“Espero muito de Fábio Mitidieri em todas as áreas. Ele tem visões reais e práticas. Isso faz diferença”
3/12/2022-19hUm gestor com dificuldades de ordem financeira e administrativa herdadas de gestão anterior, mas sonhando o bem-estar da sua cidade, sobretudo da classe mais pobre, e pensando num nova era industrial para seu município e para a região na qual ele está inserido.
Este é o prefeito de Propriá, Valberto Oliveira Lima, 65 anos, e a caminho de fechar seus dois primeiros anos de um mandato obtido em 2020 e assumido no dia 1º de janeiro de 2021.
Médico, ex-secretário de Estado de Saúde de Sergipe, Valberto Oliveira Lima não se deixa abater ou desanimar com essas enormes dificuldades.
Ao contrário. Ele tem a situação sob controle, acha que vai vencer todos os obstáculos, ainda consegue realizar obras públicas e admite que mais à frente pensará, sim, numa reeleição.
“Recebemos algumas dívidas que tivemos que absorver”, diz ele. Resultado disso? Um comprometimento altíssimo das receitas rotineiras do Fundo de Participação do Município – o velho FPM.
“Compromete mais de 60% da nossa receita. Mesmo assim a gente está fazendo aquele milagre de sair juntando recursos aqui e ali, porque toda quarta-feira a gente recebe parcela do ICMS. E como nosso ICMS é pouco, a gente sai juntando pra poder sair pagando os pedaços do que o município deve. Fragmenta tudo. Não tem condição de pagarmos de uma vez só, exatamente por causa disso”, diz.
Como se vê, Valberto Oliveira Lima não é do tipo que fica chorando o leite derramado. Correu atrás de verbas remetidas anteriormente a outras gestões e que iam se perder e tem feito o que pode pela cidade.Ele tem um comprometimento de sangue com a plena urbanização do Conjunto Santo Antônio, uma das maiores comunidades de Propriá e sobretudo das mais carentes. “O meu compromisso, a minha eleição e a minha pauta foi a de trabalhar com e para o pessoal pobre”, diz ele.
“Não me elegi e nem pretendo me reeleger para cuidar apenas das necessidades de comércio prioritariamente. O comércio, o turismo, as atividades industriais e a rizicultura são importantes, eu apoio, mas tenho que abrir um foco diferenciado para o social. Para os mais carentes – e nisso incluo as necessidades do Conjunto Santo Antônio. Lá está o nosso bolsão de carências. Eu quero sair da Prefeitura de Propriá com esse bairro 100% saneado – com saneamento básico e calçamento. Com isso eu terei cumprido uma missão divina”, diz.
A outra missão com a qual Valberto Oliveira Lima se compromete é a de ajudar a tirar Propriá e o Baixo São Francisco do atraso e do esquecimento industrial. Para ele, isso é tarefa urgente e dos três níveis de Governo – municipais, estadual e federal.
“O bolsão de pobreza de Sergipe está no Baixo São Francisco, o que é um paradoxo, posto estarmos plantados à beira do maior curso d’água do Estado, e a responsabilidade de Fábio – e diria até de Lula – com o Baixo São Francisco talvez seja muito maior do que com outra região sergipana”, diz.
Valberto de Oliveira Lima nasceu em Propriá no dia 6 de agosto de 1957, mas foi registrado em Aquidabã, para onde foi levado à casa dos avôs pela mãe ainda em resguardo e ficou lá do zero aos três meses. Ele é filho de Braz Gonçalves Lima, um policial militar, e da dona de casa Ana Maria de Oliveira.
Em 1980, entrou no curso de Medicina da Universidade Federal de Sergipe, em 1986 saiu formado e foi direto para uma residência em Cirurgia Geral ali mesmo – tornando-se intensivista depois.

