CARLOS BATALHA: CASOS E CAUSOS DO DIA A DIA!

CASOS E CAUSOS DO DIA A DIA
Muitos leitores da Folha de Sergipe aguardam com muita ansiedade os finais de semana, quando publicamos aqui alguns CASOS E CAUSOS da nossa experiência de vida em várias áreas. A política, o futebol, a música, o rádio, e a TV, nos proporcionaram e ainda proporcionam no dia a dia, muitos lances curiosos e engraçados que fazemos questão em repassar.
Sempre afirmamos daqui que os CASOS E CAUSOS contados são verdadeiros. Podemos omitir um detalhe ou outro, mas  a veracidade de cada um deles pode muito bem ser comprovada por vários personagens que participaram dos referidos episódios, e ainda hoje permanecem entre nós.
LUIZ CALDAS TROUXE O DILÚVIO
Luiz Caldas trouxe muita chuva e prejuízos em Aracaju e Maceió.
Na segunda parte da década de 80, um jovem baiano revolucionou a música brasileira. Com o seu gingado, uma voz estridente, um jeito malemolente de dançar, os pés descalços, e longos cabelos encaracolados, Luiz Caldas era presença constante em todas as PARADAS DE SUCESSO, como se dizia à época.
Sucesso de bilheteria, e garantia de público onde se apresentava, resolvemos contratá-lo para um show em Aracaju, mais precisamente no Constâncio Vieira.
Todos apostavam que seria um sucesso. Colocamos a lotação máxima para vender. 4.500 ingressos. Chega a semana do show, ingressos à venda na Farmácia Confiança, tradicional ponto de vendas do famoso empresário Pinga, e começa a apreensão. Show programado para sexta-feira. Na quinta, apenas 200 ingressos vendidos. Todos me consolavam. “Fica tranquilo. O povo só compra de última hora”, afirmavam.
Chegando o dia do show a procura realmente aumenta. Por volta de meio dia, D. Maria José, irmã de Pinga, me avisa que foram vendidos 700 ingressos, e pela experiência dela era um bom indício. Às 13hs fui ao aeroporto buscar Luiz. No trajeto até o hotel ele começa a conversar e afirma. “Não estou com um bom pressentimento para hoje”. Dito isto desce do carro e marcamos o horário para pegá-lo.
Como detalhe. Havia uns seis meses que não caía um pingo de chuva em Aracaju. Pois bem. Por volta das 15hs, o céu começa a ficar negro, fortes ventos chegam do mar e logo depois uma tremenda chuva que alagou totalmente a cidade. Das 15.30 aproximadamente até umas 21hs (horário previsto para o show), o tempo só piorava, quando aquele era exatamente o período em que deveria haver a maior procura de ingressos.
Naquele dia o Constâncio Vieira foi invadido pelas águas.
 Àquela altura, o Constâncio Vieira estava alagado. A água descia pelos seus combrogós. Como resultado, ao final, apenas mais cento e poucos ingressos foram vendidos, que somados aos antecipados não chegaram a casa dos mil.
Para se ter um ideia, seria preciso a venda de pelo menos 2.500 ingressos para que não houvesse prejuízo.
Imaginem o resultado.
DOSE DUPLA
A cidade ficou embaixo d’água.
Na realidade, contratamos Luiz Caldas para dois shows. O primeiro como nos referimos, em Aracaju, e o segundo, no dia seguinte em Maceió.
Os amigos leitores da folha podem não acreditar. O mesmo fenômeno ocorreu na terra dos marechais.
Nos dirigimos à capital alagoana embaixo de fortes chuvas. Em nossa companhia estava o querido amigo Reinaldo Moura. Chegamos por volta do meio dia sob enorme tensão, e nos dirigimos imediatamente ao hotel onde já estava a banda. Esperamos até às 13 horas para tomarmos a pior decisão, que foi a suspensão do show, até porque, o mesmo estava programado para o Estádio Rei Pelé, ou seja, totalmente ao ar livre.
Entramos em contato com o amigo Márcio Canuto, que gentilmente colocou o comunicado na TV Gazeta, afiliada da Rede Globo. Os ingressos vendidos não chegavam a 300.
Show cancelado, prejuízo assumido, qual não foi nossa surpresa, quando por volta das 17 horas o tempo começa abrir, e ao anoitecer as estrelas povoam o céu.
 Saímos para aliviar um pouco a cabeça, fomos em uns três bares, e aí a raiva aumentou mais ainda porque em todos eles o público menos avisado falava “vamos para o Rei Pelé. Hoje tem fricote”. O estilo musical que consagrou o cantor baiano. Calados estávamos e calados ficávamos remoendo pensamentos de que naquela noite não haveria prejuízo.
Como diz o ditado. “Quando não tem de ser não é”.
Sucesso de bilheterias à época, Luiz não deu sorte para quem o contratou para aqueles shows.
OUTRO EPISÓDIO
Tivemos um outro episódio com Luiz Caldas, já relatado daqui desta coluna, quando na campanha de Valadares ao governo do estado em 1986, o contratamos para um dos principais comícios em Aracaju, e ele aqui não compareceu, mesmo enviando a sua banda que inclusive contava com dois irmãos seus, Carlinhos e Andréia Caldas.
O cantor havia recebido antecipadamente 50% do cachê, passagem marcada e confirmada, e simplesmente deixou milhares de pessoas a ver navios no Siqueira Campos.
À época, como que parodiando um dos seus ritmos de sucesso, o que o baiano fez, foi um verdadeiro “DEBOCHE”.
Carlos Batalha
Jornalista e Radialista
https://folhadesergipe.com/

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