Tenho com Aracaju uma linda história de amor.
Filho de pai sergipano, Vicente Batalha de Matos, natural de Tobias Barreto, aprendi a amar Aracaju e o estado de Sergipe desde o tempo de infância.

Nascido e criado em Salvador, fruto de um lindo amor entre o velho Vicente e a linda e jovem Nélia, aguardava ansiosamente a chegada dele do trabalho, para após o café, sentar ao lado da sua cadeira de balanço e começar a ouvir histórias e nomes de parentes, amigos e figuras conhecidas de Tobias, Itabaianinha, Lagarto, e principalmente Aracaju.
Passando um filme em minha mente, foi assim que comecei na década de 60 a ouvir falar em Seixas Dórea, Leandro Maciel, Albino Silva, Augusto Franco, os Teles de Mendonça, Batalhinha (seu primo), Silva Lima, Carrossel de Seu Tobias, Iara, Cacique Chá, Procissão de Bom Jesus de Navegantes, Praia de Atalaia, e outros personagens e logradouros.
PRIMEIRA VEZ
Foi exatamente movido pela curiosidade de criança com tudo que seu Vicente contava, que aos 12 anos, lhe pedi para que pudesse conhecer Aracaju.
À época tudo era precário, começando pelas estradas horríveis, viagens em ônibus sem conforto, fazendo baldeações (Arrodeios), até falta de pontos para um simples lanche na estrada.
Mesmo com todas as dificuldades meu pai não poderia frustrar o desejo do seu único filho homem. Para atender o meu desejo solicitou a um primo meu (Hércules), muito conhecido à época em Aracaju por ser um próspero comerciante, que fosse me buscar. Assim o sonho começou a ser concretizado.
Lembro-me bem que embarcamos em um trem da leste brasileira, na Estação da Calçada em Salvador, para enfrentarmos 14 horas de linha férrea. Para um garoto de 12 anos, tudo era festa. Ainda recordo de minha mãe preparando a sacola de roupas para a tão sonhada viagem (primeira vez que sairia de minha cidade), colocando para o nosso percurso algumas guloseimas, como sanduiche, bananas, goiabadas, água, e o tradicional QSuco, e o percurso de casa até a estação levado em um jipe por meu pai, não sem antes realizar mil recomendações de cuidado.
A CHEGADA

As recordações da época ainda estão em minha mente. Desembarcando na estação (que hoje está abandonada na Praça dos Expedicionários), caminhamos (eu e Hércules) por onde hoje é a Coelho e Campos, à época um tremendo lamaçal, até a Rua Laranjeiras 453. Fiquei hospedado na casa de minha tia Luzia, uma espécie de pensão, onde residiam vários primos. Foram dois meses maravilhosos. Em frente à casa de minha tia existia o Cine Aracaju e quando era exibido um filme com censura livre, lá estava eu.
Lembro-me das primeiras pessoas que conheci em Aracaju. D. Hilda era a vizinha, mãe de Cicero com quem jogava botão (futebol de mesa) todos os dias, Eunápio (seu irmão) que veio a ser gerente do Banese anos depois, sua irmã Vitória, jornalista Ivan Valença que residia no mesmo trecho, e na esquina o famoso Bar do César, onde conheci o famoso Pixilinga.
Recordo-me também que à época, Hércules me levou para assistir uma partida de futebol entre Confiança e Botafogo da Bahia no Estádio Sabino Ribeiro onde o dragão venceu por 2 x 0. À época não existia o Batistão. Para que todos tenham ideia de Aracaju naquele período, caminhamos da Rua Laranjeiras até o Bairro Industrial pisando em piçarra porque não havia calçamento.

OUTRAS VISITAS ATÉ 1974
Depois da minha primeira visita a Aracaju, as férias escolares eram aguardadas ansiosamente para que as viagens se repetissem. Foram muitas durante vários anos, até que em 12 de outubro de 1974 desembarquei definitivamente para morar aqui em Aracaju, começando a partir daí uma LINDA HISTÓRIA DE AMOR.
Em novos artigos contarei um pouco sobre minha vida nesta cidade, que como relatei, a conheci pequena, acanhada, traçada com linhas retas, mas, graças a firmeza, coragem, determinação e visão dos seus filhos e filhas, foi crescendo ordeiramente, projetando um brilhante futuro para si e para quem aqui é acolhido.
Aracaju é uma menina moça, com apenas 167 anos que já debutou, adquiriu a maioridade, mas não perdeu a meiguice, a brejeirice, e os doces encantos da sua inocência de criança.
Costumo dizer que Aracaju possui um visgo.

Quem aqui chega para passar uma temporada se sente atraído para não mais sair, e é o que termina acontecendo.
PARABÉNS ARACAJU. MINHA LINDA MENINA MOÇA.

Carlos Batalha

Jornalista e Radialista
https://folhadesergipe.com/




