Com o fim do Auxílio Emergencial, R$ 3,8 bilhões deixam de circular em Sergipe

Quase 70 milhões de brasileiros receberam o auxílio emergencial em 2020. Mas, em 2021, já não podem contar com o dinheiro. A ajuda do Governo Federal por conta da pandemia do novo Coronavírus foi finalizada em dezembro do ano passado.

Com o fim do auxílio, 859.641 sergipanos ficaram sem o benefício. Do início da pandemia até dezembro, os sergipanos contemplados pelo auxílio receberam R$ 3,8 bilhões, se somadas todas as parcelas. De acordo com o economista Luis Moura, do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas (Dieese/SE), os recursos foram essenciais para as famílias e o Estado em 2020.

“É um número muito significativo, considerando ainda que a maioria desse valor foi para o consumo da família, principalmente aquelas mais pobres. A arrecadação do ICMS do Estado fica em torno de R$ 4,2 bilhões durante todo o ano, ou seja, só para comparar, o auxilio conseguiu injetar na economia quase o total do que é arrecadado com o principal tributo do estado”, afirma Moura.

E é justamente pela importância que teve, que o fim do auxílio emergencial preocupa milhões de brasileiros de renda mais baixa e sem emprego formal. “A extinção desse benefício vai causar impacto não só nas famílias, mas também na conta do Governo, porque deixa de injetar recurso e deixa de arrecadar tributos”, complementa o economista Idalino Souza.

Idalino lembra que o anúncio do auxílio emergencial, no ano passado, fez milhões de brasileiros que vivem em condição de pobreza e informalidade serem enxergados. “O auxilio fez surgir um grupo de pessoas não identificáveis e que passou a ser, e isso transfere uma responsabilidade para o Governo, porque precisa manter essas pessoas”, entende.

O fim do auxílio, para Luis Moura, deixa ainda mais vulnerável grande parte dos brasileiros que estavam recebendo o auxílio. “Nesse montante teremos aí esses 850 mil sergipanos afetados, não está garantida a sobrevivência deles porque a pandemia ainda não terminou e o Governo continua pregando o isolamento social. Nós estamos numa segunda onda da pandemia, com aumento de casos, e para garantir a sobrevivência, esses brasileiros vão acabar colocando em risco as suas vidas, porque precisam procurar ocupação formal ou informal para sobreviver”, conclui em tom de alerta.

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