CARLOS BATALHA: “CASOS E CAUSOS DE JOÃO ALVES FILHO”!

Começamos a nossa coluna de hoje desejando a todos os leitores da Folha de Sergipe um domingo de Feliz Páscoa em um período muito difícil em que estamos vivendo nesta segunda fase da Covid 19.
Como a  vida continua, estamos aqui orando pelos enfermos e pelas famílias enlutadas, e em mais um encontro com os Casos e Causos de João Alves Filho durante a sua vida pública e porque não dizer, também vida privada.
O FOGUETÓRIO INDESEJADO
O ano era 1985. O dia era 17 de março, aniversário de nossa capital.
Dentre as festividades que constavam na programação de aniversário, fazia parte uma missa a ser celebrada por Dom Luciano Cabral Duarte, então Arcebispo de Aracaju, na Catedral Metropolitana.
À época o amigo aqui trabalhava com a grande figura e grande ser humano, Raimundo Luiz, então, Secretário de Estado de Comunicação.
À vésperas do evento, Raimundo me chama em sua sala e diz” grandão providencie comprar várias caixas de fogos, e amanhã durante a missa todas as vezes em que o bispo falar em Aracaju, e em João Alves, mande papocar fogos”. Essas coisas o Negão não sabia porque ele gostava de primar pela discrição.
Ordem dada, ordem cumprida.
No outro dia, começa a missa, e o fogueteiro à postos, em frente a catedral, mais ou menos onde era a Iara. Como a distância era grande, e não daria para ele ouvir o que o bispo estava falando, combinei que quando fosse o momento eu levantaria uma mão e ele soltaria umas duas ou três girândolas. Para quem não sabe, uma girândola libera 456 tiros. Daí, vocês imaginam o barulho. Tudo certo.
Começa a missa, e Dom Luciano fala no aniversário de Aracaju. Mão levantada e tome fogos.
O bispo fala em João Alves, mão levantada e lá vem fogos. A igreja não entendia nada. João olhava com indignação, e o nosso Raimundo sorria pelo canto da boca.
De repente Dom Luciano diz.” Gostaria de pedir que parassem com os fogos ai fora porque o barulho está atrapalhando o culto”. Raimundo olha para mim, que olho para o fogueteiro e aceno duas, três vezes a mão, que por seu turno entendeu que era para triplicar os fogos, e aí tome-lhe barulho.
O bispo indignado, em voz alta reclama. Eu já pedi para parar com os fogos, caso contrário eu paro com a missa. João com semblante aborrecido chama Raimundo, e ao pé do ouvido ordena parar imediatamente. Raimundo me transmite a ordem que retransmito ao fogueteiro através de sinais.
Lembrem-se que lá em cima afirmei que a nossa comunicação era através de sinais e quando eu agitasse uma mão ele soltaria duas ou três girândolas.
Nervoso levantei as duas mãos em sinal de suspender tudo, o fogueteiro não entendeu nada, e se uma mão representava três caixas, duas representavam seis, e sendo agitada seria para dobrar. Exatamente o que ele fez. Ainda restavam dez a doze girândolas que foram estouradas de uma vez, para desespero de Dom Luciano, ira de João Alves, e susto de Raimundo Luiz, que indignado não sabia o que dizer.
Eu, da minha parte, peguei o caminho da roça, e como à época não existia celular só apareci no palácio três dias depois, e encontrei um sorridente Raimundo que dentro da sua característica de fleuma britânica, para minha surpresa falou.” Grandão, o Negão não gostou muito não, mas a cidade toda ouviu”. e gargalhou kkkk
MAIS FOGOS
Agora, já estamos em 1986.
 João Alves Filho governador, Jackson Barreto prefeito, e pasmem os mais novos, grandes aliados.
Eles, unidos, trabalhavam para a vitória de Antônio Carlos Valadares ao governo do estado.
As máquinas administrativas da prefeitura e do governo do estado trabalhavam juntas para a eleição do moço de Simão Dias.
A eleição era difícil e disputada, porque do outro lado estava José Carlos Teixeira com toda sua tradição e história política, além de contar com o apoio expressivo de grandes lideranças a exemplo da família Franco, de grande tradição e serviços prestados a Sergipe.
Os chamados showmícios aconteciam quase todos os dias com o objetivo de atrair público.
