Numa conversa em off com esta CoIuna Aparte na quinta-feira da semana passada, 30 de outubro, o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PDT, prefixava para si mesmo uma condição-limite para começar a falar sobre a sucessão do Estado de Sergipe do ano que vem, tendo como temas ele mesmo e suas possibilidades de entrar no processo com mais precisão.
E o principal item dessa condição-limite para começar a participar do debate, expunha Edvaldo ali, era o de que 90% dos aracajuanos estivessem imunizados pelo menos com a primeira dose da vacina contra a Covid-19.
Edvaldo Nogueira chamava a atenção ali naquela conversa para o fato de que esses índices estavam bem avançados e acima dos 85%, o que muito lhe apraziam e alegravam. Pelas previsões dele, o dia 15 de outubro seria um limite bom para começar a botar pra fora alguns sentimentos e informes abalizados sobre a disputa do ano que vem.
Nesta quinta-feira, 6 de outubro, a Comunicação Social ligada ao prefeito pediu espaço em Aparte para a publicação de um artigo escrito por ele, no qual Edvaldo Nogueira esquadrinha bem a evolução da aplicação da vacinação em Aracaju, atesta que já tem “um contingente de quase 90% do público vacinável” devidamente imunizado com pelo menos a primeira dose e dá outros informes sobre a importância disso na vida das pessoas e na paz social do lugar que ele administra sempre refutando o negacionismo.

É claro que Edvaldo não diz no artigo de sua autoria que, a partir desses índices, ele passa obrigatoriamente a ser um pré-candidato a governador de Sergipe. Nesse aspecto, ele é imensamente republicano e não mistura as bolas.
Mas, para quem se guardou o tempo inteiro, dizendo que a missão dele era a de administrar a cidade de Aracaju em suas demandas sociais e, sobretudo, atuar para salvar vidas das garras da Covid-19, é também claro que o que Edvaldo informa no artigo o deixa mais à vontade para começar a olhar os horizontes da sucessão estadual com outros olhos.
Mais ainda quando esses horizontes da sucessão estão baixando o toldo e se fazendo muito próximos – logo ali, de se pegar com a mão. O que Edvaldo estaria a dizer naquela quinta-feira, 30 de outubro, seria mais ou menos o seguinte, em tradução livre: “Olha, me mantive silente, na minha, calado até agora, em obediência a uma determinação programática. Mas agora, com quase 90% dos cidadãos imunizados e protegidos, devo falar. Agora, pedirei permissão para uma interlocução com o povo sergipano e com o aracajuano, em especial”.
E, em tese, dizer o que nessa interlocução? Dizer o básico e o elementar. Algo como: “Olha, diante do que apontam os sergipanos através das pesquisas de opinião púbica, gostaria de colocar o meu nome como um dos futuros pré-candidatos a suceder o governador Belivaldo Chagas”.
Estaria Edvaldo Nogueira excedendo, exorbitando ou exuberando nisso daí? De modo algum. Com o nome político que ele tem, com a gestão que faz na capital pela quarta vez, com a história que construiu em cinco eleições na esfera aracajuana de 2000 a 2020, Edvaldo estaria sendo era omisso se pegasse esse cabedal sociopolítico todo e se deixasse raptar por serafins ou fugisse para uma ilha.
Claro que, transigente e sabido do jeito que ele é, Edvaldo Nogueira não vai baixar acampamento a partir de agora – ou do dia 15 de outubro – dizendo que ou é ele o pré-candidato de todo o agrupamento ligado a Belivaldo Chagas, PSD, ou tora o pé da barraca da sucessão.
Logicamente, Edvaldo vai tentar construir, dentro do terreno das tensões de uma situação assim, as chances para si de que seja ele o candidato do grupo. Algum crime nisso? Também nenhum, como não incorrem em crime algum os que, ao lado dele, sob o mesmo teto político, estão tentando se cacifar para a escolha.
Como magistrado do processo de 2022 entre os governistas, e tendo por uma quase questão de honra fazer o próprio sucessor, logicamente que Belivaldo Chagas vai olhar com bons olhos para quem levantar o crachá das maiores chances de sucesso eleitoral no próximo outubro.
E as pesquisas de hoje apontam que esse personagem chama-se Edvaldo Nogueira. E com quase 90%, não de intenção de votos, mas de imunização do povo da cidade que ele administra sob visão científica e jamais negacionista.
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