Nesta última matéria da nossa série especial sobre os principais desafios que as gestões dos municípios que compõem a Região Metropolitana de Aracaju devem enfrentar nos próximos quatro anos, falamos agora sobre a “terra dos cajueiros e papagaios”, Aracaju, a cidade que há 162 anos é a capital de Sergipe.

O município é o maior do estado em densidade demográfica, com uma população estimada em 664.908 de aracajuanos e aracajuanas que vivem atualmente na cidade, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre a avenida Santos Dumont na Zona Sul e as águas mornas do Oceano Atlântico estão a Orla e a Praia de Atalaia, umas das maiores Orlas do Brasil e a praia mais conhecida do estado. No local, estão os Arcos da Orla, o cartão postal mais famoso de Sergipe, além de uma grande variedade de restaurantes e toda uma estrutura de lazer para quem vive ou para quem está apenas de passagem pela capital.

Quem vem e conhece Aracaju não pode negar sua beleza, mas quem mora nela sente diariamente as principais deficiências e desafios que o prefeito reeleito em 2020, Edvaldo Nogueira (PDT), deve enfrentar nessa nova gestão.
Ocupação e moradia
“Se ele remover a gente aqui da beira da praia, nós pescadores vamos trabalhar onde? Onde ele vai encontrar uma outra área como essa pra colocar a gente?”
Esse é o relato do seu Humberto dos Santos, pescador aposentado que vive em uma pequena comunidade situada no trecho final da avenida General Calazans no Bairro Industrial.

Desde a construção da Orlinha do Bairro, ele e outros 21 pescadores foram notificados pelo governo que seriam removidos do local e integrados em outra parte da cidade. Passaram-se os anos e segundo ele, “nem vereador, nem prefeito, nem senador, nem deputado, ninguém” falou mais sobre o assunto.

Para Humberto, a situação dele e dos outros moradores do local será um dos desafios que o prefeito Edvaldo Nogueira terá que buscar solução nesta gestão. Segundo ele, “a vontade de todo mundo (que moram ali) é de que o prefeito oficialize e regularize o local como uma vila de pescadores. “A vontade da gente é continuar aqui para trabalhar”, disse.
Oferta, procura e demanda de emprego
No Centro da cidade encontramos Júnior Lira, graduando na área de informática que está desempregado há seis anos. Ele disse que tem trabalhado de forma autônoma para poder adequar sua renda à realidade em que estamos vivendo.
Júnior disse que apesar de ter conhecimento em vários ramos, tem sido difícil conseguir uma vaga de emprego na capital, ainda assim afirmou que se mantém na expectativa de conseguir uma oportunidade ainda este ano.

Ele acredita no potencial da cidade para a criação de novos empregos, mas alegou que isso depende da “forma como o prefeito vai se organizar” neste período à frente da gestão.
“Nossa região é muito vasta em termos de clima, acessibilidade e tem muitas pessoas capacitadas para trabalhar. Muitas delas tem que vir de longe para trabalhar aqui, isso faz com que enfrentem muitas dificuldades. Com uma boa gestão eles podem organizar isso muito bem”, sugeriu.
A capital e o potencial turístico
Com seis quilômetros de Orla e 35 de praia, Aracaju possui um dos maiores potenciais turísticos entre todas as capitais do Nordeste, principalmente ao se considerar o tamanho da cidade e do estado.
Em um dos quiosques localizados próximo ao estacionamento do Oceanário de Aracaju, na Orla de Atalia, encontramos Davi dos Santos, um comerciante que trabalha no local há mais de seis anos.

Durante nossa entrevista, Davi reclamou que só consegue trabalhar no período da noite, pois é o único horário que aparecem turistas nessa região da Orla.
“A praia aqui próxima ao Aquários Praia Hotel é uma área morta para o turista durante o dia. Depois de dois ou três dias na cidade, o turista gosta de ficar próximo do hotel, porque ele não tem mais disposição para ir as praias mais distantes”, explicou o comerciante.

Davi espera que nesta nova gestão o prefeito dê mais visibilidade para o principal ponto turístico da capital “para que os turistas sempre pensem em retornar para a nossa cidade”.
Turismo, lazer, moradia, infraestrutura, saúde, educação; As instituições que fazem funcionar uma sociedade nunca deixarão de precisar de melhorias e esse desafio não se resume ao investimento em construir. Para o povo que vive em Aracaju, a prefeitura pode buscar também na inovação do que já existe, um segundo ou terceiro caminho no processo de avanço para que a capital volte a ter o título de cidade da qualidade de vida.




