Cansado de uma “Alese inoperante e inútil”, Zezinho Guimarães quer ir pra Câmara Federal

O deputado estadual de três mandatos Zezinho Guimarães, MDB por enquanto, 65 anos, admitiu nesta terça-feira, 6, que não se submeterá mais à disputa de um quarto mandato para Assembleia Legislativa de Sergipe no ano que vem.

Mas isso não é uma desistência da política. Zezinho Guimarães quer dar um pulo mais alto, acessando a Câmara Federal com um mandato de deputado. “Não abro mão e não mudo de plano: eu só serei candidato a deputado federal”, diz ele.

Para se atracar a esse planejamento, Zezinho Guimarães admite um cansaço em dose dupla: da própria Alese e da representação sergipana em Brasília. “A gente está cansado de uma bancada federal que só faz vergonha”, diz ele.

“Da Alese, cansei. A improdutividade da ação na Assembleia Legislativa é gigante. É um ambiente onde você se sente inoperante e inútil. É onde você se sente nivelado por baixo. É onde você vê deputado fazendo indicação ao Governo do Estado para promover um Programa de Distribuição de Absorventes. Jesus do céu. E o povo aceita isso”, lamenta Zezinho.

Cansado de uma “Alese inoperante e inútil”, Zezinho Guimarães quer ir pra Câmara Federal

A decisão está tão sacramentada, que Zezinho diz que se não disputar o mandato federal pegará o caminho de casa em 2022. “Desde hoje eu prefixo aqui que não disputarei um novo mandato para a Alese. Já tenho isso decidido. Não há a menor hipótese: ou vou à Câmara Federal ou vou para casa. Para a minha vida particular – com meus filhos, meus netos e meus amigos. Não sou rico, mas tenho mais do que mereço. E nem sou perdulário. Não sou de esbanjar e não devo a ninguém”, disse ele com exclusividade à Coluna Aparte.

Na ambiência da Alese, Zezinho Guimarães sempre foi visto como um sujeito iconoclasta. Um certo rebelde, de língua solta e folozada. “O que foi que eu sempre defendi? Uma boa briga pelas coisas de Sergipe e para Sergipe, em favor do qual ninguém hoje pensa. Estamos no fundo do poço. Mas veja pelo que brigam os membros da bancada de Sergipe hoje: por um cargo na Secretaria de Patrimônio da União – a SPU – no Estado e esquecem as reais demandas do Sergipe”, diz ele.

Seria para tapar essa lacuna que Zezinho daria esse último passo político. “Politicamente, hoje eu me sinto preparado. Do ponto de vista do que o Estado requer e necessita, e do que posso fazer. Daquilo que eu vou defender por Sergipe do ponto de vista nacional, não tenham a menor dúvida do meu preparo e dos meus objetivos. Estou preparado para esta candidatura e este mandato – preparado do ponto de vista pessoal e intelectual. Do planejamento do que penso para Sergipe. De conhecimento e das bandeiras para o Estado”, avisa.

“Eu posso não estar preparado financeiramente para aqueles R$ 3 milhões ou R$ 4 milhões que uma campanha de deputado vai exigir no ano que vem. Mas eu sei os caminhos que podem levar a uma candidatura exitosa de deputado federal. E acho que, dependendo da nova legislação, posso chegar a uns 60 mil votos”, contabiliza ele.

“O cálculo que a gente sempre faz é que o voto do deputado estadual, que é mais difícil, pode ser multiplicado por dois quando a disputa for para federal. Eu sempre tive uma média de 30 mil como candidato a deputado estadual. Se tudo ocorrer bem e dentro desse diapasão, posso ir aos 60 mil votos. Eu acho que marcho para esse número aí. E, pela nova legislação, creio que dá pra chegar lá”, diz.

 

JLPOLITICA

 

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