CARLOS BATALHA: CASOS E CAUSOS DE JOÃO ALVES

A cada semana aumenta o número de leitores que acompanham e comentam os CASOS E CAUSOS DE JOÃO ALVES que temos publicado aqui na Folha de Sergipe.

Amigos e ex-colegas de Governo do Estado e Prefeitura de Aracaju lembram de alguns deles, e pedem que publique aqui.
Esse causo que irei narrar, vai a pedido da querida amiga Márcia Valéria, ex-secretária de Educação, e que realizou um excelente trabalho à frente da pasta.

1- O CURIÓ
João Alves era também um emérito contador de causos.
Ele contava por exemplo, que Tancredo Neves era um verdadeiro apaixonado por curiós. Quem quisesse agradar ao então Governador de Minas Gerais era só presenteá-lo com o pequeno pássaro silvestre.
Certa feita, Tancredo iria a uma solenidade em uma determinada cidade do interior mineiro, onde existia um líder político muito insolente, chato e pidão.
Sabedor disso, o governador ordenou ao seu ajudante de ordem que mantivesse o tal sujeito longe dele.
Ordem aparentemente cumprida. Tancredo chega para o evento, proteção policial, cordão de isolamento etc, quando de repente o pidão grita pelo nome do governador, ao tempo em que levanta uma gaiola e diz “trouxe este lindo CURIÓ para o senhor”. Tancredo arregala os olhos e fala “deixa ele passar”.

Recebendo o CURIÓ, e caminhando em direção à solenidade, tendo ao seu lado o líder que o presenteou e com a mão em seu ombro, Tancredo ouve uma frase “governador, o senhor lembra de minha filha, queria que o senhor arranjasse um bom emprego para ela”. Indignado, Tancredo para de repente, olha para trás, e em tom firme, ordena. “Capitão, devolve imediatamente esse CURIÓ pra esse rapaz”, e prossegue a caminhada com outras lideranças, deixando para trás, triste e desolado o pidão.

2 – INTERMINÁVEIS DISCURSOS
Muitíssimo inteligente, com um conhecimento geral extraordinário, graças aos seus estudos e pesquisas, João Alves no entanto tinha uma dificuldade(reconhecida por ele) que era o de não possuir capacidade de síntese.
Em todas as solenidades em que participava, quando chamado para fazer uso da palavra, as pessoas se entreolhavam.
Certa feita, em uma solenidade na Codise, João Alves estava a discursar, tendo como tema a implantação do Sergipetec. O grande exemplo que ele citava sempre como excelência na área, era a cidade de Pato Branco, no Paraná. Após quase uma hora falando em Pato Branco, e com as pessoas do auditório dando sinais de impaciência, eis que chega uma autoridade especial (não me recordo quem era), e então João interrompe o discurso, e diz ” fulano, como o senhor não ouviu o que eu estava falando sobre Pato Branco, vou repetir”. Surpresa e semblantes de espanto entre os presentes, que diante da impossibilidade de alguma atitude, caíram na gargalhada e ouviram o repeteco sobre Pato Branco por quase mais uma hora.

3 – PÃO DURO
O nosso querido Negão não era muito de gastar, a não ser comprando livros.Aí sim ele não tinha pena de abrir a carteira quando tratava -se de levar mais uma publicação para a sua biblioteca.
Certa feita estávamos em São Paulo para o lançamento de um dos seus livros na consagrada Livraria Cultura. Terminada a solenidade, por sinal muito concorrida, contando à época inclusive com as presenças do Governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, e do Prefeito Gilberto Kassab, nos dirigimos por sugestão de Emanuel Cacho, para um requintado restaurante da capital paulista. A comitiva era grande. Lembro-me de Etelvina Apolônio, Mendonça Prado, Luciano de Menininha, o próprio Cacho, e outros.
Papo legal, agradável, jantar servido, e logo depois vem a conta. Valor altíssimo.
O negão se coçou para um lado e para o outro, disse que a conta era maior do que ele arrecadou com a venda dos livros. Me olhou, e disse que eu estava fora porque tinha ido a São Paulo a trabalho. ( Fui gravar para a TV Cidade). Etelvina e Luciano, também fora, e como ele estava sem cheque nem cartão, Mendonça e Cacho dividiriam a conta. Mendonça se esquivou afirmando não estar preparado. Resultado. A conta sobrou para Cacho kkkkk
Bem feito para não querer fazer cortesia com o chapéu dos outros.

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