Empresário Emanuel Oliveira adverte: “O Airbnb está colocando em risco mercado hoteleiro”

O empresário sergipano Emanuel Oliveira, 52 anos, mantenedor de três hotéis em Sergipe e um na Bahia, fez um alerta muito sério esta semana sobre o risco que corre a hotelaria sergipana, brasileira e mundial com a existência, a prática e a expansão do Airbnb.

Fundado em 2008, o negócio Airbnb é uma plataforma online com abrangência planetária que conecta pessoas interessadas em alugar apartamentos, casas ou até mesmo quartos compartilhados em residências para temporadas de férias ou passeios, deixando de lado a rede oficial de hotéis.

No geral, via Airbnb os preços são mais em conta para quem se hospeda e rentáveis para donos de imóveis alugados. E é aí onde reside a preocupação de Emanuel Oliveira e de todos os empresários que se abrigam no mercado de hotelaria. Para eles, o Airbnb está para a rede hoteleira assim como o Uber está para o mercado de táxis convencionais, e está gerando até um estrago maior.

“O Airbnb é uma ocorrência que já está colocando em risco mercado hoteleiro. Ele já está impactando o surgimento e o crescimento de novos hotéis em função de tudo que tem atrelado às suas práticas”, aponta Emanuel.

E elenca os erros. “O Airbnb é um equipamento que trabalha de forma informal e isenta. Ele não paga ISS, não paga FGTS. Ele não emprega, não tem responsabilidade com 13º salário e não nem com férias, porque não tem funcionários com obrigações sociais, tipo plano de saúde, plano odontológico, e por aí vai. Ele é pior do que o Uber, porque o Uber paga IPVA, paga os impostos federais – já está abatido da receita do Uber o imposto federal. O Airbnb, não. O Airbnb atua de forma isenta no Brasil”, informa Emanuel.

E o trem do Airbnb tem rufado forte, segundo Emanuel Oliveira, no Estado de Sergipe. “Numa cidade como Aracaju, nós já temos disponíveis hoje pelo Airbnb mil apartamentos. Se considerarmos que cada apartamento desses tenha dois quartos, chegamos a dois mil quartos. E, se dividirmos pelo tamanho médio dos hotéis de Aracaju, tem-se aí o equivalente a mais de 25 hotéis invisíveis. Veja gravidade disso”, diz.

E o que isso significa para a hotelaria tradicional, que paga imposto? “Isso significa o que está acontecendo em Aracaju: já tem quase 10 anos que não surge um novo hotel por aqui. O que a gente do mercado entende é que nós não podemos, nem queremos, impedir que exista essa modalidade de hospedagem. O que queremos é que tenhamos as mesmas condições que eles”, diz Emanuel.

Como assim? “Ou eles passam a pagar os mesmos impostos que nós pagamos, ou então que nós não paguemos os nossos. Observe aqui dois pontos interessantes, ou muito graves: a hotelaria, para poder hospedar você e sua família, é obrigada a ter um guardião de piscina 24 horas. A pessoa se hospeda em um apartamento e a piscina está lá. A criança vai usar sem nenhuma segurança. E nós, não. Nós somos obrigados a ter uma pessoa cuidadora”, diz.

“Veja mais: a hotelaria é obrigada a pagar ao ECAD (direitos autorais) por todos os televisores contidos nos apartamentos. O Airbnb, não. E, para fechar – e esse é o ponto mais traumático que observo: se você se hospeda num apartamento mediado pelo Airbnb, logo que você sai as roupas são lavadas de forma doméstica, com sabão doméstico, em uma lavanderia doméstica. Na hotelaria não é permitido isso”, reforça Oliveira.

“Na hotelaria, nós temos que comprar um lençol muito mais forte para suportar a abrasividade dos produtos químicos, como também o aquecimento das máquinas de lavar. Por que tudo isso? Porque a vigilância sanitária obriga que a gente chegue em um índice de limpeza que mate fungos, bactérias e germes. Quando você se hospeda em um apartamento do Airbnb, as roupas são lavadas de forma doméstica. Um dia é você que dorme no lençol, outro dia é sua esposa, no outro é seu filho. Não é aquele cuidado exigido do hotel. Ali é uma lavagem feita de forma doméstica”, diz Emanuel.

“Inclusive tem mais um dado importantíssimo e muito grave: em Aracaju estão sendo construídos mais de 800 apartamentos com a finalidade de servir ao Airbnb e na contramão da boa política empresarial da construção civil e da incorporação imobiliária responsáveis. Isso vem exatamente para destroçar o setor da construção, da hotelaria e da responsável política  imobiliária. São imóveis destas Associações Pró-Construção tão corajosa e oportunamente combatidas em Sergipe pelo empresário legal Luciano Barreto, da Celi e presidente da Asesopp”, denuncia Emanuel Oliveira.

Segundo Emanuel Oliveira, a Associação Brasileira de Indústria de Hotéis – ABIH – está vendo tudo isso com muita preocupação e conversando bastante com muitos setores. Ele é conselheiro da ABIH-SE. “Mas precisamos de uma ação geral e concreta”, disse.

Emanuel Oliveira mantém em Aracaju o Real Classic Hotel, o Real Praia Hotel e o Hotel Parque das Águas, e em Salvador, o Real Classic Bahia Hotel. Ele é mantenedor do Shopping Prêmio, em Nossa Senhora do Socorro, e está construindo em Aracaju o Shopping Praia Sul, que parece sem data para conclui-lo. Nestas atividades todos e em mais uma construtora que ele usa para fazer seus próprios imóveis, gera cerca de 500 empregos diretos.

 

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