Após denúncia realizada através de um dos canais de comunicação do Jornal Fan F1, a equipe de Reportagem deu início a uma investigação no Centro de Aracaju, mais precisamente nas imediações dos Mercados Centrais.
O denunciante dava conta de um possível comércio de medicamentos para tratar a impotência sexual, o popular Viagra, neste caso, o Pramil. Neste caso, este último tem a venda proibida no Brasil e são fabricados em laboratórios paraguaios.

Ao chegar em frente ao prédio da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (Acese), a equipe já visualiza uma movimentação atípica em torno da venda de outra substância de venda proibida, o chumbinho, utilizado para matar ratos. Este é oferecido mais abertamente ao público.
Após fazer contato com uma fonte, o jornalista foi introduzido no submundo da venda do medicamento e apresentado a um senhor, de aproximadamente 60 anos, responsável por comercializar a substância Pramil.
De forma muito camuflada e sem falar o nome do medicamento, o vendedor vai logo enaltecendo os efeitos: “É tiro e queda, o efeito é muito bom, não tem erro. Se for a sua primeira vez, é bom que você comece tomando metade de um comprimido e se der tudo certo você começa a tomar um inteiro e por aí vai”, dispara o senhor.
E continua: “Aqui eu tenho clientes certos e que já vem em busca do ‘azulzinho’, tem uma mulher que vem lá da Barra para pegar e levar para dentro do presídio. Para você eu faço 20 comprimidos por R$ 40. Mas se você quiser fracionado, eu te vendo quatro por R$ 12”. Inclusive, enquanto a equipe esteve no local, um veículo estacionou em busca do medicamento, numa espécie de drive-thru.
Como qualquer outro remédio, o Pramil pode ter efeitos colaterais e contraindicações, como explica a farmacêutica Priscilla Souza.
“Para a ereção dar certo, o Sildenafil componente do Pramil, é um facilitador da ereção, para homens que têm algum grau de disfunção erétil, seja de causa orgânica ou psicológica. Sua ação consiste em facilitar a entrada e a manutenção do sangue no pênis após um estímulo visual e tátil com a parceira. Esse mesmo composto, embora em menor quantidade, também é usado em remédios que combatem a hipertensão pulmonar, é importante frisar que remédio é remédio, e todo remédio deve ter orientação de um profissional habilitado, atendendo a indicações e necessidades corretas.

Farmacêutica Priscilla Souza
Todo medicamento pode trazer efeitos indesejados. Dores de cabeça, rubor facial, enjoo e alterações visuais são os efeitos mais comuns”, alerta a profissional.
Ela aponta para outros efeitos que podem causar inclusive a morte. “Tomar esse tipo de medicamento pode ser perigoso se o paciente também seguir um tratamento com medicamentos conhecidos como nitratos, normalmente prescritos para angina (dor no tórax), pois a combinação de ambos os componentes pode causar uma queda perigosa na pressão arterial.
Embora haja a necessidade de uma prescrição médica, a venda de Pramil, no Brasil, não passa por uma fiscalização, o que contribui para seu consumo indiscriminado. Até mesmo alguns jovens adultos que não sofrem com o problema de ereção, fazem uso do medicamento para impressionarem as parceiras. No entanto, a utilização incorreta e sem necessidade pode trazer danos à saúde mental e física”, diz Priscilla.
Procurada para falar sobre o assunto, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que quando esse tipo de comercialização acontece em via pública, é interessante que as denúncias sejam feitas para a Polícia Militar pelo 190. Caso esses pontos de comércio aconteçam em meio a feiras públicas, o que se torna mais comum, é importante que a vigilância do município aja com a definição de medidas administrativas e acionem as forças de segurança pública e até a Guarda Municipal, que pode encaminhar o caso para a Delegacia.
Segundo a SSP, recentemente, por exemplo, no último dia 2 de julho, um homem foi encaminhado para a Central de Flagrantes enquanto comercializava esse tipo de produto no Mercado Virgínia Leite, no Centro de Aracaju. Fiscais da Emsurb perceberam que um homem vendia chumbinho em meio à feira, a Guarda Municipal foi acionada e e identificou o homem com 12 papelotes com chumbinho.

O material foi apreendido e na Central de Flagrantes ele foi autuado pelo artigo 278 do Código Penal, por conta da venda de substâncias nocivas à saúde pública. Através de denúncias, a Polícia Militar também faz abordagens e conduções à Central de Flagrantes de pessoas que fazem esse tipo de venda ilegal em via pública.
Como se não bastasse o risco iminente na utilização desse tipo de medicamento, é importante ressaltar também que o consumidor precisa tomar algumas precauções na compra para não ser vítima de medicamentos falsificados. Somente farmácias e drogarias abertas ao público, devidamente habilitadas para funcionamento através dos órgãos competentes podem fazer o atendimento e venda de forma segura.
“Independentemente de terem sido falsificados, contrabandeados ou de não portarem registro de comercialização, os produtos oferecem imenso risco à saúde. Os falsificados, por exemplo, não contêm a substância ativa do original. No lugar, ou é colocado algo inócuo, como uma farinha qualquer, ou uma substância que pode fazer mal por sua toxicidade”, finaliza a farmacêutica.




