CARLOS BATALHA: “CASOS E CAUSOS DE JOÂO ALVES, DO MUNDO POLÍTICO, E DO COTIDIANO”!

Olha nós aqui de novo.
Mais um domingo, mais um encontro com os nossos CASOS E CAUSOS.
Hoje não é mais um domingo. Hoje é aquele domingo especial do Dia das Mães. Dia de encontros, abraços, confraternizações, e também dia de saudades daquelas que não fazem mais parte deste mundo.
Graças a Deus ainda tenho mãe viva, lúcida, e que do alto dos seus 87 anos (diz ela) kkk acho que é mais, ainda pratica pilates, natação, anda de quatrô, e grande internauta, ainda posso compartilhar mesmo à distância, da presença virtual dela, com suas mensagens, ligações de vídeo, instagram, etc.
 D. Nélia Pereira Matos, esse o nome dela, é um exemplo de vida, e daqui desta coluna envio milhões e milhões de beijos, e a saudade de não poder abraça-la desde o início desta pandemia.
Como homenagem a ela, que misturava o seu amor e ternura de mãe com a austeridade de uma criação que me encaminhou para o bem o mesmo acontecendo com minhas irmãs Sheila, Ana, Tâmara, e Tarita, irei narrar aqui dois causos.
DOCE DE BANANA
Até hoje não posso nem sentir o cheiro de um doce de banana.
Em um determinado período de nossas vidas, minha mãe, contadora por formação e bancária por profissão, teve que largar tudo para ajudar no sustento da casa, visto que meu pai, Vicente Batalha de Matos, falecido há 05 anos, com 100 de idade e ainda lúcido, sofria pelas suas ideologias políticas perseguições de vários lados e estava desempregado.
A alternativa da minha velha foi o trabalho informal. Confeitando bolos, fazendo doces por encomenda, decoração de aniversários, salão de beleza etc., ia ajudando o sustento da família.
Um belo dia, ela fez uma saborosa travessa de doce de banana, colocou para esfriar, afim de entregar a quem a encomendou. Eu, com os meus 12 para 13 anos sentir vontade de tirar uma lasca e enfiando os dedos fui saboreando o doce. Pois bem. D. Nélia flagrou na hora. Me fez sentar e comer todo o doce, sendo que logo depois recebi uma dúzia de bolos de palmatória, e ainda tive que beber leite de magnésia para não passar mal.
Essa era a criação daquela época.
JACA COM BANANA FAZ MAL
Há algumas décadas a sabedoria popular sustentava alguns tabus. Um dos principais, era quanto a alimentação.
Os nossos pais, e principalmente os nossos avós, sustentavam alguns preconceitos tipo comer banana com jaca faz mal, manga com leite é um veneno, ficar suado e tomar banho vai morrer, eram as frases mais frequentes que ouvíamos.
Certa feita, em um belo domingo, minha mãe avisou ” 3 horas da tarde, vou abrir uma jaca’. Foi uma farra.
Por volta das 2 horas, eu falei que iria comer banana. Veio o aviso “se comer banana não come jaca”. A resposta: ‘não quero jaca”.
Comi as bananas, e exatamente às 15hs, a jaca foi aberta. O cheiro da jaca tomou conta do ambiente. Minha mãe, meu pai, minhas irmãs, todos saborearam da fruta. Eu com o olho grande apenas observava.
Terminada a festança, o que restou da jaca foi jogado em uma lixeira próximo lá de casa. Eu, na ponta dos pés travessei a rua, e sentado ao meio fio comecei a saborear o que havia restado entre os gomos. De repente chega uma irmã minha, Tâmara, e me dedura aos gritos.
Ouço os gritos de D.  Nélia me chamando, e o me ver, cheira minha boca sentindo no meu hálito o que eu estava comendo.
Resultado da história: 01 dúzia de bolos de palmatória, e um vidro de leite de magnésia para a jaca não fazer mal.
JOÃO ALVES E AS PEGADINHAS
Não poderia encerrar  CASOS E CAUSOS deste domingo, sem citar o negão.
O saudoso João Alves possuía uma memória fantástica.
Conhecedor profundo dos problemas de Sergipe, do país, e de boa parte do mundo, ele citava várias vezes e com detalhes, fatos dos quais participou ou que tomou conhecimento.
Uma coisa que ele fazia questão era que seus interlocutores não só prestassem atenção nas narrativas, como também interagissem.
Pois bem. Passados, alguns dias, ou até mesmo meses, ele ao encontrar àquela mesma pessoa  retomava o assunto. No meio da conversa, e como para testar a atenção depositada na primeira conversa, dizia. “fulano, naquele dia na Rua Itabaianinha conversamos sobre as cores do arco-íris está lembrado? Se a pessoa para agradar, mesmo sem certeza confirmasse o que não correspondia a verdade, ele dava um tremendo tapa na cabeça, gargalhava e dizia ” tá mentindo. a conversa foi da rua tal, mês tal, e você não prestou atenção”.
Causos de João.
Domingo tem mais. Até lá.
https://folhadesergipe.com/
Carlos Batalha

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