Na tarde desta segunda-feira, 21, o apresentador do Jornal da Fan, Narcizo Machado, foi até a residência da ex-deputada petista, Ana Lúcia Menezes, para um bate-papo sobre política e também em relação à sua saúde, já que a ex-parlamentar enfrenta, aos 72 anos, um câncer de pulmão.
Logo no início da conversa, Ana mostrou que continua com a mesma altivez de quem milita há mais de 40 anos no Partido dos Trabalhadores (PT). Ela falou sobre a doença.
“A vida todo momento nos impõe desafios e tanto eu quanto meus pais sempre tivemos uma vida com muitos desafios. Estou enfrentando esse novo desafio, que é uma doença crônica. Eu confio na medicina, na ciência, estou confiando com muita fé de superação. Se não superar, também é uma coisa muito clara para todos nós que aqui é uma passagem, que ninguém sabe qual o tempo dessa passagem e que a gente tem que aproveitar ao máximo de acordo com seus valores, com seu pensamento e com a construção que você fez durante a vida”, disse a ex-deputada.
Questionada sobre o estremecimento de sua relação com o deputado, ainda petista, Iran Barbosa, Ana construiu a narrativa dos fatos e tratou de explicar como se chegou à atual situação de relacionamento entre ambos.
“Claro que nós tínhamos diferenças, a começar por diferenças de temperamentos e talvez, também, de algumas visões. Mas sempre nos constituímos na luta do magistério, eu comecei bem primeiro do que ele. Ele vem a nosso convite para o Sintese, depois para o partido. Foi quando eu e o companheiro Hildebrando tivemos uma conversa, mostrando a importância dele, enquanto liderança, de concorrer à vereança de Aracaju, e assim ele aceitou. A partir da minha doença, eu comecei a sentir um afastamento muito grande do Iran, e também um afastamento político. Ele não tinha muita atenção. Os meus ex-colegas de Parlamento ligam para saber se a gente está precisando de alguma coisa”, pontuou.

Ela continuou a narrativa: “Em setembro, o Iran pede, através de Ângela, uma conversa comigo e eu disse que não. Eu comecei todo o meu tratamento em janeiro, porque em setembro, quase um ano depois, ele pede essa conversa? Eu não tenho nenhuma mágoa, acho que é um direito cada um fazer a sua caminhada, agora não tem mais identidade, então não precisava mais de conversa. Acho que o deputado Iran confunde a responsabilidade institucional com a parlamentar, com a disputa de divergência com o sindicato. É um equívoco isso, inclusive de construir uma chapa de oposição nesse momento”.
Sobre a possibilidade da retomada de diálogo com Iran, Ana Lúcia é enfática: “se Iran saísse do agrupamento e ficasse no PT, poderíamos ter diálogo, dentro do meu partido eu estou aberta a dialogar e a disputar. Agora, em outro partido, tanto ele quanto eu seremos solidários aos trabalhadores, mas com visões e práticas diferentes, de acordo com os partidos que a gente pertence”.
Por fim, Ana deixou claro quais são as suas percepções em torno da pré-candidatura do senador Rogério Carvalho ao governo de Sergipe.
“Acho que é uma candidatura para disputar. Se o nosso companheiro Lula priorizar mesmo a campanha de Rogério, é uma campanha de disputar com a perspectiva de vitória. O Rogério é uma pessoa muito inteligente, uma pessoa muito estudiosa, e uma pessoa que se articula muito. Nós temos diferenças e divergências, ele amplia muito o leque, mas sempre foi assim, como Déda também, ele é mais de uma linha do Déda, nós nunca criamos problemas para isso. Nosso agrupamento tem avaliações mais ideológicas, menos pragmática, e acredito se, realmente, o partido a nível nacional, e o companheiro Lula, priorizar essa candidatura, ele está disputando para a vitória e essa é a expectativa que nós petistas temos de voltarmos a governar o nosso querido estado”, finalizou Ana Lúcia Menezes.




