CARLOS BATALHA: JOÃO ALVES, CASOS E CAUSOS – “ATRASOS NA AGENDA”!

Olá, chegou domingo, e com ele o dia de contarmos aqui alguns casos e causos de João Alves Filho, o engenheiro, ex-prefeito, ex-governador e ex-ministro.

1-Uma das características de João Alves (não muito boa), era a sua impontualidade.
A imprensa por exemplo já sabia que quando o Negão marcava uma entrevista coletiva para às 08hs, poderia se preparar para abrir os microfones lá para às 09hs.


Eu, quando com muita honra trabalhei com ele nas secretarias de comunicação e de esportes, tanto no Governo do Estado quanto na Prefeitura de Aracaju, arranjei uma maneira de não deixar a imprensa impaciente com os atrasos, mesmo porque todos tinham suas respectivas pautas a cumprir.
Quando tínhamos que convidar a imprensa para uma coletiva, a Secom por exemplo avisava a todos que a mesma seria 8hs, mas para o chefe do cerimonial, o querido Dr. Soutello, o horário passado era sempre de 30 ou 45 minutos antes.
Desta forma, o atraso diminuía e às vezes coincidia do nosso querido João Alves chegar na “hora “certa” kkkk, a ponto dos colegas agradecerem afirmando. “Batalha parabéns. Você conseguiu fazer com que Dr. João passasse a cumprir o horário, e isso facilita o nosso trabalho”. Kkkk
Deixe lá que o convencimento foi mexer com os ponteiros do relógio.
Um detalhe. Os atrasos de João Alves não aconteciam em função de desleixo ou algo semelhante. É que hiper ativo como era, ele sempre tinha algo para fazer antes do encontro marcado.
Como ele costumava dizer. “24 horas de um dia para mim é pouco tempo”.

2-ATRASO NA BAHIA
O ano não me recordo, mas estávamos finalizando a década de 80.
João Alves Filho era Ministro do Interior do Governo Sarney, onde realizou um excelente trabalho, inclusive criando um estado como foi o caso de Tocantins.
Em Palmas, capital do estado, João Alves é nome de avenida e prédio público.
Pois bem. Voltando aos atrasos. João Alves quando Ministro, ajudou com a liberação de verbas para a construção do Clube Sergipano, erguido na capital baiana na Praia de Armação. Como a colônia sergipana é imensa em Salvador, o clube foi edificado exatamente para congregar e reunir os conterrâneos de Tobias Barreto na terra de Rui Barbosa.
Foi uma obra belíssima e servia de orgulho para todos nós. Hoje, devido a administrações equivocadas, o clube não existe mais.


Chegado o dia da inauguração, boa parte da sociedade sergipana deslocou-se até Salvador para prestigiar o grande evento.
Como não poderia ser de outra maneira, presentes estavam o Governador da Bahia, Waldir Pires, o Governador de Sergipe, Antonio Carlos Valadares e demais autoridades.
Solenidade marcada para as 20hs, todos os convidados presentes à espera do homenageado especial que daria inclusive nome ao clube, que passaria a se chamar Centro Sergipano João Alves Filho.
O tempo foi passando e nada de João.
Alguns convidados foram se retirando, e nada de João.
Até que por volta de 11hs (três horas de atraso), chega o Negão, esbaforido, gravata desalinhada e começa a explicar o atraso, que ao final para gargalhada geral, a culpa terminou não sendo dele e sim do piloto do avião da FAB que segundo João, era um novato, e ao sair de Brasília ao invés de apontar o nariz do bicho para Aracaju, apontou erradamente para Recife. Kkk
Obs. Tal como hoje, os ministros de estado tem à disposição para os seus respectivos deslocamentos, um avião da FAB.

4- QUASE DERROTADO PELO ATRASO

Em 2002, eleição para o Governo do Estado, campanha muito disputada no segundo turno entre João Alves Filho e José Eduardo Dutra.

  1. Na última semana de campanha, como ocorre tradicionalmente, debate da TV Sergipe programado para a quinta-feira. Debate decisivo em função do equilíbrio da disputa. Imaginem a ausência de um dos candidatos. Seria fatal.
    Pois bem. João Alves Filho quase seria esse ausente.
    Depois de se preparar muito bem para o debate, ele por volta das 18hs foi para casa jantar e sair para a TV.
    Debate programado para 21.30
    Programamos sair da sua residência 20.30hs para chegarmos com calma, os últimos repasses, maquiagem etc.
    Muita gente na porta de sua residência aguardando a sua saída. Foi com emoção que observei todos os apartamentos do seu prédio com bandeiras do 25 nas janelas, mas nada do homem.

Somente às 21.10hs, portanto faltando 20 minutos para o debate, desce o candidato.
Caminho não muito longo para a TV, mas havia o trânsito, sinais, e o tumulto na entrada.
Entrei no carro juntamente com ele, a Senadora Maria do Carmo e o também Marcos Prado Dias, coordenador da campanha.
Pé no acelerador. Agora posso contar. Não ficou um carro nem um sinal na frente. Opa. (ainda bem que a SMTT não viu).
Chegamos ao morro faltando exatos 5 minutos. A turma do PT já comemorava.
Tivemos que romper a massa. Pneus cantando, embreagem fedendo e quando conseguimos chegar ao pátio da emissora, podem acreditar. FALTAVA APENAS 1 MINUTO.
Muita gente ( não vou citar nomes aqui, já estava comemorando).
Lembro-me bem do semblante de espanto do também saudoso Marcelo Déda.
Todos davam a ausência como certa.

Agarrei João Alves pelo braço e saímos correndo em direção ao estúdio, a pobre da maquiadora queria lhe ajeitar, eu disse que não havia tempo, e quando entramos no estúdio, a apresentadora Délis Ortiz já estava pronta para abrir o debate, e ao seu lado o candidato Dutra, que entre pasmo e surpreso viu o Negão surgir do nada, pronto para o debate que começaria em 30 segundos.
Ufa. Foi por pouco.

2 respostas

  1. Boa lembras do maior líder que Sergipe já viu, o verdadeiro representante , se somos lembrados nacionalmente, temos 75% dessa lembrança, dedicada a Dr. João, jamais haverá outro político e gestor que pense nos interesse do povo sergipano, Aracaju e a grande Aracaju, deve tirar o chapéu para Dr. João,, parabéns BATALHA.

  2. Ai que saudades daquele tempo.a minha cabeça voltou para o dia do debate. Esse dia inesquecível, para mim ficará sempre gravada em minha memória.

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