CARLOS BATALHA: “CASOS E CAUSOS DO COTIDIANO”!

CASOS E CAUSOS DO COTIDIANO

Mais um encontro nosso com os leitores da Folha de Sergipe para relembrarmos aqui alguns CASOS E CAUSOS do nosso cotidiano envolvendo a politica, a música, o esporte e os assuntos do nosso dia a dia.

O POETA AMARAL


O poeta Amaral Cavalcante era uma figura queridíssima nos nossos meios político, cultural, jornalístico e artístico.
Dotado de uma inteligência admirável, o poeta como era carinhosamente tratado, só deixou amigos por onde passou.
Embora de um temperamento às vezes explosivo, Amaral era disputado para as rodadas de prosa. Quando explodia com alguém, inchava o bico, tremia o bigode, kkkk, mas logo logo começava a sorrir da sua própria raiva, e pronto. Tudo logo passava.
Conheci Amaral juntamente com Sucupira (outra grande figura), no ano de 1985 quando da campanha de Jackson Barreto à Prefeitura de Aracaju. Fazíamos a coordenação de campanha de rua. De lá para cá foram várias as eleições em que trabalhamos juntos. Valadares em 86, Lauro Maia em 88, João Alves em 90, Reinaldo Moura em 92, Albano Franco em 94, João Alves em 98 e 2002, esta a última que estávamos lado a lado., Foram oito eleições, o que compreendem 16 anos.
Ao longo de toda esta trajetória, muitos CAUSOS aconteceram e separei um.

O POETA QUE VIROU PLANTA


O poeta gostava muito de receber amigos na sua residência na Atalaia. Ele era o que poderíamos chamar de “casa cheia”.
Os encontros na casa de Amaral começavam logo à tarde, e se prolongavam até a manhã do outro dia.
Jornalistas, escritores, poetas, cineastas, músicos, ou simplesmente amigos dele, todos estavam lá, e tome música, bebida e cantoria até o sol raiar.
Certa feira, estava em um dessas festas com o também saudoso amigo Gutemberg Chagas, e aguentamos o rojão até por volta das 3 da madruga. Nos despedimos, deixamos ainda muitos convidados, e a convocação para que às 11hs do domingo estivéssemos de volta para um churrasco.
O que é combinado, é combinado. Chegamos à casa do poeta por volta das 11:30hs. Qual não foi nossa surpresa quando ao pararmos o carro do portão da residência, observamos que a porta estava escancarada? Entramos, não vimos ninguém, mas nada de assalto. Ao retornarmos à porta foi que observamos uns pés pra cima saindo de dentro de uma enorme roseira. Vimos que era o poeta. Corremos para ajudá-lo, e ele ao despertar em pleno meio dia e luz forte no rosto, sem perder o humor ao ver a situação em que estava, deu uma sonora gargalhada e disse em bom tom. “Oxente quem me plantou aqui?”. Acho que morri e voltei a nascer sendo uma linda roseira”.kkkk


GRANDE RENATÃO

Renatão era uma figura folclórica e por demais conhecida em todas as campanhas eleitorais.
Surgido inicialmente na campanha do saudoso Viana de Assis para o senado da república no início da década de 90, Renatão (por onde anda?), homem de quase dois metros de altura, corpulento, voz estridente, passou depois de Viana a trabalhar nas campanhas de João Alves e Maria do Carmo. Encarregado de organizar as carreatas, soltar fogos e decorar os locais de comício, o nosso personagem, como aqui já citei, chegava a intimidar.
Como todo ser humano, Renatão tinha um ponto fraco. Ele se descontrolava ( no bom sentido) com zueiras da criançada. Era comum ver Renato reclamando do barulho de crianças, mas sempre com bom humor.
Certa feita, comício se não estou enganado na Sementeira, e de repente ouço uns gritos como que de aflição. “Batalha, Batalha, corre Batalha”. Assustado, temendo algum acidente, corri ao encontro da figura, e eis que me deparo com ele todo enrolado de bandeirolas ao redor do palco.
O fato, é que Renatão distraído, sentou-se ao lado de um dos pés do palco e começou a preparar o foguetório. Um grupo de crianças, (umas dez), pegando uma corrente de bandeirolas foi arrodeando o Renato sem que ele percebesse, e no momento certo puxaram a corrente que apertou em todo de todo o corpão dele. Se fosse outro, o grandão simplesmente teria partido tudo, mas para não querer estragar a decoração do evento, resolveu pedir socorro. kkkk Grande Renatão.

RENATÃO X BRANCA DE NEVE

Imaginem uma luta de gigantes.
Renatão x Branca de Neve.
Sem a menor dúvida esses dois nomes foram duas figuras folclóricas e queridas no período em que podia-se fazer campanhas de rua.
O interessante é que os dois eram rivais. Renatão como aqui já citamos começou com Viana de Assis e Branca com Jackson Barreto.
Em uma só eleição eles trabalharam juntos, exatamente em 1985 quando JB era candidato a prefeito, e Viana de Assis, o seu vice.
Pronto. As ruas de Aracaju transformava-se em uma festa só, e isso durante vários meses.
Após a cassação de Jackson, Viana de Assis assumiu a prefeitura, e os dois maiores organizadores de eventos de rua, espécie de chefes de torcida tornaram-se rivais, cada um trabalhando para um lado e dando o melhor de si para os seus respectivos candidatos.
Renatão e Branca de Neve, dois nomes que devem ser lembrados sempre na história da nossa politica.

 

Carlos Batalha
Jornalista e Radialista

 

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