CARLOS BATALHA: “ MAIS UM DOMINGO DE CASOS E CAUSOS”!

Mais um domingo aqui na Folha de Sergipe.
Feriado na próxima terça-feira, dia consagrado a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e data em que se comemora o Dia das Crianças.
Com o feriado nacional do dia 12, o governo federal, o estadual, e também o municipal decretaram pontos facultativos nas três esferas, o que significa um feriadão tipo carnaval para milhões de brasileiros no país inteiro, mas a vida continua com ou sem feriado, e por isso estamos aqui no nosso encontro dominical.
CHICO E O SELF SERVICE
CHICO DE FRANÇA NÃO COMEU O SELF SERVICE
Self service é uma expressão em inglês que significa no Brasil “serviço próprio”, ou “autosserviços”, e que para o atendimento à alimentação também ficou popularmente conhecido como comida a quilo.
Pois bem. Na década de 80 o serviço ainda não era conhecido aqui em Aracaju. O nosso amigo Chico de França precisou viajar para fazer uma transmissão de futebol na capital paulista. Lá chegando, hospedou-se em um hotel no centro da cidade para se preparar para a transmissão que iria ocorrer no período noturno.
 A emissora era a Rádio Liberdade, e o amigo de vocês aqui era o diretor de esportes. À noite, fui para os estúdios para recepcionar a transmissão do nosso narrador. Por volta das 20hs recebemos o chamado Embratel e entra a abertura de jornada por parte do ” Negão da Arapuca” como até hoje é carinhosamente chamado.
Após as saudações de praxe, ele sai com a seguinte pérola em pleno ar, para que todos ouvissem.” Batalha, por aqui está tudo bem com exceção da fome que está braba”. Quando lhe perguntei porque não havia almoçado, ele afirma. ” Não pude almoçar porque todo restaurante que entrava tinha uma placa escrita SELF SERVICE. Como não sei falar inglês, tive receio do prato ser caro e não puder pagar. Gargalhada geral por muito tempo.
PODE ME CHAMAR DE MAGÁ
MAGÁ. GRANDES SERVIÇOS PRESTADOS À IMPRENSA SERGIPANA.
Carlos José Magalhães de Melo é um dos maiores nomes do rádio esportivo sergipano, para não afirmarmos, o maior. Tendo sido o responsável por recepcionar toda a imprensa brasileira e internacional que para aqui se deslocou em 1969 quando da inauguração do Batistão com a presença da seleção brasileira de Pelé e Cia, Magá como até hoje é conhecido, um ano depois marcaria outro tento, sendo o primeiro sergipano a transmitir uma Copa do Mundo, em 1970, diretamente do México, quando o Brasil sagrou-se tri-campeão mundial.
Ao tempo em que sempre possuiu um grande talento profissional, Magalhães sempre teve um temperamento um tanto quanto impulsivo e de cobrar muito dos seus liderados, inclusive em plena transmissão no ar.
Em um desses entreveros, o nosso amigo desentendeu-se com Raimundo Macêdo, o popular Pingo de Leite, que transferiu-se de emissora. Trabalhando na concorrente, Pingo que era quase uma criança, começou a fustigar Magalhães, e para irritá-lo e ao mesmo tempo não ofendê-lo, começou a tratá-lo como Magá, quando na realidade queria chamá-lo de Gagá (velho).
Magalhães então teve uma grande sacada. Em uma determinada transmissão começou a falar “Pode me chamar de Magá que não me incomodo”. Pronto. Virou seu jargão, Pingo parou de tratá-lo assim, e até hoje o velho e querido Magalhães é tratado por Magá, e não é muito difícil alguém tratá-lo com o jargão completo. “Pode me chamar de Magá que não me incomodo”.
DONA FINHA. UMA VELHA GUERREIRA
D. FINHA. UMA VIDA DE AMOR AO CONFIANÇA.
O nosso futebol hoje em dia já não vive o mesmo romantismo de antes.
As carreatas que tomavam conta de nossas ruas nos dias de grandes clássicos não existem mais. Os concursos das maiores bandeiras também não, bem como as grandes e animadas charangas também desapareceram.
E o que dizer dos torcedores símbolos. Também sumiram.
O Confiança (depois abordaremos outros líderes), possuía uma torcedora símbolo. Uma mulher. Uma senhora.
Pequenina, franzina, de voz fina anasalada, mas de um vigor extraordinário, quando se tratava do seu time proletário.
Dona Finha não só ia para os estádios brigar e torcer pelo seu time, como abrigava e alimentava muitos jogadores que por aqui chegavam.
D. FINHA. MÃE, AVÓ E CONSELHEIRA DOS JOGADORES DO CONFIANÇA.
Não vamos citar nomes, mas jogadores que chegaram ao pico da fama passaram pela sua casa, e experimentaram do seu feijão.
Dona Finha ia aos vestiários antes e depois dos jogos, e muitas das vezes flagrava os jogadores nus saindo do banho, e não deixava de tirar brincadeira. Coisa feia era quando o time perdia. Ela olhava para aqueles caras, os media de cima abaixo e depois afirmava. “Não sei para que vocês querem essas coisas aí penduradas no meio das pernas. Nem parecem homens”. Ai de quem lhe desse uma resposta. Tempos românticos do nosso futebol.
Carlos Batalha
https://folhadesergipe.com/

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