TVs sempre viveram em eterna briga pela audiência.
Ao longo dos anos, as disputas sempre foram acirradas pela conquista de ouvintes ou telespectadores, e consequentemente as primeiras posições nas pesquisas que aferem a aceitação popular para determinados veículos de comunicação.
Mesmo com a chegada forte da internet com suas redes sociais, as emissoras de rádio e tv não perderam a pujança e a aceitação popular.
A briga pela audiência já apresentou casos sérios que terminaram sendo hilários e que geraram muitos comentários durante muito tempo.
CORTARAM OS FIOS EM ITABAIANA

Década de 70, jogo decisivo na cidade serrana entre Itabaiana e Sergipe.
À época as emissoras de rádio que transmitiam uma partida no antes Estádio Presidente Médici, tinham que enfrentar uma perigosa estrada de piçarra, levarem grandes transmissores para que o sinal chegasse em todo estado, e enfiar dois caibros de madeira no chão, interligados por um fio para servir como antena.
Em uma determinada tarde, as emissoras de rádio já estavam falando de lá, por volta das 15hs, e nada da Rádio Liberdade entrar. Daqui de Aracaju, intrigado, estava o diretor da rádio, o saudoso Fernando Souza. Quando viu que a emissora não entrava no ar, o diretor pegou a estrada, bateu recorde de velocidade e em 30 minutos estava no estádio. Procurou saber o motivo, e como não obteve resposta, tomou uma atitude drástica aos gritos. “Se a Rádio Liberdade não fala, ninguém fala”. Ato contínuo, pegou um canivete e cortou as linhas de transmissões das outras emissoras.
Confusão generalizada, o pau quebrou, ao ponto da partida ser interrompida pelo árbitro Aloísio Santos, visto que a confusão chegou ao gramado com a briga dos repórteres que estavam à beira do campo.
Ao final de toda confusão, se apurou, que realmente houve uma sabotagem, com alguém enfiando um alfinete no meio da linha de transmissão da Rádio Liberdade, o que impedia a propagação do sinal.
TENTARAM ME SABOTAR

Graças a Deus, trabalhei em várias emissoras de rádio de Aracaju, deixando em todas elas grandes amigos. Das direções das empresas, aos mais simples funcionários, sempre procurei me relacionar bem.
Por este motivo, não irei mencionar aqui o nome da emissora nem o período em que tentaram me sabotar em uma transmissão nacional e de grande importância.
Viajei para a transmissão de um jogo decisivo, e junto comigo um colega de equipe.
Uma coisa que sempre me preocupei foi com o equipamento que levaria para a transmissão. Ao receber os equipamentos, microfones, fones, cabos, plugs, maleta de transmissão etc, checava tudo. Por exemplo. Nunca levava apenas um microfone. Levava dois ou até três.
Voltando a viagem, tudo checado, e fomos para o estádio. Qual não foi a surpresa, quando nenhum dos três microfones estavam funcionando. O início do jogo se aproximava, quando tive a ideia de procurar colegas de outras emissoras no estádio em que estava, e consegui dois microfones emprestados.
Feita a transmissão, tudo bem, grande audiência, e fui para o hotel.
Comecei a mexer nos microfones e vi que era sabotagem. O primeiro, simplesmente estava com as baterias descarregadas.
O segundo cortaram cirurgicamente um dos fios internos o que que impedia o funcionamento, e o terceiro, simplesmente estava sem o sensor de transmissão. Ou seja. Uma tremenda de uma sabotagem. O pior, é que não conseguimos identificar o autor do crime, embora tivéssemos suspeitas, mesmo porque, dias depois ele mudou para outra emissora.
PLACAR DO CERTO E ERRADO

Final da década de 70, disputa acirrada por audiência do rádio esportivo de Sergipe.
Estava na Radio Liberdade que travava disputa acirrada com a Rádio Cultura, quando bateu uma ideia.
Inspirado no famoso Mário Viana, comentarista de arbitragem da Rádio Globo do Rio de Janeiro que a plenos pulmões gritava para todo o Maracanã ouvir “Errrrrooouuu”, quando o árbitro não acertava na marcação, contratei o ex arbitro Francisco de Aguiar Siqueira para comentar a arbitragem.
Feita a contratação, e como Siqueira não tinha o vozeirão de Mário Viana, coloquei a cabeça para funcionar no que fazer para chamar a atenção.
A ideia chegou. Coloquei um grande letreiro luminoso em frente a cabine da rádio no Batistão, e a cada acerto do árbitro, Siqueira acionava um botão e acendia o CERTO.
Quando o juiz errava, Siqueira tocava uma sirene que se ouvia fora do estádio, e acendia o letreiro ERRADO. Foi uma sensação à época, e passamos à frente na luta pela audiência.

Carlos Batalha
Jornalista e Radialista
Jornalista e Radialista
https://folhadesergipe.com/



