CASOS E CAUSOS DO DIA A DIA
Muitos leitores da Folha de Sergipe aguardam com muita ansiedade os finais de semana, quando publicamos aqui alguns CASOS E CAUSOS da nossa experiência de vida em várias áreas. A política, o futebol, a música, o rádio, e a TV, nos proporcionaram e ainda proporcionam no dia a dia, muitos lances curiosos e engraçados que fazemos questão em repassar.
Sempre afirmamos daqui que os CASOS E CAUSOS contados são verdadeiros. Podemos omitir um detalhe ou outro, mas a veracidade de cada um deles pode muito bem ser comprovada por vários personagens que participaram dos referidos episódios, e ainda hoje permanecem entre nós.
LUIZ CALDAS TROUXE O DILÚVIO

Na segunda parte da década de 80, um jovem baiano revolucionou a música brasileira. Com o seu gingado, uma voz estridente, um jeito malemolente de dançar, os pés descalços, e longos cabelos encaracolados, Luiz Caldas era presença constante em todas as PARADAS DE SUCESSO, como se dizia à época.
Sucesso de bilheteria, e garantia de público onde se apresentava, resolvemos contratá-lo para um show em Aracaju, mais precisamente no Constâncio Vieira.
Todos apostavam que seria um sucesso. Colocamos a lotação máxima para vender. 4.500 ingressos. Chega a semana do show, ingressos à venda na Farmácia Confiança, tradicional ponto de vendas do famoso empresário Pinga, e começa a apreensão. Show programado para sexta-feira. Na quinta, apenas 200 ingressos vendidos. Todos me consolavam. “Fica tranquilo. O povo só compra de última hora”, afirmavam.
Chegando o dia do show a procura realmente aumenta. Por volta de meio dia, D. Maria José, irmã de Pinga, me avisa que foram vendidos 700 ingressos, e pela experiência dela era um bom indício. Às 13hs fui ao aeroporto buscar Luiz. No trajeto até o hotel ele começa a conversar e afirma. “Não estou com um bom pressentimento para hoje”. Dito isto desce do carro e marcamos o horário para pegá-lo.
Como detalhe. Havia uns seis meses que não caía um pingo de chuva em Aracaju. Pois bem. Por volta das 15hs, o céu começa a ficar negro, fortes ventos chegam do mar e logo depois uma tremenda chuva que alagou totalmente a cidade. Das 15.30 aproximadamente até umas 21hs (horário previsto para o show), o tempo só piorava, quando aquele era exatamente o período em que deveria haver a maior procura de ingressos.

Àquela altura, o Constâncio Vieira estava alagado. A água descia pelos seus combrogós. Como resultado, ao final, apenas mais cento e poucos ingressos foram vendidos, que somados aos antecipados não chegaram a casa dos mil.
Para se ter um ideia, seria preciso a venda de pelo menos 2.500 ingressos para que não houvesse prejuízo.
Imaginem o resultado.
DOSE DUPLA

Na realidade, contratamos Luiz Caldas para dois shows. O primeiro como nos referimos, em Aracaju, e o segundo, no dia seguinte em Maceió.
Os amigos leitores da folha podem não acreditar. O mesmo fenômeno ocorreu na terra dos marechais.
Nos dirigimos à capital alagoana embaixo de fortes chuvas. Em nossa companhia estava o querido amigo Reinaldo Moura. Chegamos por volta do meio dia sob enorme tensão, e nos dirigimos imediatamente ao hotel onde já estava a banda. Esperamos até às 13 horas para tomarmos a pior decisão, que foi a suspensão do show, até porque, o mesmo estava programado para o Estádio Rei Pelé, ou seja, totalmente ao ar livre.
Entramos em contato com o amigo Márcio Canuto, que gentilmente colocou o comunicado na TV Gazeta, afiliada da Rede Globo. Os ingressos vendidos não chegavam a 300.
Show cancelado, prejuízo assumido, qual não foi nossa surpresa, quando por volta das 17 horas o tempo começa abrir, e ao anoitecer as estrelas povoam o céu.
Saímos para aliviar um pouco a cabeça, fomos em uns três bares, e aí a raiva aumentou mais ainda porque em todos eles o público menos avisado falava “vamos para o Rei Pelé. Hoje tem fricote”. O estilo musical que consagrou o cantor baiano. Calados estávamos e calados ficávamos remoendo pensamentos de que naquela noite não haveria prejuízo.
Como diz o ditado. “Quando não tem de ser não é”.

OUTRO EPISÓDIO
Tivemos um outro episódio com Luiz Caldas, já relatado daqui desta coluna, quando na campanha de Valadares ao governo do estado em 1986, o contratamos para um dos principais comícios em Aracaju, e ele aqui não compareceu, mesmo enviando a sua banda que inclusive contava com dois irmãos seus, Carlinhos e Andréia Caldas.
O cantor havia recebido antecipadamente 50% do cachê, passagem marcada e confirmada, e simplesmente deixou milhares de pessoas a ver navios no Siqueira Campos.
À época, como que parodiando um dos seus ritmos de sucesso, o que o baiano fez, foi um verdadeiro “DEBOCHE”.

Carlos Batalha
Jornalista e Radialista
Jornalista e Radialista
https://folhadesergipe.com/




