Um atendimento que começou como um caso de urgência médica se transformou em uma verdadeira rede de cuidado, acolhimento e recomeço no Hospital Desembargador Fernando Franco. Recentemente, a unidade recebeu um homem em situação de rua, encontrado desacordado e encaminhado ao hospital para atendimento emergencial. Após receber toda a assistência necessária e estabilizar seu quadro de saúde, o paciente revelou, em conversa com a equipe, uma história marcada por vulnerabilidade, deslocamento e perda de vínculos.
Natural do Ceará, ele havia chegado a Aracaju em busca de oportunidades de trabalho. Sem sucesso, acabou vivendo nas ruas, onde passou a enfrentar a dependência química e o uso abusivo de álcool. Diante da alta hospitalar, fez um pedido simples, mas profundo: não queria voltar para as ruas.

O relato sensibilizou a equipe, especialmente o serviço social da unidade, que assumiu o desafio de ir além do cuidado clínico. “Quando nos deparamos com um paciente que não tem para onde ir, o desafio é ainda maior. Não se trata apenas de tratar a doença, mas de buscar uma solução que garanta dignidade e continuidade do cuidado”, relata a assistente social Sandra Carvalho.
A partir desse momento, iniciou-se um trabalho intenso de articulação com a rede socioassistencial. O objetivo era encontrar não apenas um abrigo temporário, mas um espaço que pudesse oferecer acolhimento, tratamento para dependência química e oportunidades de reconstrução de vida.
Segundo a profissional, o processo exigiu mobilização, persistência e integração entre diferentes áreas e instituições. “É uma construção coletiva. Cada setor contribui: a equipe médica, a enfermagem, o laboratório, o serviço social. E, fora do hospital, buscamos uma rede de apoio. Foi como costurar uma solução para o paciente”, explica.
O esforço resultou no encaminhamento do paciente para uma comunidade terapêutica, onde ele poderá iniciar o tratamento para dependência química, contar com moradia provisória e participar de atividades de reinserção social, incluindo cursos profissionalizantes.
Para Sandra, a conquista vai além do campo profissional. “É uma realização muito grande. Saber que ele não está voltando para as ruas, que terá a oportunidade de se tratar e reconstruir sua vida, é algo que emociona. A gente se coloca no lugar, poderia ser qualquer um de nós ou alguém da nossa família”, afirma.
A atuação do hospital evidencia um modelo de assistência que ultrapassa os limites físicos da unidade de saúde. Mais do que tratar sintomas, a proposta é cuidar de pessoas em sua integralidade, considerando suas histórias, vulnerabilidades e necessidades sociais.
A Fabamed – Fundação ABM de Pesquisa e Extensão na Área da Saúde -, responsável pela gestão da unidade, reforça que iniciativas como essa fazem parte de uma política de humanização que vem sendo fortalecida no hospital.
Ao garantir uma alta hospitalar segura e responsável, o Hospital Fernando Franco não apenas encerra um atendimento, ele abre a possibilidade de um novo começo. Porque, na unidade de saúde, a Fabamed prima pelo cuidar que vai muito além do tratamento. É também oferecer caminhos, dignidade e esperança.



