CARLOS BATALHA: “PESQUISAS ANTECIPADAS SÃO CONFIÁVEIS”?

A razão de ser da pergunta da manchete é em função do que já observamos ao longo de vários anos e em diversas eleições pelo Brasil afora.
Fazemos daqui uma outra pergunta. A não ser para consumo interno, qual o objetivo de se divulgar uma pesquisa eleitoral para um pleito que irá acontecer somente daqui há 15 meses?
Pesquisas são confiáveis e principalmente com tantos meses de antecedência? Claro que não.
Algumas pesquisas são tão inconfiáveis que às vezes na boca de urna é anunciado um resultado, e quando se ver na apuração os votos falam exatamente o contrário.
Para ficarmos em Sergipe, em 1994, o Ibope anunciou na boca de urna, vitória de Albano Franco no primeiro turno, e quem ganhou foi Jackson Barreto.
Em 2006, o mesmo Ibope anunciou na Bahia, boca de urna pra o governo do estado, vitória de Paulo Souto. Quem ganhou a eleição? Jaques Wagner.
Em 2016 aqui em Aracaju, 15 dias antes do segundo turno para as eleições municipais, pesquisa apontou liderança folgada de Valadares Filho com 19 pontos na frente. Quem ganhou as eleições? Edvaldo Nogueira.
QUAIS AS INTENÇÕES?
Nós apontaríamos aqui um rosário de intenções na divulgação de uma pesquisa com 15 meses de antecedência.
As intenções vão da tentativa de se conseguir apoio político, apoio logístico, e ou até mesmo apoio financeiro.
Não afirmamos daqui que nenhuma pesquisa é irreal mas qualquer uma pode ser manipulada.
Já escrevemos sobre direcionamento, quando uma pesquisa quer favorecer um determinado candidato, de 100% dos entrevistados, entrevista 50% ou até mais de um determinado bairro ou de uma determinada cidade, logicamente vai dar na liderança o líder da região.
Dois grandes líderes da política brasileira faziam  interessantes análises eleitorais e quando perguntados sobre pesquisas, saiam com as seguintes explicações.
TANCREDO NEVES não descredenciava nenhuma pesquisa, mas quando perguntado sobre o resultado tal, afirmava. “Não posso falar nada sobre pesquisas, porque elas retratam a realidade do momento”.
ULISSES GUIMARÃES dizia. “Política é como as nuvens. Uma hora está do lado outra hora está do outro.
Em sendo assim, fazendo uso de outro adágio popular que diz” cautela e canja de galinha não faz mal a ninguém”, é bom que os pretensos candidatos às eleições de 2022 nos cargos majoritários ou nos proporcionais coloquem às respectivas barbas de molho, não se entusiasmem demais, para que depois (aproveitando o mês), não digam que Santo Antônio enganou.
Carlos Batalha
https://folhadesergipe.com/

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