CARLOS BATALHA: CASOS E CAUSOS DE JOÃO ALVES, E DO MUNDO POLÍTICO!

A cada domingo, tenho a satisfação de publicar aqui na Folha de Sergipe, CASOS E CAUSOS DE JOÃO ALVES FILHO, E DO MUNDO POLÍTICO, recebendo manifestações de aceitação e de vibração dos leitores, que recordam ou tomam conhecimento dos bastidores da política.
O FILÓSOFO RAIMUNDO LUIZ
Comecei a trabalhar na vida pública de Sergipe no ano de 1985, assessorando o excelente jornalista, excelente caráter, e homem de um coração gigante, Raimundo Luiz da Silva.
 Com o “Falando Francamente”, este o nome da coluna diária que o caracterizou, e hoje, marca cedida ao também grande amigo Reinaldo Moura, aprendi muito  profissionalmente e também como ser humano.
Desempenhando suas funções, quer seja como bancário, jornalista, radialista e principalmente Secretário de Comunicação, nada o tirava da tradicional fleuma britânica.
Uma das grandes virtudes de Raimundo Luiz, além da sua extraordinária escrita e brilhante fala, era a capacidade de saber formar boas equipes de auxiliares em qualquer setor que atuasse. Distribuindo funções, supervisionando e sabendo cobrar sem oprimir ou pressionar, Raimundo conquistava a todos. Até para repreender ele era filósofo.
Durante o período em que era secretário, o amigo de vocês aqui, era o responsável pela realização dos eventos do governo do estado. Da escolha do local, à contratação das atrações, montagem da estrutura, tudo corria sob nossa responsabilidade. Claro e óbvio, que tudo em combinação com o chefe.
Ao final de cada evento, tipo meia noite, uma hora da manhã, lá ia eu ligar para Raimundo e perguntar se o Negão havia gostado. Na primeira vez, Raimundo atendeu muito bem dizendo que havia recebido elogios. Da segunda em diante os elogios foram diminuindo, até que em determinada ocasião, lá por volta das duas horas da manhã, o elegante chefe acorda e com a voz de sono mas ainda assim com muito cavalheirismo diz.” grandão deve ter sido tudo muito bem. Por favor não se preocupe mais em me acordar não porque no dia em que sair alguma coisa errada, o Negão de onde estiver dará um grito que não precisará estar ao telefone para ouvir. Agora vá dormir”, desligando o telefone.
Esse é o nosso Raimundo Luiz. Fino até na hora de reclamar, e hoje gozando da sua aposentadoria do alto dos seus 91 anos.  BBB
BRANCA DE NEVE, DE BRANCO NÃO TEM NADA
Luiz Carlos dos Santos é o nome de batismo do conhecido Branca de Neve.
 Figura folclórica, bastante conhecida e querida nos meios políticos de Sergipe, o nosso personagem já assumiu a Câmara de Vereadores na suplência em um mandato, foi candidato em outras ocasiões, e desde a década de 70 é figura obrigatória em todas as eleições, quer seja como candidato ou mesmo coordenando os eventos externos.
Branca de Neve, na última gestão de João Alves Filho na Prefeitura de Aracaju foi diretor de praças da Emsurb, realizando um bom trabalho.
O cidadão Luiz Carlos é um crioulo gigante, pesando mais de 100 quilos, quase dois metros de altura, muito diferente portanto da linda personagem de Disney, a branquinha e delicada Branca de Neve. E qual a relação?
Quem lançou o Branca de Neve de Sergipe no meio político foi Jackson Barreto.
No início da sua vida pública, JB era um ferrenho opositor do regime militar da época e contratou Luiz Carlos para pichar a cidade com dizeres ” Abaixo a Ditadura” e outros. A polícia incomodada, passou a procurar pelo pichador. O contratado ao tomar conhecimento que estavam ao encalço de quem estava pichando a cidade, tratou ele mesmo de espalhar que era um cara conhecido por Branca de Neve. Em função disso nunca foi flagrado.
Cá pra nós. Quem iria imaginar que um crioulão de dois metros de altura seria chamado de Branca de Neve. kkkkk
 FAGNER QUASE NÃO SOBE
Eleições de 1988 para a Prefeitura Municipal de Aracaju.
 Pleito muito disputado entre o médico humanitário Lauro Maia, conhecido como “o bom Lauro”, apoiado pelas tradicionais forças políticas do estado, e do outro lado o desconhecido politicamente Wellington Paixão, apoiado por Jackson Barreto que houvera sido caçado do mandato de prefeito de Aracaju, um ano antes.
Vários eram os comícios que aconteciam de ambos os lados. Quase próximo às eleições, comício de Lauro Maia na praça Fausto Cardoso. A principal atração do dia, o cantor Fagner, que à época estava estourado com o grande sucesso musical, Quisera Ser Um Peixe. Som passado à tarde, como de costume políticos falando, e ao fundo do palco estava o ônibus que conduzia a banda, e como de praxe, devidamente abastecido de guloseimas e bebidas.
Terminado o falatório, a banda sobe ao palco, os músicos se posicionam e começam com a introdução para início do show. Os minutos vão passando, a banda tocando, o público começando a ficar impaciente, e nada do cantor aparecer. Eu, que a tudo acompanhava ao lado do amigo Elcarlos Cruz na banca de revista de Zé Queiroz situada ao lado de onde o palco estava montado, me dirigir ao ônibus, e ao entrar no mesmo, encontro Fagner deitado em uma poltrona, simplesmente roncando. Deu um trabalhinho para acordar, mas ao subir ao palco fez com que todos esquecessem do atraso realizando como sempre um grande show.
PEPEU GOMES E A CHUVA
Pepeu Gomes e Baby Consuelo formaram durante anos uma das maiores duplas musicais do país. Começando com a carreira artística ao final dos anos 60 fazendo parte do grupo Novos Baianos, o casal juntou os travesseiros, casaram, tiveram filhos e afastando-se do grupo fizeram uma dupla de sucesso durante anos.
Ao final da década de 80 eles foram contratados para um show no centro do gramado do Batistão, onde as arquibancadas receberiam milhares de pessoas que concorreriam ao sorteio de casa própria, se não estou enganado do Conjunto Orlando Dantas.
Chega o dia do show. Sábado 20 horas. Palco montado no meio do gramado e obviamente não poderia ser coberto porque empataria a visão de quem estivesse na arquibancada. Por volta das 16hs, Pepeu chega com a banda para passar o som, e ao observar o detalhe da cobertura dirige-se a mim perguntando pela cobertura. Quando expliquei a ele o motivo, me perguntou. E se chover? Lhe respondi que havia mais de seis meses que não chovia em Aracaju e não seria logo naquele dia.
Pois bem. O sorteio começa por volta das 19hs, ao tempo em que por trás do Constâncio Vieira começam a se formar algumas nuvens.
22 horas, Pepeu e Baby sobem ao palco. Por volta das 22:30hs desaba uma chuva como há muito não acontecia. Resultado. O show teve que ser interrompido e ao sair do estádio, Pepeu me olha e diz “eu avisei”. Praga de baiano.
Carlos Batalha
Jornalista e Radialista
https://folhadesergipe.com/

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