Em um desses eventos, inauguração da Av. Tiradentes, esquina com Rio Grande do Sul, quase uma tragédia acontece.
O comício acontecia, e a poucos metros de distância estava o fogueteiro dentro do seu carro aguardando o momento de começar a papocar.
Por muita displicência ele estava dentro do carro, abarrotado de fogos, e simplesmente fumando. De repente, uma faísca do cigarro caiu no piso do carro, acendeu um foguete e graças a Deus por muita sorte ele conseguiu pegar o foguete e atirar para longe. Uma tragédia evitada. O foguete papocou longe, só que não tão longe nem sem causar estrago.
Eu como estava um pouco distante não percebi nada, e de repente lá vem Jackson aos gritos “Batalha o irresponsável do seu fogueteiro jogou um foguete em direção ao palco e ele papocou embaixo da saia de uma mulher que mandei levar no Hospital João Alves.”. Eu lamentei e pedi desculpas, e JB então concluiu.” desculpas que nada. Já pensou se estoura dentro das calças de Valadares. Iriamos ter um governador goro e talvez capado”. Risos geral.
100 HOMENS CARREGANDO UM PALCO
Dia 07 de setembro de 1985, Dia da Independência, e showmício programado para o início da noite na Praça da Bandeira, tendo como grande atração a cantora Fafá de Belém, grande amiga de Jackson Barreto, então candidato a Prefeito de Aracaju.
De repente sou chamado em pleno feriado ao Palácio de Veraneio e o governador João Alves me diz. “Batalha, Jackson chegou aqui agora dizendo que o palco para hoje não pode ficar no local onde está montado porque está a menos de 500 metros do Hospital de Cirurgia”. Contestei. “mas governador tem 03 dias montando este palco e agora com som e iluminação em cima é que Jackson vem falar? Não tem condição de mudar”.
João chama Jackson, que diz com aquela voz rouca. “se for isso resolvo agora”. Ligou para uns amigos de construtoras e rapidamente uns 100 homens estavam no local, e nos ombros carregaram toda a estrutura por cerca de 300 metros, da Pedro Calazans/Praça da Bandeira, até a Gonçalo Prado.
À noite, quando do comício, João tirou onda. Virou-se para Fafá de Belém e falou. “Fafá, eu sou o governador. Agora quem tem prestígio é Jackson. Em poucos minutos arranjou 100 homens fortes para carregar esse palco”. Gargalhada geral, inclusive de Fafá que além do valor artístico é conhecida pela gostosa gargalhada que solta.
JOÃO E O PERIGO NO AVIÃO
Esta quem me contou foi o querido amigo e irmão Reinaldo Moura.
Certa feita estava Reinaldo em Brasília, como deputado estadual, e foi visitar João Alves, então Ministro do Interior, onde ele teve um desempenho extraordinário no ministério mais forte da época do presidente Sarney.
Precisando retornar a Aracaju, Reinaldo que estava acompanhado de outro deputado, se não estou enganado, Jerônimo Reis, avisa da sua intenção ao ministro. De imediato, João diz.”Reinaldo vamos no jato da FAB até o Ceará onde farei uma inauguração rápida, e de lá seguiremos para Aracaju”. Tudo ok.
O avião levanta voo com destino a terra de Padre Cícero. Ao se aproximar do local do evento, o avião jogava para todos os lados. Reinaldo e o deputado acompanhante tremiam mais do que vara verde, e o Negão com uma viseira, simplesmente dormia. De repente o piloto avisa. “Ministro, vamos retornar. Não existe condição de pouso. Reinaldo vibrou. João Alves vira-se para o piloto e diz. “nada disso. temos que descer. vou inaugurar a obra” O piloto retruca. “Ministro não temos condições”. João afirma. “isso é uma ordem”. No que o piloto retruca. “lá embaixo o senhor manda, Aqui em cima quem manda sou eu”. Vibração do Rei e do outro deputado.
João Alves, como sempre foi  de conciliar, olha para todos e diz “tá bom. vamos voltar”. Coloca novamente a viseira, e volta a dormir o sono dos justos.
Esse era João Alves. Quando via que não estava certo concordava com os seus assessores e subordinados.
Até o próximo domingo, com as graças do bom Deus.
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