De fato, não foi um casamento de verdade, e sim uma simulação. Conforme apurado pelo F5 News, o casamento fake foi um protesto do setor de eventos, diante da proibição da realização de festas como casamentos, formaturas, etc, decretada pelo Governo do Estado no início deste mês. Essas medidas passaram a valer especificamente no dia 05 de março, mas segundo o cerimonialista Vailton Linhares, o setor já amarga prejuízos desde março do ano passado.
“Nós fomos os primeiros a fechar e os últimos a voltar a trabalhar. Quando estávamos voltando a realizar eventos, seguindo todos os protocolos de segurança, veio esse novo decreto”, lamenta o profissional.
A escolha do local para a realização do protesto, segundo Vailton, se deu pelo fato de que todos os setores sofreram alterações e restrições, exceto o transporte público, e com isso, a categoria entendeu que somente este segmento é seguro contra o novo coronavírus. O argumento, no entanto, tem um tom de sarcasmo. Como F5 News mostrou ontem, as aglomerações no transporte público continuam sendo registradas em Aracaju.
“Esse foi o único setor que não foi mexido. O governo não aumentou a frota, não fez fiscalização, então deu a entender, automaticamente, que as autoridades entendem que é um lugar seguro contra o novo coronavírus”, afirma Vailson em entrevista ao F5 News.
O cerimonialista ressalta que a manifestação não é um pedido para a retomada dos eventos, pois a categoria entende a necessidade de restrições diante das altas taxas de ocupação em leitos de UTI do sistema de saúde. O que os profissionais buscam é a atenção do governo e medidas financeiras que possam diminuir os prejuízos.
“Em momento nenhum o governo do estado nos procurou para um diálogo, para entender como estava a situação. Ele precisa estudar um possível auxílio para os profissionais do setor. Porque até então nós sabemos que o comércio foi afetado, mas não 100%. Eles sofrem restrições de horários, mas ainda permanecem. Já nós tivemos 100% da realização dos eventos proibida”, argumenta.
Vailton, que atualmente é representante da Comissão de Cerimonialistas de Sergipe, conta também que após o decreto, anunciado em 4 de março, os eventos que estavam agendados para aquele final de semana, tiveram grandes prejuízos financeiros. “O nosso clamor hoje não é para o retorno dos eventos. O que estamos buscando é justamente que ele (o governador) nos enxergue e estude com o seu secretariado uma forma de lançar um auxílio, como foi feito em outros Estados, a exemplo da Bahia, do Maranhão, do Ceará”, acrescenta.
F5 News buscou respostas do Governo do Estado sobre as reclamações do setor, no entanto, até a publicação desta matéria não houve posicionamento. O espaço permanece aberto.
Nessa terça-feira, o governador Belivaldo Chagas anunciou a criação de uma linha de crédito de R$ 50 milhões no Banese para os setores afetados pela crise decorrente da pandemia, incluindo os profissionais que trabalham na área de eventos.
Edição de texto: Will Rodriguez
Por Laís de Melo






