“Ainda é cedo para ler o resultado das eleições 2020”, afirma cientista político

Em entrevista ao Jornal da Fan na manhã desta terça-feira (8) o professor e pesquisador da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Wilson José, fez uma análise sobre o cenário político com o fim das Eleições Municipais 2020 e, segundo ele, “ainda é cedo para ler os resultados precisos dessas eleições”.

De acordo com o pesquisador, diferente da política do exterior, citando os Estados Unidos como exemplo, que também teve eleições esse ano, a política brasileira se baseia na criação de bases após o resultado das eleições e não antes da realização do pleito. “O pós-eleição aqui no Brasil tem mais força que o próprio resultado dela, essa é a nossa característica política, um sistema de crises e de novos apoios constantes onde as bases são formadas depois de um resultado final”, explicou.

Sobre as eleições em Sergipe, Wilson observou que a mudança provocada pelo pleito se deu em partidos que comumente exerciam dominância política em alguns municípios do estado e o que nessas eleições tiveram um resultado diferente.

“Para Sergipe, algumas lideranças se mantiveram com relação a algumas prefeituras, mas há um quadro de fragmentação partidária presente aqui”, explicou o professor, apontando como causa desse resultado a fragmentação política registrada nesse pleito em virtude de, segundo ele, mudanças na própria legislação, que esperava uma união política maior com o fim das coligações mas que assim não aconteceu.

“O PSD teve crescimento forte, o PSC e outros partidos aqui no estado. Eles que vão determinar o sucesso dos candidatos nas próximas eleições gerais que acontece em 2022”, disse.

Wilson considerou que “os partidos de esquerda levaram um baque muito grande nessas eleições” e argumentou que isso aconteceu “pela força que tinha o PT e pelas consequências e escândalos que vieram a tona a partir de 2013”. Para ele, os partidos de centro-direita foram os que obtiveram os melhores resultados este ano.

Ainda sobre a esquerda, o cientista político afirmou que “o enfraquecimento do PT faz com que novos partidos de esquerda surgissem ou que os que já existiam ganhassem força” e considerou uma realidade semelhante para a direita. “Não vimos partidos tão radicais nessas eleições, mas sim partidos de centro-direita. O PSL, por exemplo, teve um crescimento significativo em 2018, elegendo até mesmo um presidente e esse ano se projetou mal nas eleições”, comentou.

Eleições municipais e a política nacional

Wilson enfatizou durante a entrevista que mesmo com candidatos apoiados pelo presidente perdendo a eleição, não se poder afirmar que o presidente perdeu forças, pois, segundo ele, “o presidente sabe reverter essa derrota com apoio político e alianças. É muito cedo para se pensar que alguém ganhou ou perdeu”.

Ele pontuou ainda que “o fortalecimento do ‘centrão’ pode significar o fortalecimento do presidente, dependendo da maneira como a política seja posicionada a partir de janeiro. Vai depender da relação de grupos políticos com o governo federal. Exemplo disso é termos pessoas do governo do PT hoje inseridos no governo Bolsonaro”.

Por fim, o pesquisador explicou que “são nas eleições municipais que as lideranças estaduais conseguem mostrar o seu poder e se melindrar para o pleito de dois anos depois, nesse caso para 2022, o que pode ser diferente com a fragmentação e crescimento de alguns partidos”.

Questionado sobe um realinhamento político mundial, principalmente após a vitória de Joe Biden nos Estados Unidos, Wilson afirmou “as derrotas de partidos da direita ao redor do mundo e até mesmo de seu maior representante, Donald Trump, é muito cedo para dizer que há um retorno da esquerda ao poder de fato. Vivemos um período muito polarizado”.

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