“Falando em nome de todos, o que a gente passa é sofrimento, é fome, é não ter como pagar as contas, estamos em desespero”. Com estas palavras, o Presidente da Associação dos Garçons da Grande Aracaju (A.G.G.A), Salvador Santana, definiu a situação dos trabalhadores do setor de bares e restaurantes que se vêem seus postos de trabalho, e por conseguinte, sua renda, serem ceifados pela crise durante pandemia.
O bolso do consumidor e o faturamento de diversos setores da economia foram acertados em cheio com a disseminação da Covid-19, acarretando negativamente a permanência de diversos postos de trabalho.
Um dos campos mais afetados foi o de serviços e comércio, e em especial, os bares e restaurantes, vista a necessidade iminente de manter restrições no público e no horário de funcionamento, somada a diminuição no poder aquisitivo da população, que deixou de frequentar estes ambientes.

Salvador Santana, presidente da A.G.G.A
Para Salvador, este cenário recai diretamente sobre os profissionais do ramo, como garçons, barmans e ajudantes de cozinha, profissionais que atuam servindo alimentos, mas que hoje se veem na falta do mesmo em seus pratos. “É recorrente eu receber mensagens destes trabalhadores, me pedindo uma cesta básica para poder comer e sustentar sua família”, disse ele.
Fecham-se as portas e oportunidades
Dados de uma pesquisa de dezembro de 2020 da Associação Nacional de Restaurantes previam que 22% das empresas do setor iriam conseguir resistir à pandemia, e que cerca de 200 mil estabelecimentos devem encerrar definitivamente as operações. A iniciativa afirmava ainda 64% dos estabelecimentos do setor já haviam promovido demissões.
Em Sergipe, dados do Painel de Informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia revelam que entre Janeiro e Abril de 2021 mais de 14 mil pessoas foram desligadas de suas atividades
O que chama atenção é que desse total, é no setor de serviços e no comércio que a maioria dos empregos perdidos está concentrada, com destaque para as atividades que continuam com restrições. Foram 6.121 demissões no setor de serviços e 3.305 no setor de comércio.
Quem servia o alimento hoje anseia pelo seu
Segundo o presidente da AGGA, atualmente cerca de 1500 profissionais ligados à associação que atuam em bares, restaurantes e hotéis estão parados, o que representa uma retração de 70 % nos postos de emprego da categoria.
“A rotina do garçom hoje é esperar aparecer alguma coisa para colocar comida no prato, não há outra coisa a ser feita por alguém que toda vida trabalhou como garçom segurando uma bandeja, ou para quem obtém sua renda contando com sua atuação nestes locais”, lamentou.

A.G.G.A promove entrega de cestas básicas a profissionais da categoria
Nas palavras de Salvador, a Associação deseja neste momento articular em parceria com o Governo do Estado e a Prefeitura, a possibilidade de permitir aos bares e restaurantes um funcionamento sem restrição de horário, mas com apenas 20 a 25% do público e punições ao empregador que não cumprisse estas regras.
É sobre servir esperança
Para Salvador, mesmo com a situação financeira muito ruim, membros da associação esperam que as coisas melhorem os bares e restaurantes possam funcionar com melhores condições para todos, trabalhadores e frequentadores.
“Falando por mim, desejo que aqueles que estiveram afastados de seus postos sejam abraçados novamente no mercado, e que a partir de agora, depois da pandemia as pessoas vivam mais um com o outro, deixando as desavenças de lado”, disse ele.
O presidente afirmou ainda que possui expectativas para superação deste cenário de contágio acelerado e colapso no sistema de saúde, vislumbrando a recuperação econômica dos trabalhadores de bares e restaurantes.
“A esperança é que servir a comida no prato não seja apenas uma lembrança para estes trabalhadores, e sim uma realidade, uma vez que eles possam retornar aos seus postos de trabalho”, finalizou.




