Covid-19: Seguindo tendência nacional, cresce número de jovens internados em Sergipe

Nos últimos meses, o número de pacientes com Covid-19 que possuem faixa-etária entre 15 e 49 anos e que estão internados em enfermarias e UTI´s tem crescido nos diversos hospitais pelo Brasil.

De acordo com Lysandro Borges, coordenador da força-tarefa contra Covid-19 em Sergipe, mais pessoas jovens estão se contaminando com as novas cepas, que, segundo estudos, possuem poder maior de infecção.

“Muitas dessas pessoas mais novas estão se expondo mais, não usam máscara de proteção e seguem se aglomerando. Temos o exemplo da cidade de Salvador. Essa é uma tendência do mundo e chega com toda força nessa segunda onda no Brasil, especialmente em Sergipe”.

No estado, o número de óbitos em jovens chegou ao número de 401 vítimas e 104.098 mil pessoas desse grupo já testaram positivo, de acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) na noite desta terça-feira, 2.

Segundo a médica intensivista Suzana Lobo, presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, o número de internações de pacientes com até 55 anos quase dobrou em alguns hospitais nos últimos dois meses.

“Não foi realizada uma pesquisa, mas o que observamos é que vem aumentando o número de jovens [internados por conta da covid-19], e médicos do Brasil relatam esse aumento”, conta. A especialista explica que o fator de preocupação é que esses doentes têm a tendência de ficarem mais tempo internados do que idosos doentes, o que diminui sensivelmente a rotatividade de vagas nas UTIs.

Um desses exemplos é o jovem sergipano Bruno Vasconcelos. Ele ficou internado por sete dias no Hospital Regional de Estância e descobriu a doença após ter febre, dores no corpo e dor de cabeça. Ao fazer o teste RT-PCR o resultado foi positivo. Desde que se curou da doença, Bruno apresenta sequelas, como dificuldades respiratórias, dores de cabeça frequentes e um quadro de hipertensão.

“Eu estava me cuidando, mas acredito que, assim como a maioria das pessoas, os cuidados foram um tanto minimizados. Por exemplo, desde reduzir a higienização de produtos que entravam em casa, até mesmo visitar bares e restaurantes. E por mais que a gente tente se convencer de que é só seguir os protocolos, aferir a temperatura e ter um pouco de álcool em gel na porta dos estabelecimentos, isso não torna qualquer ambiente seguro” relatou.

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Bruno também contou que se sentiu bastante assustado ao precisar usar máscara de oxigênio. “O sentimento que predominava era tristeza. Primeiro por estar naquela situação, então vem aquele sentimento de culpa, buscando entender o que eu fiz de errado. Segundo, porque por vários dias eu era o único paciente sem entubação na UTI, então era muito angustiante olhar ao redor e pensar que por pouco eu poderia estar na mesma situação”, disse o jovem.

E finalizou: “O nosso país nos leva crer que estamos mais inseguros hoje do que em qualquer momento anterior da pandemia. Eu só desejo, de coração, que a gente consiga superar essa situação, mesmo que isso pareça difícil de acontecer”.

 

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