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Ele é funcionário público concursado do Estado e do município de Aracaju nos setores da saúde. É pai, com quatro companheiras diferentes, de sete filhos. É casado com Karine Feitosa Lima.
“Eu espero muito de Fábio Mitidieri em todas as áreas que você puder imaginar, porque quando você senta para conversar com ele, vê que tem alternativas e sugestões pé no chão. Não são aquelas alternativas de quem vai pedir ajuda divina para que as coisas aconteçam. Fábio tem visões reais e práticas. Isso faz diferença”, diz.
A Entrevista com Valberto Oliveira Lima vale o tempo da leitura.
A ENFERMAGEM MERECE O PISO SALARIAL
“E é por isso que nossa gestão vai aderir. Já até antecipei para alguns amigos prefeitos, que querem fazer uma frente de resistência contra o piso, que não contem comigo, porque sou o primeiro a reconhecer que a enfermagem é merecedora”
JLPolítica – Como é que a gestão de Propriá termina, em 31 de dezembro, esses dois primeiros anos de governo?
Valberto Oliveira Lima – Eu diria que termina positivamente. A contabilidade é positiva. Mas eu estou com dificuldades para honrar a folha no período definido por lei, porém termina o mês seguinte com tudo pago. A gente sempre paga um mês dentro do outro, e isso daí a gente está fazendo por necessidade de coisas erradas nas gestões passadas. Não é por fragilidade da nossa gestão em si.JLPolítica – Então o senhor encontrou o município em situação difícil em janeiro de 2021?
VOL – Ah, sim, difícil. Muito difícil. Recebemos algumas dívidas que tivemos que absorver. E, além disso, nós enfrentamos agora, em 2022, algumas situações que elevaram o valor da folha, que foi por exemplo os agentes de saúde, que tiveram o seu piso salarial elevado e a gente teve que honrar. Mas não só agentes de saúde. Nós tivemos que melhorar os proventos da Guarda Municipal, que estavam bastante defasados. Tivemos os professores, de quem a gente teve que aderir ao piso. E mais: estamos na expectativa da adesão ao piso da enfermagem. Eu vou aderir, não tem a menor dúvida.JLPolítica – Como médico, o senhor acha que a categoria é merecedora?
VOL – Acho sim merecedora, e é por isso que nossa gestão vai aderir. Já até antecipei para alguns amigos prefeitos, que querem fazer uma frente de resistência contra o piso, que não contem comigo, porque sou o primeiro a reconhecer que a enfermagem é merecedora.

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DÍVIDAS QUE ROEM E COMPROMETEM O FPM
“Compromete mais de 60% da nossa receita. Mesmo assim a gente está fazendo aquele milagre de sair juntando recursos aqui e ali, porque toda quarta a gente recebe parcela do ICMS. E como nosso ICMS é pouco, a gente sai juntando de uma semana para outra pra poder sair pagando os pedaços do que o município deve”
JLPolítica – Mas voltemos: o senhor encontrou dívidas com previdências e outras áreas?
VOL – Sim, e imensas. Não só de Refis, que não foi cumprido e que a gente padece todos os meses com descontos exorbitantes do Fundo de Participação do Município – o FPM.JLPolítica – Isso compromete uns 10% do FPM?
VOL – Dez? Compromete é mais de 60% da nossa receita. Mesmo assim a gente está fazendo aquele milagre de sair juntando recursos aqui e ali, porque toda quarta-feira a gente recebe parcela do ICMS. E como nosso ICMS é pouco, a gente sai juntando de uma semana para outra pra poder sair pagando os pedaços do que o município deve. Fragmenta tudo. Não tem condição de pagarmos de uma vez só, exatamente por causa disso.JLPolítica – A sua folha hoje corresponde a quanto entre os efetivos e os comissionados?
VOL – Ela passa dos R$ 2 milhões.JLPolítica – O senhor acha que uma folha ideal seria de quanto?
VOL – Diante das nossas receitas, afolha ideal para Propriá seria na faixa de R$ 1,5 milhão. Se você perguntar “Propriá precisa destes contratados?”. Direi que precisa, mas acontece que nós temos um estudo feito pela Erpac que mostra que o número de efetivos é muito acima do que o que Propriá necessita – temos 1.353 servidores, contando com os efetivos, os comissionados e contratados. A gente sabe que chega uma hora que precisa contratar, exatamente porque muitos efetivos adoecem. E muitos efetivos estão de fato doentes e Propriá tem uma característica estranha: temos hoje mais de 45 servidores efetivos afastados, recebendo salário integral, sem o amparo do INSS. Por que? Porque existe uma lei municipal que dá direito ao funcionário se afastar durante dois anos recebendo em casa integralmente.

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DE COMO SE HAVER COM OS FORNECEDORES
“Todos estão em atraso, porque a prioridade é a folha, e o que sobra a gente paga, mas como o que sobra é muito pouco, a gente termina escolhendo aqueles mais críticos e resgata. E a dívida junto aos fornecedores é grande. Algumas, inclusive, de 2020, de quando eu nem era prefeito”
JLPolítica – O senhor paga a folha dentro do mês seguinte. Mas e os fornecedores? Estão em dia ou em atraso?
VOL – Não. Todos estão em atraso, porque a prioridade é a folha, e o que sobra a gente paga, mas como o que sobra é muito pouco, a gente termina escolhendo aqueles mais críticos e resgata. E a dívida junto aos fornecedores é grande. Algumas, inclusive, de 2020, de quando eu nem era prefeito e que tive de assumir e absorver.JLPolítica – As dívidas do município são muito de longo prazo ou tem algumas que terminam agora?
VOL – Muitas de longo prazo. A nossa pior é a da Receita Federal e do INSS, que está nos causando esse transtorno. Até estamos em conversa com um escritório jurídico para entrar com um recurso que possibilite a renegociação, porque como está a prefeitura estará a cada ano se tornando inviável no ponto de vista de arrecadação e de sustentação financeira.JLPolítica – Qual é a sua expectativa para a gestão em 2023? O senhor acha que melhora?
VOL – Olha, primeiro eu estou sendo obrigado a fazer algumas demissões para equacionar o tamanho da minha folha. Mas deve melhorar.




