Olá amigos e amigas
Mais um domingo onde relembramos daqui alguns CASOS E CAUSOS ocorridos na nossa vida profissional. Graças a Deus durante um pouco mais de 40 anos vivenciamos episódios hilários, cômicos, fora do comum, nas áreas esportiva, política, cultural, artística etc, e temos a maior satisfação em relatá-los para os leitores da Folha de Sergipe.
O VEXAME DE SANDRA BRÉA

Ano de 1986, eleições para o governo do estado.
Estávamos a trabalhar na coordenação externa da campanha de Antônio Carlos Valadares, que tinha o então prefeito Jackson Barreto como o grande coordenador. Em uma determinada semana estava previsto um comício na praça Fausto Cardoso, e precisávamos de uma grande movimentação. Para atrair público, grandes atrações artísticas deveriam ser contratadas. Nesse dia, o grande nome seria Chiclete com Banana, banda emergente à época. JB achou pouco, e sugeriu que fosse contratada a atriz Sandra Bréa que fazia grande sucesso na Globo. Solicitação atendida.
Chega o dia do comício. Engarrafamento infernal no centro da cidade, trânsito interrompido, um caos. Fui pessoalmente buscar Sandra no Hotel Palace por volta das 18.30, e qual não foi a surpresa, quando a encontro totalmente embriagada. Após uma tentativa para reanimá-la providenciada pela sua empresária, com banho frio etc, a coloquei no carro e rumamos para o comício. Uma pequena distância separava o hotel da Fausto Cardoso, mas devido ao congestionamento, levamos mais de uma hora e a atriz que já não está mais entre nós, simplesmente estava fora de controle. Ao subirmos no palco o espanto foi geral. Ainda assim lhe foi passado o microfone e ela não conseguiu pronunciar mais do que duas ou três palavras. Vexame total. Retirada do palco, Sandra ainda saiu aos berros para ser conduzida ao hotel.
MULATAS DO SARGENTELLI EM LARANJEIRAS

O ano era o mesmo, e a campanha também. Chega o dia de um comício em Laranjeiras. O saudoso Coronel Sizino, líder político local, solicita uma atração. Indiquei, e foi contratado, o cantor Belchior.
Chega o dia do evento, uma sexta feira, e por volta das 13hs recebo um telefonema do coronel, então Secretário de Administração do Estado, afirmando que o cantor não representava atração, não iria aparecer ninguém no comício, iria ser um fracasso etc.
E aí? Como resolver a situação?
De repente, tive um estalo. Estava em Aracaju, para um show no Constâncio Vieira, o consagrado Sargentelli com suas sensacionais mulatas. Me dirigi ao hotel onde ele estava e conversando com sua produção tomei conhecimento que eram 25 mulatas. Fiz uma proposta para levar 10 para Laranjeiras, no que foi acordado. Pronto. Coronel Sizino avisado, e carro de som para avisar na cidade.
À noite, praça lotada e grande expectativa pelas mulatas. Levei-as para a casa do coronel para que se arrumassem. De repente, chega o amigo Reinaldo Moura que avisa. “O governador está lhe chamando na praça”. E me avisou. “Ele não está nada bom com as mulatas aqui”. Já prevenido fui para a praça, já levando as dançarinas. Uma loucura de vibração popular. O governador então me diz que aquilo não ficaria bem, que a repercussão não seria boa, com aquelas mulheres semi nuas dançando em cima de um palco, em uma cidade tradicional como Laranjeiras. Ponderei que àquela altura dos acontecimentos não poderia cancelar porque aquele povo todo que estava ali era pela presença delas. Lhe disse então que elas dançariam uns 10 minutos e sairiam. João Alves concordou. Eu sabia que não daria certo. kkkk
Começa o show, e a galera vem abaixo. Com pouco mais de 10 minutos eu interrompo e show e digo que seria a última música. kkkk
Porque fiz isso? Vaias por todos os lados. Viro-me para o negão e pergunto. E agora governador? Ele responde. “É deixe aí”. Volto a empunhar o microfone e digo “pessoal foi brincadeirinha. teremos mais uma hora de show”. A galera foi a loucura. João Alves novamente me chama e já às gargalhadas diz “também não precisava exagerar não é grandão?”. kkkkk
JERRY ADRIANI. UM GRANDE PROFISSIONAL

Faço uma pergunta.
Quem trabalharia normalmente em qualquer atividade, duas horas depois de saber que o pai havia falecido?
Isso ocorreu aqui em Aracaju, no ano de 1988, campanha eleitoral de Lauro Maia para a Prefeitura de Aracaju.
Em um determinado dia, o cantor Jerry Adriany, de grande sucesso à época, foi contratado para um showmício.
Por volta das 16hs sou chamado ao hotel onde o cantor estava hospedado. Lá chegando, fui conduzido ao apartamento dele, onde o encontro aos prantos. Refeito do susto, tenho a informação que o seu pai acabara de falecer. Na mesma hora, lhe dou os pêsames e digo que iria cancelar o show. Qual não foi a surpresa, quando ele afirma. “Não. Cancelar o show não irá devolver a vida do meu pai”. À noite, em um ambiente carregado de emoção, Jerry, que também não está mais entre nós realizou um grande show.
SAFRA DE GRANDES ARTISTAS SERGIPANOS

A década de 80, entrando em 90 foi a época onde aconteciam grandes showmícios, atraindo grandes plateias nas campanhas eleitorais.
Trabalhando nas campanhas de 85,86,88 e 90, para ficar só nessas, contratei grandes nomes da música brasileira para aqui se apresentarem. Como sempre valorizei a prata da casa, aquele artista sergipano, geralmente sofrido e sacrificado, convencia aos contratantes que em cada show teríamos que colocar dois ou três nomes da terra, como uma espécie de preliminar.
Foi assim, que à época tivemos a oportunidade de trabalhar com nomes como Antônio Carlos Du Aracaju, Adalvenon, Roberto Alves, Irineu Fontes, Luiza Lú, Nicinha Santos, Joésia Ramos e outros. À época, nomes como Rogério, Amorosa, Gerson Filho e Clemilda já despontavam nacionalmente em programas como os de Chacrinha e Xuxa, e quando possível, também os contratava.

Carlos Batalha
Jornalista e Radialista
Jornalista e Radialista
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