Na semana passada, Sergipe acompanhou estarrecido o caso da pequena Lorrayne, de 6 anos, que foi encontrada morta em Aracaju. Vítima de violência sexual, a criança desapareceu na noite de quarta-feira (20) próximo ao conjunto Padre Pedro, zona sul da capital, e só foi localizada cerca de 12 horas depois, já sem vida.
Casos como o de Lorrayne são noticiados frequentemente em todo o país, contudo nem todos são de fato mostrados. A estatística oficial indica que somente cerca de 10% dos casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes são notificados às autoridades.
O número de crianças e adolescentes que sofreram violência sexual no Brasil aumentou drasticamente. Levantamento mais recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Instituto Sou da Paz e o Ministério Público do Estado de São Paulo demonstra que, no decorrer da pandemia, 75% dos casos de violação dos direitos de menores de idade são de estupro.
Na capital sergipana, não é diferente. Ao todo, 141 crianças já foram atendidas durante este ano, vítimas de violência sexual, na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, referência no atendimento a esse público.
O número demonstra que, em média, uma criança é atendida a cada dois dias em Sergipe. A técnica de enfermagem do serviço de atendimento às vítimas de violência sexual, Meirivânia Mendonça de Lima, ressalta que a faixa etária predominante é de crianças com a idade entre 5 a 11 anos.
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“É importante que a família, a comunidade, os órgãos de apoio à criança e ao adolescente em situação vulnerável (de risco) estejam unidos a favor da prevenção e proteção desses indivíduos. É preciso ficar alerta aos primeiros sinais que são expressos (gestos, palavras e mudança de comportamento) e realizem as orientações e encaminhamentos necessários a fim de garantir uma assistência integral a essas vítimas”, observa Meirivânia.
Tipos de abuso sexual de crianças e adolescentes
Assédio sexual
Abuso sexual verbal
Exibicionismo e Voyeurismo
Exibição de material pornográfico
Sinais de abuso sexual
O delegado Ronaldo Marinho salienta que o comportamento da criança apresenta os sinais de que ela está sendo vítima de abuso sexual. “A criança começa a ficar retraída, se recusa a sair ou permanecer no local com determinada pessoa e começa a apresentar comportamentos de cunho sexual incompatíveis com a idade. São sinais que os familiares devem notar e perceber, e assim encaminhar a criança para assistente social ou psicólogo do Centro de Referência da Assistência Social (Cras), Centro de Atenção Psicossocial (Caps) ou mesmo na delegacia”, alertou.
Além dos crimes que são praticados por pessoas próximas às vítimas – como familiares e aquelas que têm acesso fácil à residência ou outros locais que a criança frequenta -, há também os que são cometidos pela internet.
“Temos um grande número de casos de pedofilia praticados pela internet, nas redes sociais, que são ferramentas utilizadas pelos pedófilos que se passam, muitas vezes, por crianças também. Eles possuem um comportamento infantilizado que facilita a comunicação. É uma ferramenta que facilita nossa vida, que nos dá possibilidade de conhecer o mundo, mas também é uma ferramenta utilizada para prática de crimes”, registra o delegado.
Ronaldo Marinho ressalta que o relato da criança é fundamental para identificar a situação de abuso e que é essencial que ela seja ouvida atentamente. “Ao primeiro sinal de abuso não duvide da criança. Se ela vier relatar, ouça com cuidado, com carinho. Quando falamos em ouvir, é ouvir com atenção, sem questionar muito a criança, pois ela já é vítima daquele crime e ela não pode ser vitimizada pelas dúvidas criadas na cabeça dela. Então, o primeiro passo é levá-la para atendimento, seja no Conselho Tutelar, seja na delegacia de Polícia”, pontuou.
Denuncie
O telefone de contato para o Serviço de Atendimento a vítimas de Violência Sexual da MNSL é (79) 32258650/ 3225.8679. A Maternidade Nossa Senhora de Lourdes fica na Avenida Tancredo Neves, nº 5.700, em Aracaju. A maternidade conta com uma equipe multidisciplinar preparada para o atendimento e acompanhamento das vítimas. O Disque 100 também é um canal de atendimento para este tipo de caso e está disponível 24 horas.
*Sob orientação do editor Will Rodriguez
Edição de texto: Monica Pinto
https://www.f5news.com.br/cotidiano/a-cada-dois-dias-uma-crianca-e-atendida-vitima-de-abuso-sexual-em-sergipe.html




