Josa, o Vaqueiro do Sertão, se foi aos 91 anos deixando um vazio nos apaixonados pelo forró e pela cultura sertaneja. Na manhã desta quarta-feira, 11, artistas e fãs estiveram no velório para a despedida. A safona, a zabumba e o triângulo deram o tom do adeus.

O velório aconteceu em um veletório no bairro Getúlio Vargas em Aracaju. ÀS 8h30, o corpo foi levado em cortejo para o município de Simão Dias, onde Josa Nasceu.

“Agora, minha responsabilidade agora é muito maior. Cantei 24 anos com meu pai. Com dois anos de idade, ele já me levava para as apresentações dele. Josa é minha maior referência, fonte de inspiração e pra sempre guardarei ele comigo. Tenho muita gratidão a Deus pelo tempo em que o tive comigo”, disse a filha dele, Joseane dy Josa.

“Ele cativou todos os públicos durante sua trajetória. Onde tem zabumba, sanfona e triângulo, todos conhecem Josa. Nesse segmento, é o que tem maior alcance e raiz mais profunda do sertanejo”, relata o sanfoneiro e fã do Vaqueiro do Sertão, Lucas Campelo.

Uma das melhores lembranças que Lucas guarda é o dia em que pôde tocar em uma sanfona de Josa. “Eu não tive experiência alguma com ele, mas já toquei na banda de Josa, fiz um show com Joseane dy Josa, no Forró Caju, produzi alguns materiais musicais com uma das netas dele e tive a felicidade de dar aula uma vez para o neto dele, no Conservatório de Música. Foi aí que o neto dele levou a sanfona e eu pude tocar. É como realizar um sonho de menino”, relembra o músico.
Vaqueirar no céu

A cantora Antônia Amorosa utilizou as redes sociais para se despedir do amigo. “Josa, o Vaqueiro do Sertão, atravessou o fio prateado, resgatou sua liberdade eterna, foi “vaqueirar” no céu! Viveu 91 anos, onde os últimos, foram de grande desafio físico, mas de imenso amor. […] Que Deus honre sua descendência e que ele descanse na paz que vem de Deus!”, publicou.
Representa o Sertão

Para o também sanfoneiro Robertinho dos Oito Baixos, Josa é a referência do sertão. “Perdemos um grande um baluarte forrozeiro. Conheço Josa há quase 50 anos. Fazíamos shows pelo interior de Alagoas e Bahia e sempre nos encontrávamos. Era um forrozeiro autêntico”, lembra.
Robertinho falou ainda da alegria de ter intermediado a passagem de duas músicas de Josa para o seu pai, Gerson Filho, gravar. “Ele me ensinou essas músicas, uma delas era ‘Flor do Sertanejo’, e eu passei para meu pai que acabou gravando”, conta. “Como vaqueiro ou como forrozeiro, Josa sempre foi a representatividade do sertão”, completou Roberto.
Sobre a morte
Josa estava acamado há 13 anos. Há 22 ele enfrentava o mal de Alzheimer. Ele deixa sete filhos.

Josa é considerado um dos maiores artistas sergipanos. Cantando forró ele encantou multidões no estado e fora dele. Fez parcerias com Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Anastácia, Clemilda e tantos outros.
Policial militar aposentado, foi na música que Josa seguiu carreira. Natural do Povoado Jacaré, em Simão Dias, morou por muito tempo no município de Areia Branca, que inspirou seu maior sucesso: “Na sombra da Jaqueira”.




