CARLOS BATALHA: “CASOS E CAUSOS DE JOÃO ALVES, DA POLÍTICA E DO COTIDIANO”!

Chegou domingo, dia do nosso encontro aqui na Folha de Sergipe com os CASOS E CAUSOS do ex-governador, ex-prefeito e ex-ministro João Alves Filho, CASOS E CAUSOS DA POLÍTICA E DO COTIDIANO.
Fiquei muito satisfeito ao tomar conhecimento por intermédio do amigo jornalista, Elder Santos, diretor da Folha de Sergipe, que os acessos a nossa coluna aumentam a cada semana. Obrigado do fundo do coração a todos que nos acompanham e nos incentivam.
JOÃO E O CASTIGO NO 7 DE SETEMBRO
Dia 7 de setembro de um determinado ano do seu terceiro governo, 2003 ou 2004, João Alves Filho como fazia costumeiramente, estava às 7hs da manhã perfilado no palanque montado na Avenida Barão de Maruim para assistir o Desfile da Independência. Eu, na condição de seu secretário de comunicação deveria estar ao seu lado, mas ocorre que em função de haver participado de uma festa às vésperas do evento, fui vencido pelo sono, só chegando ao palanque por volta das 8.30.
Ao me ver, João com cara de poucos amigos, me chamou com os dedos e ao me aproximar dele ouvir a sentença ” terminado o desfile vamos lá para casa para uma reunião com o marketing. Chame Eliane Kochima”. Eliane era a marqueteira contratada pela Secom para cuidar da imagem do governo.
Por volta de meio dia seguimos para o apto do chefe na 13 de julho. Àquela altura dos acontecimentos, depois de enfrentar um sol escaldante, a fome já havia chegado. Eliane, que esperava na recepção do prédio, me pergunta logo “vamos almoçar antes da reunião não é”?. Eu não lhe respondi nada mas já sabia que a resposta seria negativa. Naquele dia não havia ninguém no apartamento a não ser João Alves, e como ele não se incomodava com comida na hora em que estava trabalhando, previ que as horas que se seguiriam seriam de fome mesmo. kkkk
Não deu outra. A reunião foi se arrastando por algumas horas, interrompida algumas vezes para João Alves atender um telefonema ou ir ao banheiro, oportunidade que a pobre da Eliane já azul de fome me perguntava. “Secretário nada de comida”? Eu lhe respondia. “Não”. Ela insistia coitada.” Nem um suco com biscoito?”. Aí João chegava e retomava o falatório.
Lá por volta das 17hs, ele resolve olhar e relógio, e com bom humor afirma. “Bem já tomei muito tempo de vocês, nem ofereci nada para o almoço, mas daqui a pouco já será hora do jantar. Obrigado”, e soltou aquela gargalhada abrindo a porta para que saíssemos.
Quando descemos o elevador Eliane afirmou. ” Não venho mais para uma reunião com o governador sem trazer um lanche na bolsa. Pelo menos um suco e um saco de biscoito”, concluiu.
Como Eliane morava na Atalaia, raciocinei que ela iria desmaiar antes de chegar em casa. Em um grande ato de solidariedade, kkk, convidei-a a atravessar a avenida, e fomos comer um hamburgão em frente ao antigo atracadouro de catamarãs.
MAIS FOME
Certa feita o então governador João Alves anunciou uma reunião para acontecer no domingo a partir das 9hs da manhã no Palácio de Despachos Adélia Franco. Óbvio que a galera não gostou, mas não houve jeito de tirar a ideia da cabeça do negão.
O motivo da reunião era uma análise de desempenho da equipe governamental, com cada secretário fazendo um balanço da sua área.
Chegado o domingo, estávamos todos lá. Por volta das 9.30hs começa o encontro. João Alves abre os trabalhos, e durante uma hora e meia faz uso da palavra. Por volta das 11hs cada secretário começa a falar. Meio dia e só haviam falado dois secretários, dos 23 presentes.
Às 13hs apenas cinco haviam feito uso da palavra. A fome começou a apertar, todos começaram a se impacientar, e João Alves suspende a reunião. Ufa. Todos pensaram que seria servido almoço. Mas que nada. Na sala ao lado estava servido um pequeno lanche que não dava para saciar a fome de ninguém.
Eu pedi licença e falei que iria ao banheiro. kkkk Conversa fiada. Como meu gabinete ficava situado no mesmo prédio do Adélia Franco, no primeiro andar, peguei o elevador e fui para a minha sala onde já estava a minha espera uma saborosa marmita com uma deliciosa feijoada.
Detalhe. Como imaginei que a reunião iria demorar, e como seguro morreu de velho, cheguei mais cedo com minha sacolinha, guardei-a cuidadosamente, e na hora H fiz uso da mesma.
Quando subi, todos já estavam de volta à reunião e João me perguntou. “está passando mal Batalha?” No que respondi. “Não governador, foi só um mal estar mas já estou melhor”, falei, ainda com o gosto da feijoada na boca. kkkk
O ACARAJÉ QUENTE
Esse CAUSO, o próprio João Alves contava.
O ex-governador formou-se em engenharia na Escola Politécnica da Bahia e durante o período de estudante morava em um pensionato na Avenida Joana Angélica, tradicional reduto soteropolitano, famoso por ser frequentado pela boemia baiana, além de haver sido palco de sangrenta batalha contra os portugueses que se aquartelaram na capital baiana quando da Independência do Brasil decretada em 7 de setembro de 1822. Em função disso, somente quase um ano depois, 2 de julho de 1823 a Bahia se tornou independente. O fato marcante nessa batalha foi o assassinato por parte dos portugueses da freira Joana Angélica, que para proteger os que estavam escondidos no convento, postou-se à porta do mesmo, e abrindo os braços, gritou.” Só entrarão aqui se passarem por cima do meu cadáver”, no que foi barbaramente assassinada pelas baionetas dos portugueses.
Pois bem. Em um domingo de folga, João Alves foi conhecer o Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos de Salvador. Lá chegando, depois de algumas voltas, ele resolve retornar, quando se depara com um tabuleiro de uma baiana de acarajé, iguaria que ele nunca havia experimentado.
Seduzido pelo cheiro do dendê, João Alves solicita um “bolinho” daquele. A baiana então pergunta. Quer quente ou frio?. Maneira que até hoje elas perguntam para saber se o freguês deseja pimenta ou não. João Alves responde que queria muito quente, e então recebe aquela delícia, e imediatamente embarca em um ônibus, tascando logo uma grande dentada no quitude baiano. Qual não foi a surpresa, a dor, o ardor, e o desespero?
O acarajé estava entupido de pimenta e ele chorava, abria a boca, e desesperadamente ajudado por outros passageiros conseguiu que o ônibus parasse mesmo fora do ponto. Desesperado bateu na primeira porta que encontrou para solicitar “pelo amor de Deus um copo de água com açúcar”. Depois dessa experiência João Alves nunca mais quis saber de acarajé, e de pimenta menos ainda. Coitado.
Carlos Batalha
Jornalista e Radialista
https://folhadesergipe.com/

Uma resposta

  1. Apesar de ter participado dos três governos, só fui um reunião com Cesar Gama no convento de São Cristóvão, onde César Gama no ato da reunião a cadeira dele quebrou, e César caiu c Nitebook de pernas pra cima,,,kkkk mais nesse dia teve almoço à vontade,,só lembranças amigo,, ficamos sem líder político

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