Com Ojás (turbantes) nas cabeças membros do candomblé se despediram de Mãe Wilma de Oxum.
O ritual de despedida foi conduzido por Mãe Marizete, uma das Yalorixás mais antigas e respeitadas de Sergipe. Mãe Wilma era filha de santo de Marizete.
O velório aconteceu no abassá Oxossi Kacilecy, comandado por Mãe Wilma, no Conjunto Bugio, na Zona Oeste de Aracaju.
Aos 91 anos, amparada pela filha biológica, Sara Lessa, Mãe Marizete, disse que Sergipe perde hoje uma de suas grandes referências no candomblé.

Mãe Marizete/ Foto: Fan F1
“Filha de Santo minha. Ela tem uma história. Eu formei. Wilma Hoje tem essa casa cheia. Trabalhou muito. Tem um nome, foi muito boa. Wilma foi embora e deixa muita saudade para os filhos e para família’, lamentou Mãe Marizete.
Membro do candomblé, doutor em Educação e especialista em história da religião, o professor Fernando Aguiar lamentou a morte de Mãe Wilma e explicou que apesar da tristeza causada pela perda física, membros do candomblé acreditam no renascimento e do reencontro espiritual.

Professor Fernando Aguiar/ Foto: Fan F1
“Mãe Wilma era uma sacerdotisa que dedicou sua vida inteira à manutenção da tradição de cultuar os orixás, que contribuiu de forma significativa para o processo de expansão e luta contra as intolerâncias religiosas, uma mãe. Para nós do candonblé hoje não é o fim. Nós nos reencontraremos na casa do renascimento. É apenas uma preparação para uma condição bem melhor do que esta vida que nós estamos aqui”.
Por volta das 10h desta segunda-feira, 19, o caixão com o corpo de mãe o Wilma foi levado do abassá em cortejo para o cemitério São João Batista na capital.

Membros do abassá seguiram uma pequena parte do cortejo à pé/ Foto: Fan F1
Ela faleceu aos 71 anos, vítima de insuficiência cardiorrespiratória. Estava internada há 21 dias no Hospital do Coração.

Mãe Wilma / Foto: redes sociais
“Minha mãe viveu para amar as pessoas e cuidar. Ela cuidou de todos, sempre acolhia. Ela tinha um discernimento sem igual, sempre primou pela paz. Minha mãe deixa saudade de um legado para todos aqueles que conviveram com ela e que saberão da sua história”, afirmou Everlan da Silva, filho biológico de Mãe Wilma.
Sucessão
O abassá agora ficará fechado pelo período de seis meses a um ano. Segundo o professor Fernando Aguiar, este é o protocolo a ser seguido quando morre uma yalorixá.
“No caso de mãe Wilma, os orixás já haviam dito quem irá sucedê-la, uma de suas filhas biológicas. Mesmo assim, no momento certo, os búzios serão jogados para que a decisão seja ratificada”. detalhou.
viaFanF1




