Carlos Batalha: Eleições de Aracaju – erros e acertos de marketing!

Meus amigos e minhas amigas, após o ano de 2006 quando a legislação eleitoral proibiu os showmícios (que gastava uma verdadeira fortuna) e que terminava influenciando a presença de grandes públicos, o marketing passou a ser mais explorado a ter uma maior atenção, principalmente após a era Duda Mendonça, João Santana, Nizan Guanaes e Washington Olivetto, tidos como os cabeças do marketing publicitário eleitoral no país tiveram uma importância fundamental nesta área.

Na realidade, o marketing bem feito, muita das vezes até não tão verdadeiro, muito colorido, com muita elasticidade, com muitas inserções, muita música e muita festa, com muito oba-oba e auê termina influenciando positivamente em uma eleição. Da mesma forma que o marketing mal feito e mal conduzido sem uma pesquisa qualificativa que o oriente pode levar o candidato até uma derrocada. Analisando o resultado do dia 15 de Novembro, quando tivemos o candidato Edvaldo Nogueira (PDT) à frente com a Delegada Daniele Garcia (Cidadania) em segundo lugar, provocando a realização do 2º turno no dia 29 deste mês, Rodrigo Valadares (PTB) em 3º lugar, Márcio Macedo (PT) em 4º lugar, Lúcio Flávio (Avante) em 5º lugar, Georlize Oliveira (DEM) em 6º lugar, Alex Pedrão (PSOL) em 7º lugar para ficarmos só nesses primeiros que estão na casa do milhar em termos de votos, nós fazemos a seguinte pontuação.

Edvaldo Nogueira seguindo o estilo Carlos Cauê, com muita alegoria, jogando para o lado emocional, utilizando muito o lado de ilustrações, que alguns produtores e editores não gostam por achar que sujam o filme. Eu, particularmente, gosto muito, uma espécie de comercial varejão, porque além de vc fazer com que o telespectador ouça por exemplo a mensagem que vc está levando ao público. Assim como faz com que ele visualize, reforçando a mensagem. Então, Cauê não teria maiores dificuldades para fazer essa campanha de Edvaldo, até mesmo porque o candidato está no exercício do mandato e tem obras para mostrar e ilustrar tudo aquilo que é dito.

Daniele Garcia, a princípio, fez um marketing equivocado. Trata-se de um excelente produto ela veio cercada de muita expectativa, principalmente no quesito ao combate à corrupção, seriedade com administração, mais o seu marketing exagerou, em especial, nos primeiros 15 dias onde a cena dela entrando no programa eleitoral e nas inserções atemorizava as pessoas. Ela entrava, parecia que estava indo para um duelo simulando que puxaria uma arma e o seu jeito sério (carrancudo até mesmo de dirigir ao público) quando na verdade ela não é nada disso. Daniele é uma pessoa dócil, afável, de fácil comunicação e o seu marketing só veio descobrir isso quase que tardiamente, quase prejudicando a ida dela ao 2º turno. Mais conseguiu recuperar-se a tempo, dando leveza no posicionamento, dando leveza na fala, sorrindo tirando a camisa polo e vestindo-se de uma maneira mais suave, mais sutil, mais elegante. Então, essa modificação foi fundamental para que ela garantisse a sua ida ao segundo turno.

Já o marketing de Rodrigo exagerou na dose. Ele optou pelas críticas, às vezes até agressivas demais, às vezes com alguns filmes parecendo uma encenação de teatro (artifício bastante utilizado), muitas vezes desfocava imagens, outras vezes surgia no escuro como se estivesse surgindo do labirinto. A princípio, chamou muita atenção tanto que ele subiu para 10 pontos e depois estagnou, ficou naquilo porque levou a mesmice até o final, inclusive, com poucas propostas a serem apresentadas.

Márcio Macedo com 25 mil votos que obteve mostrou que o PT sofreu e continua sofrendo um baque muito grande e uma opinião quase que geral, com exceção dos petistas, que o aparecimento de Lula só te tirou votos. Insistiu que Lula poderia ser capaz de conduzi-lo ao segundo turno talvez, mais isso daí foi um verdadeiro tiro no pé.

Lúcio Flávio de última hora acabou surgindo como surpresa, criatividade pouquíssima e condições de trabalho muito pouca. Tanto que insistiu durante toda a campanha com dois a três filmes e no final mostrou ao contrário dos que não gostam dele que Bolsonaro tem sim respaldo em Aracaju. Pelo fato de um ilustre desconhecido conseguir obter ainda 12448 votos em função exatamente de mostrar uma proximidade com o presidente.

Georlize Teles, uma grata surpresa com apenas 40” segundos de horário eleitoral e apenas 06 inserções durante todo o dia, enquanto outros tinham de 20 a 26 inserções, Georlize foi a que mais apresentou propostas, que fez programa mais propositivo e praticamente ao final do programa eleitoral fez algumas críticas ao gestor atual, mostrando alguns pontos contraditórios.

E o Alex Pedrão chega até a surpreender com o número de votos, mais perdeu tempo com o jargão “Fora Bolsonaro”. Esses 07” segundos fazem muita falta. Agora tudo zerou, nova fase de programa eleitoral com os dois candidatos possuindo o mesmo tempo de televisão. Desta feita, a população irá observar tudo atentamente. Daniele irá mostrar a sua condição de assumir uma prefeitura, vai puxar muito para ela o fato de ser a primeira mulher a disputar o 2º turno em Aracaju e a oportunidade do eleitorado feminino de colocar pela primeira vez uma mulher no comando da prefeitura. Edvaldo, por sua vez, disse que não mudará nada no estilo de fazer seu programa.

Vamos aguardar!

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