Anielle e Silvio: por que viraram entretenimento e o governo demorou para decidir

Há meses, integrantes do governo federal viram nascer a disputa entre dois ministros negros: Silvio Almeida, então dos Direitos Humanos; Anielle Franco, da Igualdade Racial. Até ouviram circular relatos de que o desentendimento de início, entre os dois, ganharia contornos de assédio, importunação sexual.

Isso é crime, é prejudicial ao governo, às causas sociais, ao modelo de país que queremos viver. Ainda assim, nada foi feito. O impasse entre dois ministros negros virou entretenimento nos bastidores do poder de Brasília.

Se tanta gente, incluindo a alta cúpula sabia, por que nada foi feito antes? Dá para pensar em falta de capacidade de resolver crises, de avaliar o que realmente é importante, mas também nota-se desinteresse em apaziguar questões internas.

O que se convencionou chamar de “fogo amigo” na política virou razão de ser das muitas rodas de conversas em Brasília, em que incendiários, muitos deles políticos, falam com naturalidade sobre como ministros deste governo não gostam de ministros também deste governo. Se estas são as relações de um governo, então não precisa nem de oposição.

A demora para resolver coisas que parecem depender só de diálogo também carrega culpa pela escalada do problema até o nível criminoso.

 

 

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