Com base no laudo cadavérico e nas informações iniciais que compõe o inquérito sobre a investigação da morte do advogado Geffeson Moura Gomes, na Paraíba, o tio e advogado dele, Geraldo Quirino, afirmou: “os policiais sergipanos agiram como bandidos, violando a cena do crime, e abandonando o corpo de Gefferson na porta de um hospital”.
Geraldo foi entrevistado com exclusividade pelo Jornal da Fan, da rádio Fan FM, na manhã desta quarta-feira, 24.
Nessa terça-feira, 23, o delegado e os policiais sergipanos envolvidos na morte do advogado foram presos. O pedido de prisão temporária foi expedido pela Justiça da Paraíba.
Para Geraldo, a prisão dos envolvidos foi justa e deixa claro o erro que teria sido cometido por eles ao matar o advogado de 31 anos, que não era alvo dos policiais como o delegado geral da Polícia Civil de Sergipe, Thiago Leandro, já reconheceu, também em entrevista ao Jornal da Fan.
Na mesma entrevista, o delegado garantiu que a operação desenvolvida pela polícia sergipana não era clandestina e que a Polícia Civil da Paraíba sabia da presença dos policiais no estado, versão que voltou a ser questionada.

Sylvio Rabelo – superintendente da Polícia Civil da Paraíba
O superintendente da Polícia Civil da Paraíba, Sylvio Rabelo, afirmou que a Delegacia-Geral da Paraíba só foi avisada sobre a operação 1h antes da morte do advogado. Ele ainda garantiu a imparcialidade da investigação.
“Iniciamos a investigação de forma serena, tranquila e imparcial. O que mais foi de encontro com a versão dos policiais sergipanos, foram as oitivas deles, de testemunhas e a própria perícia técnica. Ela apresenta resultado desfavorável aos policiais civis sergipanos. Diante disso, com o apoio do Ministério Público da Paraíba, concluímos que seria mais viável, no momento, o pedido de prisão preventiva”, detalhou Sylvio Rabelo.
Defesa
Quem também participou da entrevista ao Jornal da Fan, foi o advogado de defesa de um dos policiais envolvidos no caso, Cícero Dantas, o mesmo que atuou em defesa dos policiais acusados de matar o designer de interiores Clautênis José dos Santos, de 37 anos, em 2019, na Zona Norte de Aracaju. Clautênis foi morto em uma ação equivocada da Polícia Civil.

Cícero Dantas – advogado
Cícero disse que vai se inteirar do caso hoje e que, por este motivo, não poderia emitir posicionamentos mais completos sobre o caso, mas adiantou que deve pedir a conversão da prisão temporária em medidas cautelares.
“A prisão temporária deve acontecer quando os investigados atrapalham o curso da investigação, o que não acontece. Eles se apresentaram voluntariamente”, pontuou.
Questionado quais os motivos para que os nomes dos envolvidos não fossem divulgados até o momento, Cícero explicou que na fase investigatória, se deve preservar a identidade dos investigados, para que não os exponham e os tornem pessoas efetivamente condenadas.
Entenda o caso
O advogado Geffeson Moura Gomes, de 31 anos, foi morto no dia 16 de março, no município de Santa Luzia, Sertão da Paraíba, durante uma abordagem da Polícia Civil de Sergipe.

Corpo do advogado na porta do hospital/ Foto cedida pela família
A abordagem fazia parte de uma operação de combate ao tráfico interestadual de drogas. O advogado havia saído de João Pessoa, para o município de Cajazeiras para cuidar do pai que estava com Covid-19. De acordo com depoimentos dos policiais sergipanos, ao ser abordado, o advogado estava armado e esboçou reação. Após ser baleado com sete tiros, a vítima foi deixada na porta de um hospital municipal.
A família diz que o advogado não tinha arma. A Polícia Civil da Paraíba aponta que a arma apresentada como sendo do advogado, pertencia a um policial militar de Sergipe.




