“Não é questão de política, é questão de ciência”, afirma imunologista sobre vacina contra Covid

O Jornal da Fan desta quinta-feira (14) entrevistou a médica imunologista e alergista, Juliane Machado, que incentivou o uso da vacina pela população e afirmou que o assunto se trata de ciência e não sobre política.

De acordo com ela, “independente da vacina, o objetivo é o mesmo: alcançar um nível de anticorpos que combatam a doença. Cada fabricante pode usar um mecanismo diferente para isso”.

Início da vacinação

A médica explicou que para que a vacinação seja iniciada em caráter emergencial, “a Anvisa exige que a vacina tenha sido testada em pacientes brasileiros e que esteja na fase três de testagem.

Ela explicou que, na comparação com o benefício e possíveis riscos ao se vacinar, as vantagens em usar o imunizante é “infinitamente maior” do que os efeitos colaterais que possam ocorrer após a aplicação.

“Não só com a vacina da Covid-19, mas também qualquer vacina pode ter efeitos colaterais, mas que são localizados, simples e fácil de resolver, como dor no braço, mancha vermelha ou um pouco inchaço no local da aplicação”, disse.

Eficácia

Juliane explicou que, com base nos dados divulgados pelo Instituto Butatan, a eficácia da Coronavac pode ser explicada da seguinte forma: quem toma a vacina tem 50,4% de chance de não pegar a doença ou desenvolver sintomas; 78% das pessoas que forem infectadas, mesmo depois de vacinadas, não necessitarão de atendimento médico; quem precisar de atendimento médico (22%), as chances de não apresentar quadro grave de saúde ou vir a óbito pela doença são de 100%.

“Nosso principal objetivo agora é diminuir a mortalidade. Depois que a gente controlar essa pandemia e diminuir o número de óbitos, será avaliado o quanto esse vírus ainda está circulando, qual vai ser a necessidade de revacinação e outros fatores”, disse a infectologista.

Para ela, é importante que as pessoas “pensem no coletivo” neste momento, ou seja, “existem pessoas que tem imunodeficiência que podem não estar protegidas e quem não tomar a vacina pode ser uma fonte transmissora da doença”, explicou.

Mitos e receios

Juliane explicou que o uso de qualquer uma das vacinas não altera o DNA de pacientes. Além disso, pontuou também que a vacina não faz com que o paciente contraia a doença.

“No mecanismo de formulação da vacina é utilizado o vírus desativado. Ele não é capaz de provocar a doença, mas é capaz de ativar o sistema imunológico e ativar os anticorpos”, explicou sobre possíveis sintomas de gripe após a vacinação.

Sobre o temor de parte da população pela vacina, ela afirmou que “essas resistências, dúvidas e medos” acompanham a humanidade ao longo de anos, mas que independente disso a eficácia dessas vacinas sempre são comprovadas.

Ela acredita que a imunidade de rebanho pode ser atingida no Brasil quando aproximadamente 75% da população for vacinada, o que segundo ela ainda pode acontecer ainda este ano.

Deixe uma resposta