Quaresma: morte de mulher pode provocar queda na venda de peixes em Sergipe

A veterinária Pryscila Andrade, de 31 anos que morava em Recife (PE) e estava internada em um hospital da cidade desde o último dia 16, morreu nessa terça-feira, 2. Após consumir um peixe da espécie arabaiana, ela e a irmã dela foram diagnosticadas com Síndrome de Haff, conhecida como “doença da urina preta”.

Pryscila Andrade- veterinária, de 31 anos

Até o momento, Sergipe não tem nenhum caso registrado da doença, apenas Recife, Bahia e localidades da região amazônica, mas quem sabe da existência da síndrome se mantém receoso com a venda e consumo dos pescados.

Com a chegada da quaresma, é comum o aumento no consumo de pescados pelo país, mas os comerciantes que vendem peixes aqui em Sergipe tem apresentado preocupação com o caso da morte registrada após o consumo do alimento em Recife.

Erik Pablo comercializa peixes no Mercado Albano Franco no Centro de Aracaju e disse que já ouviu boatos de pessoas que urinaram preto após terem consumido o peixe arabaiana, mas não tinha conhecimento em si sobre a síndrome, mas teme que a doença também seja registrada por aqui.

“Pode acontecer dessa doença chegar por aqui e impactar nossas vendas, então dá uma certa insegurança na gente. O peixe quando chega aqui, a gente primeiro lava ele e depois coloca ele no gelo para que não estrague. Quando o cliente compra, a gente limpa e tira tudo que é descartado do peixe, seguindo todas as medidas para entregar um peixe limpo”, disse.

Erik Pablo – Comerciante / Foto: Talisson Souza

Cássio José, também comercializa pescados no Mercado e soube da doença através de vídeos publicados na internet sobre o caso das mulheres que foram diagnosticadas com a síndrome. Segundo ele, alguns clientes já o questionaram sobre o assunto, apresentando preocupação sobre a doença.

“A gente tem receio, fica com muito medo depois que saiu essa divulgação sobre o caso e espera que seja só situação isolada mesmo. Acho que é preciso ter mais estudo sobre o que está acontecendo pra saber se a causa da doença é de algum alimento que o peixe come ou algo que passa pra ele”, disse Cássio em tom preocupado.

Cássio José – Comerciante / Foto: Talisson Souza

Danilo Matos estava fazendo compras no Mercado e afirmou que já ouviu falar da doença, mas não sabia do que se tratava. Quando soube do caso das irmãs em Recife, ficou preocupado e alertou para o cuidado na hora da compra do alimento.

“Geralmente a gente tem o entendimento de que pescado é um alimento saudável e a gente não sabe dessas anormalidades que podem conter nesses alimentos. Eu costumo comprar sempre no mesmo vendedor para ter mais segurança. Eu acho que a gente tem que pesquisar mais sobre o caso e tomar cuidado quando for comprar o pescado”, disse.

Danilo Matos – Consumidor de pescados / Foto: Talisson Souza

O que se sabe sobre a doença

De acordo com o médico infectologista, Matheus Toldt, essa doença rara tem se tornado eminente após crescimento no número de casos pelo país. Ele explicou que especialistas já cogitaram que a síndrome teria origem bacteriana, mas essa hipótese foi descartada pela comunidade científica e até onde se sabe ela é provocada por uma toxina.

“A transmissão da doença só ocorre através da ingestão desses animais contaminados (crus ou cozidos). A maioria dos casos, se adequadamente tratados, evoluem com melhora, mas pode haver insuficiência renal ou até mesmo óbito”, explicou Matheus.

Matheus Toldt – Médico Infectologista / Foto: Arquivo Pessoal

O diagnóstico da doença baseia-se na manifestação dos sintomas (dor e rigidez muscular, e urina escura), achados laboratoriais (evidências de lesão muscular) e histórico de consumo de peixe ou crustáceos nas últimas 24h.

“A prevenção é consumir esses alimentos apenas de fontes confiáveis. Não há um antídoto para a toxina que causa a doença, portanto o tratamento baseia-se na hospitalização do paciente, hidratação via venosa e acompanhamento da evolução do quadro”

 

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