O pronunciamento natalino do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta segunda-feira (23), deixou de lado as políticas públicas que o petista tanto enfatizou um ano atrás, como o Bolsa Família, o Desenrola ou o PAC.
Desta vez, prevaleceram os “ensinamentos de Cristo” e o desejo de que “irmão se reconcilie com irmão” e “que as famílias possam celebrar em comunhão”.
Logo no início da gravação deste ano – que ficou 2 minutos mais curta que a de 2023 –, Lula se dirige a “você que está em casa, com a sua família”.
Depois de se referir a “todas e todos vocês que ajudam a construir esse grande país”, o presidente diz que “o Natal é um bom momento para relembrarmos os ensinamentos de Cristo: a compaixão, a fraternidade, o respeito e o amor ao próximo”.
“Meu desejo é que esses ensinamentos estejam presentes não apenas no Natal, mas em todos os dias de nossas vidas. Que cada um de nós reconheça no outro o seu semelhante. Que irmão se reconcilie com irmão. Que as famílias possam celebrar em comunhão”, afirma Lula, que em seguida agradece “orações e as mensagens de carinho” recebidas durante a recente hospitalização para drenar um hematoma na cabeça.
“Graças a essa corrente de solidariedade, estou ainda mais firme e mais forte para continuar fazendo o Brasil dar certo”, diz o presidente.
Mais união, menos politização
Um ano atrás, ao fazer um pronunciamento de pouco mais de cinco minutos, Lula havia dito que 2023 tinha sido o “tempo de plantar e de reconstruir” políticas sociais como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, e Mais Médicos, além de destacar o crescimento do PIB “acima das previsões do mercado”.
“O dólar caiu e a Bolsa de Valores está batendo recordes”, celebrou Lula no ano passado.
Em 2023, o presidente citou uma série de dados econômicos e ambientais, como a soma dos investimentos do PAC e a queda no desmatamento na Amazônia.
Um ano depois, Lula não citou uma cifra sequer – o PIB novamente vai crescer acima do previsto, mas o dólar superou os R$ 6 e os juros estão com trajetória de alta já contratada até março.
A disputa política também perdeu espaço de um ano para outro.
Se em 2023 Lula descreveu detalhes dos ataques às sedes dos Três Poderes, disse que “ao final daquele triste 8 de janeiro, a democracia saiu vitoriosa e fortalecida” e prometeu “combater as fake news, a desinformação e os discurso de ódio”, um ano depois o petista citou a “defesa intransigente da democracia” e pregou o “respeito e a harmonia” entre os Poderes e o trabalho conjunto entre os níveis de governo.
À espera da “colheita generosa”
Permaneceu de um discurso para outro a analogia da semeadura e da “colheita generosa” – curiosamente, tinha sido o ponto de partida da fala de 2023 e, agora, se tornou a conclusão do discurso.
“Estamos colhendo os frutos do nosso trabalho, mas é preciso continuar plantando. Semear e adubar, irrigar e cuidar, sempre e sempre”, afirma Lula em 2024. “Em 2025, redobraremos nossas forças para o plantio. E que a colheita seja cada vez mais generosa.”
No ano passado, Lula havia sido assertivo: “Criamos todas as condições para termos uma colheita generosa em 2024”.
Com índices de aprovação mais estreitos que 12 meses atrás e um fim de ano cheio de tensões com o mercado financeiro, a lavoura do presidente vai exigir nuvens menos carregadas e solo mais fértil para o próximo Natal.




