POR CARLOS BATALHA: “O DIA EM QUE O REI PELÉ ME AGRADECEU”!

Outubro serviu para a população mundial reafirmar a sua adoração ao Rei Pelé, nobre aniversariante do mês. O atleta do século, não apensas o melhor jogador da história, foi assim escolhido após a realização de pesquisa que confirmou tratar-se do homem mais conhecido do mundo.

Foi feita uma pesquisa onde perguntava-se qual o rosto mais conhecido do mundo. Nos três primeiros lugares ficaram: Barack Obama (Ex-Presidente do Estados Unidos), em segundo o Papa e em terceiro lugar o querido Rei Pelé. Resultado incrível para essa geração, mediante o período da aposentadoria de Pelé (1977). Ou seja, ele parou há 43 anos, deixando claro que a maioria dos votantes não chegou a ver Pelé jogar. Mas, conhece a sua fama. Um orgulho para todos nós brasileiros. Para quem não sabe, Pelé já “parou guerra” na África. Uma guerra civil muito grande e, graças ao prestígio do Rei, houve um cessar fogo para que as tropas inimigas ficassem lado a lado assistindo o maior jogador do século jogar. E no mundo afora, Pelé já foi cumprimentado por reis, rainhas e Presidentes das República. Aqui no Rio de Janeiro, a Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, quando esteve assistindo ao jogo da seleção brasileira, desceu e foi ao vestiário. O Presidente dos EUA, John Kennedy, também foi ao vestiário e abraçou-se com o Rei todo ensaboado. Outras autoridades do mundo também se renderam ao encanto e magia do Rei.

Homem simples, humilde, que nunca deixou que a fama toma-se a sua cabeça. Sempre tratando a todos com distinção. Principalmente em relação aos mais jovens que o veneravam. Eu, tive a felicidade de por 06 vezes poder acompanhar pessoalmente o seu talento. A primeira desta aos 09 anos na Arena Fonte Nova, sendo levado por um tio, quando assistir à final da Taça Brasil quando o Bahia vice-campeão após perder para a equipe santista. Já em 1969, eu vi Pelé jogar ao vivo na Fonte Nova quando o rei quase marcava o milésimo gol. Caso não fosse a bola retirada em cima da linha por zagueiro tricolor. Ainda em 1969, novamente na Arena Fonte Nova e contra o Bahia, estava presente quando ao último jogo antes de fechamento do estádio para reforma.

Logo após, veio o ano de 1974, eu trabalhava na rádio Sociedade da Bahia na companhia de ilustres membros da imprensa [França Teixeira, Armando Mariane, Reinaldo Moura]. A época, fui escalado para realizar a cobertura do Santos que encontrava-se hospedado no Hotel Plaza (Corredor da Vitória) e que iria jogar contra o rubro-negro baiano em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. Chegando ao hotel no horário do almoço, programa ocorria das 12 às 14h, entrevistei os jogadores Clodoaldo, Carlos Alberto Torres. Já o Pelé estava sentado almoçando com a sua ex-esposa ao lado do Presidente do Santos e com Osório Villa Boas (mandatário tricolor). Quando França me perguntou por telefone, confesso que estava inibido e já iria me retirando de me aproximar do rei do futebol, se Pelé não estava próximo. De imediato, respondi que estava próximo e realizando a sua refeição. Foi quando Pelé o ouviu, levantou-se e veio ao meu encontro em um gesto de simplicidade para me conceder entrevista.

“É comigo que vc deseja entrevistar”, perguntou-me. De bate pronto, disse. Sim, é com vc. Ato contínuo o cumprimentei e o anunciei. Bastante trêmulo, passei o microfone para as mãos de Pelé e por aproximadamente 15 minutos ele concedeu entrevista. Ao final, aí vem outro ato de humildade, sem que eu tivesse feito nenhuma pergunta sequer, ele bateu no meu ombro e disse assim: “muito obrigado, meu jovem”! Quer dizer, um “‘negão daquele”, o homem mais famoso do mundo me agradeceu pelo simples fato de tê-lo chamado para uma entrevista. Neste mesmo dia, tive a oportunidade de entrevistá-lo por duas vezes. Eu fazendo pista na Fonte Nova. Lembro-me que naquele tempo não tinha frescura de zona mista para entrevista ou ocasião em que diretoria escolhe jogador para entrevista. Todos falavam a qualquer momento. Quando o Santos entra em campo, minutos antes do jogo começar, fiz uma entrevista de uns 02 minutos com o Rei sobre a expectativa para o jogo e quando terminei a entrevista ele voltou a bater em meu ombro e dizer muito obrigado.

O jogo foi bastante disputado, com empate por um a um, com o time do Vitória possuindo um bom elenco [André, Osnir, dentre outros] e terminada a partida tive uma nova chance de entrevistar o rei. Perguntei análise dele sobre o jogo e, ele realizou comentários, logo após ele volta a bater em meu ombro e dizer muito obrigado. Pretendo com isso exemplificar a humildade do rei. Eu, neófito na carreira, humildemente fui entrevistá-lo e ele ao final de cada uma das entrevistas bateu em meu ombro e agradeceu. Por isso, por inteira justiça o Brasil e o mundo comemora e reverencia os 80 anos do Rei Pelé. O atleta do século de todas as modalidades esportivas. Acima de tudo, um homem íntegro, qualificado e que sempre representou com muito orgulho o nosso futebol e o país verde-amarelo.

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