Conheci Aracaju ainda menino, com mais ou menos 12 anos, quando de férias do meu
colégio em Salvador passei as férias de final de ano nesta cidade na casa de uma tia
minha(Luzia), sem nunca sonhar que um dia viria fixar residência aqui.
Os anos foram passando, outras férias vieram, eu outra vezes em Aracaju, até que o
destino, exatamente em 1974, me reservou uma surpresa. Trabalhando em Salvador, quase
um garoto, na Rádio Sociedade da Bahia, fiz amizade com um grande sergipano, Reinaldo
Moura, que por lá fazia um tremendo sucesso no rádio e na TV. Exatamente em meados
daquele ano, Reinaldo recebeu um convite para dirigir a Rádio Cultura de Sergipe e me
formulou um chamamento para vir também, no que aceitei de imediato e aqui tracei minha
trajetória de vida até os dias de hoje, mas isso é história para outro artigo.

Àquela época, Aracaju nascida na Colina do Santo Antônio, era uma pacata cidade, com
pouco mais de cem mil habitantes. asfalto quase não se via por aqui, a não ser na Av. Paulo
Barreto, recentemente inaugurada, Av. Simeão Sobral e mais umas duas. As demais vias
eram calçadas a paralelo, ou ainda de piçarra. Grandes avenidas como João Ribeiro e João
Rodrigues começavam a nascer.

Às famílias e os casais de namorados tinham o costume de conversarem nas portas de
suas respectivas casas até tarde da noite, sem que nenhum marginal ou ladrão
incomodasse.
A entrada da cidade era uma só, apenas pela Rua Mariano Salmeron, alcançando a
Laranjeiras, e pasmem os senhores, a saída também. Ou seja mão e contra-mão. Dificil de
acreditar né?
Quando surgiu a Rua São Cristovão como opção de saída da cidade foi um alívio.
Junto com a nova saída veio a Rodoviária da Praça João XXIII, começando a dar ares de
uma cidade em desenvolvimento.
Os ônibus interestaduais e intermunicipais entravam em nossa capital trazendo os
conterrâneos do interior e também de outros estados que acompanhavam o crescimento de
nossa capital.

A cidade ia crescendo e eu à época trabalhando na Rádio Liberdade de Sergipe a tudo
acompanhava e vibrava. Os cinemas a exemplo do Rio Branco, Aracaju, Palace, Vitória e
outros estavam sempre lotados. A Praia de Atalaia era o grande cartão postal da cidade, e
surgia o segundo calçadão do Brasil, o Calçadão da João Pessoa, já na administração
revolucionária de João Alves Filho como prefeito da capital.



Usando a analogia, de 1975,76 em diante, Aracaju começou a evoluir, saiu da infância,
entrou na adolescência, chegou a fase adulta com seus grandes investimentos e avanços
em todas as áreas, sem no entanto perder seu ar brejeiro, sua doçura, e seu encanto de
uma menina moça encantadora e sedutora.
As grandes obras surgiram e continuam surgindo, e vários mosaicos são poucos para que
possamos mostrar o avanço desta cidade sedutora, cativante e que conquista a todos.
Costumo dizer que Aracaju possui um visgo que segura quem aqui chega.
Parabéns Aracaju pelos seus 166 anos. Parabéns a todos que aqui nasceram e aqui
residem, e tenham certeza que isso é uma dádiva divina.

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